9 de outubro de 2013

Caranguejo-peludo-chinês na Ribeira da Foz

Caranguejo-peludo-chinês (imagem obtida aqui)
Pois foi uma surpresa, quando numa visita recente à Ribeira da Foz encontrámos um exemplar do caranguejo-peludo-chinês (Eriocheir sinensis). Tratou-se de uma fêmea e já estava morta quando foi encontrada.

A espécie em causa, promptamente identificada pelos nossos colegas do ICNF com base em fotografias enviadas, é exótica, como indica o nome, e ocorre de forma esporádica na bacia do Tejo. Conforme DL 565/99, é classificada como invasora na bacia do Tejo.

De acordo com esta página da Wikipédia, o caranguejo-peludo-chinês passa a maior parte da sua vida em água doce, mas deve regressar ao mar para procriar. Durante o quarto ou quinto ano de vida, no final do verão, migra rio abaixo e atinge maturidade sexual nas zonas tidais dos estuários. Depois de procriar, as fêmeas continuam a migrar em direção do mar, onde invernam em águas mais profundas. Elas regressam às águas salobras na primavera seguinte para a postura dos ovos. Depois do seu desenvolvimento como larvas, os caranguejos juvenis migram gradualmente rio acima até à água doce, completando desta forma o ciclo de vida.

Assim sendo, estão identificadas duas espécies de invertabrados invasoras na Ribeira da Foz, com o já conhecido lagostim-vermelho-da-louisiana (Procarambus clarkii).

Resta-me só agradecer aos colegas do ICNF a identificação da espécie.

30 de setembro de 2013

"Bom filho a casa torna"


O nosso colega Aníbal Almeida voltou ao trabalho.
 
Depois de um grande susto, pois o coração nem sempre avisa, e quando avisa nem sempre lhe damos a devida atenção, e após uma estadia no Hospital Pulido Valente para recuperar, veio renovado, pois a vista que tinha do quarto assim o ajudou (estádio de Alvalade).



Começou o trabalho esta sexta feira, com menos cerca de 6 quilos, cheio de "pedalada" para terminar os respetivos orçamentos.

Bem-vindo, e um abraço dos colega.


30 de julho de 2013

Estagiário sem Fronteiras

No âmbito do programa brasileiro de intercâmbio e mobilidade internacional, denominado Ciência sem Fronteiras fomentado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), parti do Rio Grande do  Sul - Brasil e fixei residência em Portugal, em setembro de 2012, realizando atividades acadêmicas na Universidade de Évora, no curso de Engenharia Florestal - Sistemas Mediterrânicos.  Em um período de dois semestres, diferentes realidades, principalmente culturais, surgiram, o que não impediu que novas visões e aprendizados fossem obtidos, contribuindo e complementando o desenvolvimento pessoal e acadêmico. Com o interesse de conhecer mais de perto a realidade de empresas do setor florestal, a Altri Florestal oportunizou a realização de estágio curricular em seus domínios.
 
Auditoria Interna de Segurança
As atividades desenvolvidas tiveram como base o acompanhamento dos processos de produção florestal, auditorias e dossiê de segurança florestal, atividades envolvendo corte e rechega de madeira, avaliação das condições das estradas florestais primárias e secundárias, visitas a locais em que efetuou-se criação de charcos, visando aumento da fauna e flora, assim como zonas onde os problemas de erosão foram controlados, bem como as medidas adotadas para recuperar os locais afetados. Além das atividades citadas, monitorizações e avaliações, como identificação da avifauna e pesca elétrica para identificação das espécies e populações de peixes, permitiram perceber a preocupação e respeito constante da Altri Florestal com os elementos da biodiversidade.
 
Área de Alto Valor de Conservação
Participações em reuniões, auditorias e revisão das normas certificadoras permitiram dar um enfoque especial nos processos de Certificação Florestal,  uma realidade imprescindível para o manejo florestal adequado, promovendo uma gestão responsável, o que de fato contribui para a sociedade em geral. Tenho convicção que este período de estágio é de elevada importância para a capacitação, aprendizado e formação profissional, sendo assim, desde já agradeço pelo apoio e oportunidade de conviver e aprender com os profissionais da Altri Florestal.
 
Douglas Edson Carvalho 
 
 

23 de julho de 2013

Formação em Exploração Florestal

A Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA) está a promover a realização de ações de formação modulares certificadas em vários temas, nomeadamente nos equipamentos e técnicas relacionados com a exploração florestal.

 
A Altri Florestal considera estas ações bastante relevantes, porque permitem a qualificação de um conjunto alargado de operadores florestais, garantindo que as mesmas qualificações obtidas estarão de acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.
 
Divulgamos aqui esta excelente iniciativa, incentivando as empresas florestais que colaboram connosco a participar nestas ações de formação, por forma, a capacitar os seus colaboradores com as melhores técnicas e procedimentos de segurança no trabalho florestal.  
 
Para mais informações devem aceder ao site da ANEFA

3 de julho de 2013

Os peixes como indicadores de gestão florestal

A Altri Florestal em colaboração com o Instituto Superior de Agronomia, iniciou um projeto de avaliação das populações de peixes nas ribeiras mais próximas e adjacentes às áreas sob gestão da empresa. Esta avaliação pretende estabelecer a relação entre o habitat ripícola, a gestão florestal nas imediações e as espécies de peixes e suas populações aí presentes.

O projeto apoia-se