29 de outubro de 2014

Lego florestal

Sim, a Lego também já pensou nos filhos dos florestais ou... nos próprios florestais. Este magnífico "logging truck" foi um presente da minha família. Inclui o motosserrista, o gajo da grua e não faltam algumas novas árvores para a sustentabilidade do sistema. Peca apenas pelo motosserrista não ter EPI completo. Ele que não espere pela próxima auditoria!

Imagens retiradas daqui

27 de outubro de 2014

Um dia no Tejo Internacional

Na semana passada, realizámos uma vista à nossa propriedade Galisteu, inserido no Parque Natural do Tejo Internacional.

A visita teve como objetivo monitorizar as áreas da propriedade classificadas como Alto Valor de Conservação, com base na presença de ecossistemas e habitats com relevante interesse para a conservação da biodiversidade local e regional.

O dia estava magnífico, com uma temperatura acima do esperado para esta altura do ano e condições de luminosidade que permitiram a utilização das nossas modestas máquinas fotográficas.

Quando se chega ao Galisteu a primeira reação do visitante habitual é olhar para o horizonte e para cima em busca das aves mais emblemáticas presentes no território do Tejo Internacional.

E, no dia de ontem fomos brindados com a presença de três aves de rapina que entusiasmam um fotógrafo de fim-de-semana (estou a falar da minha pessoa). Deixo-vos alguns dos melhores momentos destas magníficas aves, que amavelmente nos cederam estas imagens.

Águia-Imperial (Aquila adalberti)


Abutre-Preto (Aegypius monachus)

Grifo (Gyps fulvus)

22 de outubro de 2014

Open Foris: conhecer bem para gerir bem

A FAO refere que 80% dos países em vias de desenvolvimento têm dificuldades em obter e usar informação sobre os seus recursos florestais. Na tentativa de corrigir este problema, com o apoio de várias instituições públicas e privadas, a FAO promoveu o desenvolvimento do Open Foris, um magnífico projeto que assenta no grande princípio de que para gerir bem é necessário conhecer bem.

 Open Foris

O Open Foris é um conjunto de software livre, em open-source, que facilita a recolha de dados, a análise e a apresentação de resultados, em atividades como inventários florestais, estudos de alterações climáticas, inquéritos sócio-económicos, avaliações da biodiversidade e monitorizações de alterações do uso do solo. Foi principalmente pensado para países em vias de desenvolvimento e já é usado por várias instituições de investigação, governos e ONG. O software funciona em sistemas operativos Windows/Linux e Android, podendo ser gratuitamente obtido, com explicações claras, no site oficial do Open Foris. Dificilmente estas ferramentas serão utilizadas aqui na empresa, mas nada como observá-las para aprender como bem fazer.

Vídeo retirado daqui

15 de outubro de 2014

Montis ou o bom exemplo dado

Imagem obtida aqui
Portugal é parco em organizações ambientais que assumem gestão efetiva de terrenos. Nesta perspetiva contrasta com países como Reino Unido e Países Baixos, por exemplo, em que centenas de milhares de hectares estão sob gestão direta de ONGA como Wildlife Trust ou Natuurmonumenten.

Um exemplo luso deste tipo de organizações é a ATN, entidade responsável para a gestão da primeira Área Protegida Privada, a Reserva Faia Brava.

Estas organizações, de caráter menos contestatário e mais "hands on the job", são fundamentais para promover a gestão direcionada para a conservação de biodiversidade, em que modelos alternativos de gestão e intervenção encontram espaço para serem testados e melhorados.

Há muito pouco tempo nasceu uma nova ONGA em Portugal cuja ambição é mesmo essa: gerir territórios com elevado valor de conservação. Essa organização vai pelo nome de Montis Associação de Conservação de Natureza. Como se pode ler no blogue, "A MONTIS tem como objectivo central gerir territórios, com relevância em termos da conservação dos valores naturais. Inicialmente concentrará a sua actividade nas serras envolventes do Vouga e Paiva (Freita, Arada, Montemuro, Lapa, Caramulo) mas com o objectivo de se poder estender a outros locais do território nacional."

Como deriva desse objetivo, a MONTIS está a tentar adquirir terrenos para gerir. Encontrou um, relativamente modesto como convém nesta fase ainda tão prematura da sua existência e lançou uma campanha de crowd-funding para financiar a compra. Para tal, produziu um curto vídeo que merece ser visto, de tão sedutivo...
http://www.youtube.com/watch?v=EEfiELM_jgQ

Para quem acha que é importante que se façam coisas novas, que se giram áreas para as proteger, mas que não tem vida para se empenhar pessoalmente, então agora tem uma oportunidade única para contribuir. Pode contribuir com um valor, que pode ser tão modesto como um euro, para que esta área se torna a primeira de muitos geridas pela MONTIS. Vejam como em:
http://ppl.com.pt/pt/prj/sermos-donos-disto-tudo

Como MONTIS não quer só gerir mas também dar a conhecer, nada como participar no colóquio que se realizará no dia 22 de novembro. E porque Altri Florestal também quer dar a conhecer o que faz neste campo da conservação, lá estaremos também com uma curta palestra. O programa pode ser consultado aqui:
 http://montisacn.blogspot.pt/2014/10/coloquio-montis-economia-da.HTML

Vemo-nos lá...

3 de outubro de 2014

Parabéns Mestre Florestal!

Luís Ferreira e o júri da Universidade de Évora
No dia 30 de setembro, o nosso colega Luís Ferreira sagrou-se mestre florestal pela Universidade de Évora.

Após uma brilhante exposição da sua tese, o júri atribuiu a mais que merecida nota 19 ao trabalho do Luís. Conhecendo o Luís como todos nós o conhecemos, este resultado não foi surpresa.

A Altri Florestal tem muita sorte em ter uma pessoa com as qualidades do Luís como colaborador, qualidades não só na área técnica que domina, mas também qualidades humanas que fazem do Luís o colega extraordinário que é.

Luís: os meus parabéns pelo trabalho.

Henk Feith

PS: o conteúdo da tua tese merece ampla divulgação, e desafio-te a começar aqui, no nosso blogue!

1 de outubro de 2014

A Altri Florestal na Assembleia Geral do FSC IC


A Altri Florestal, participou pela primeira vez como membro internacional, na Assembleia Geral do FSC IC em Sevilha.  

Foi uma oportunidade única para participar ativamente num processo decisório que impacta diretamente as nossas opções e decisões sobre a gestão florestal e sobre processos da cadeia de custódia.

Esta experiência, da qual guardamos as melhores recordações, serviu para a Altri Florestal estabelecer contactos com os seus pares na câmara económica e perceber de viva voz as preocupações e expectativas dos membros da câmara ambiental e social.  

Em conjunto com a CELPA, a Altri Florestal apresentou três moções que, durante o processo de negociação, que decorreu antes da votação, decidiu retirá-las da mesma para não prejudicar a discussão das suas ideias e sugestões em futuros grupos de trabalho e revisões normativas.

Boletins de voto da Altri Florestal
Para além da participação na apresentação e discussão de moções na Assembleia Geral, a Altri Florestal foi convidada a partilhar a sua experiência num side-meeting dedicado à gestão de conflitos.

A partir de uma situação de crise ocorrida no passado com a certificação da gestão florestal , a Altri Florestal apresentou a sua análise de causas sobre a forma como as várias partes interessadas geriram o conflito e, destacou a importância da mediação, que embora tenha sido informal, ocorreu efetivamente por parte do FSC Portugal. Como conclusão deste evento ficámos agradados com o consenso generalizado sobre a necessidade de formalizar este papel de mediação por parte do FSC IC para com os seus representantes nacionais.

Participação da AF - Side Meeting "Managing conflicts"
A nossa apresentação destacou também as falhas de comunicação entre os vários intervenientes e a forma como a nossa empresa ultrapassou e aproveitou a situação de crise para repensar os seus processos de envolvimento e comunicação com as partes interessadas.

19 de agosto de 2014

Seminário "A Floresta e a Apicultura"

O Município de Penela, a Junta de Freguesia do Espinhal e a Serra Mel irão promover o VIII Seminário Florestal, Subordinado ao Terma “A Floresta e a Apicultura” que decorrerá no dia 6 de Setembro de 2014, integrado na XXV Feira do Mel do Espinhal com o objetivo de contribuir para a formação especializada dos agentes do setor e para a definição de estratégias para o desenvolvimento sustentável e, valorização dos produtos da colmeia de qualidade.

23 de julho de 2014

Feira Nacional de Agricultura 2014 (Parte II)

Tal como tinha prometido venho mostrar-vos mais conteúdos sobre a participação da Altri em parceria com a AIFF e seus associados na Feira Nacional de Agricultura de Santarém.

Consideramos que a mensagem transmitida pelos vários parceiros deste desafiante projeto de comunicação foi marcadamente positiva e demonstrou a interação entre a Floresta e os produtos que dela usufruímos no nosso dia-a-dia.

Como exemplo, relato-vos o sucesso da atividade de pintura para crianças em pasta de papel(dinamizada pela Altri) que, em 9 dias, as crianças que visitaram o espaço "A Floresta coMvida" pintaram cerca de 700 folhas de pasta de papel !!

Atividade "Vem pintar a Floresta"

Para melhor ilustrar a mensagem transmitida pelo conceito "A Floresta coMvida", nada melhor que um pequeno filme sobre a feira realizado pela AIFF.

17 de julho de 2014

Instacork: instantes sobre tiragem de cortiça


A Altri Florestal tem sob sua gestão cerca de 3440 hectares de sobreiro. A maior parte desta área é formada por montados de sobro, tendo como um dos seus objetivos a produção de cortiça, que se encontra no âmbito dos nossos certificados de gestão florestal (FSC® e PEFC), tal como a madeira de eucalipto. O presente ano é particularmente intenso em tiragens de cortiça, o que tem provocado um maior foco de atenção nos montados, não apenas dos colegas da Direção de Produção, cujo carinho e dedicação por estas áreas é permanente, mas também de outros colaboradores temporários ou até menos prováveis.

Seguem alguns instantes, em fotografias e testemunhos na primeira pessoa.

Pormenores da cortiça extraída
 
«Tive oportunidade de acompanhar esta atividade numa manhã. O descortiçamento em si é feito por tiradores com elevada experiência, de modo a não se danificarem as árvores. Não menos importante é o trabalho das “ajuntadeiras” que, como o nome indica, juntam a cortiça em montes para posteriormente serem carregadas para o trator. A cortiça é rechegada para um carregadouro, onde é preparada e arrumada, para daí ser transportada para a indústria. Tudo parece simples nesta cadeia de trabalhos, mas na verdade tudo é fruto de vários anos de evolução de um trabalho ancestral, muito português.»
 Rita Santos (mestranda ISA)

 
 Momentos do descortiçamento de um sobreiro


«Considero que o trabalho de campo é muito importante para a minha atividade profissional, pois permite-me sentir aquilo que passa virtualmente pelas minhas mãos! Tive recentemente oportunidade de percorrer caminhos, montes e vales de algumas propriedades e ver ao vivo as diferentes ocupações, que habitualmente observo em gabinete, com recurso à fotografia aérea. O destino foi Casal dos Arcos, onde estava a ser feito o descortiçamento, uma atividade que eu desconhecia. Nada como ver “in loco” este trabalho minucioso, mas duro fisicamente, para se dar o devido valor a todos os objetos de cortiça que nos passam pelas mãos no nosso dia-a-dia. Fantástico!»
 Julieta Sousa (operadora SIG da Altri Florestal)

 O "pai de todos" do Casal do Arcos, segundo José Marcos da Fonseca

5 de julho de 2014

Plantar eucaliptos na Suiça ou a má fama deles

Floresta suíça
Mudei de casa recentemente. Um dos colaboradores da empresa de mudanças, algures no meio dos trabalhos, perguntou qual era a minha profissão.
"Engenheiro florestal" respondi.
Ele riu-se um pouco. Estranhei e, para enquadrar melhor, acrescentei que trabalhava para a indústria de celulose.
"Isto é dos eucaliptos?" indagou com rapidez.
Nem tive tempo de responder.
"Ah, essas árvores são muito más! O que é bom é plantar carvalhos e sobreiros! Devem plantar carvalhos e sobreiros."
A minha experiência nestas situações ensinou-me que é bom manter uma certa calma.
"Olhe - respondi - concordo consigo que é importante haver também carvalhos e sobreiros."
Ele não se deixou desviar e continuou: "Fazem muito mal essas árvores! Vão mas é plantar eucaliptos na Suíça!"
Mantive a minha calma: "Não dá, faz muito frio na Suíça. Os eucaliptos não suportam esse frio."
"Estados Unidos!" O homem era determinado. "Vão plantar nos Estados Unidos!"
A minha resposta foi no mesmo sentido. O meu interlocutor não ficou muito impressionado e lá voltou ao trabalho de trazer as minhas coisas da camioneta.
Fiquei a pensar sobre o que aconteceu. Estou habituado a ter de responder perante críticas ao eucalipto, de pessoas normalmente tão convencidas como mal-informadas sobre a cultura do eucalipto e seus impactos ambientais e sociais. Decidi não deixar o assunto cair.
No fim das mudanças conversámos um pouco, e disse-lhe estar surpreendido com tão firme opinião sobre os eucaliptos. Ele voltou a sorrir e apercebi-me que já não estava tão empolgado como antes. Disse-lhe que, da próxima vez que fosse à casa de banho e usasse papel higiénico, devia pensar um pouco donde vinha esse papel.
O colega desse homem juntou-se à conversa: "Ah, é de eucaliptos que é feito o papel higiénico?"
"Sim - respondi - tal como muitos outros produtos que usamos todos os dias."
"Então, mas acha mesmo que eles não fazem mal?"
"Acho. Sabe, o que faz mal são eucaliptais mal geridos. Esses sim, fazem mal. Tal como plantações mal geridas de outras espécies, como carvalhos e sobreiros."
O primeiro homem olhou para mim e disse-me: "Olhe, plantei este ano sete eucaliptos!"
Incrédulo, perguntei-lhe: "Então afinal também planta eucaliptos?"
"Sim. A minha ideia é de plantar todos os anos 7 eucaliptos num terreno que eu tenho. Assim, daqui a poucos anos, vou ter todos os anos uns eucaliptos para cortar e que me vão dar lenha para a lareira!"
"Pois - respondi - o eucalipto também dá boa lenha."
"O eucalipto tem mas é muita má fama, não tem?" comentou o segundo homem.
"É verdade - concordei - tem de facto má fama. Foram cometidos erros no passado com a plantação de eucaliptos, e ficou a ideia da árvore malévola na cabeça de muita gente."
"É como os polícias! - disse o primeiro - também têm má fama sem razão! Sabe, sou polícia reformado e sei o que é isso da má fama. Os polícias são bons, precisamos deles e mesmo assim têm má fama!"
"Então é um pouco como os eucaliptos." respondi em tom de conclusão.
Despedimo-nos com um sorriso rasgado.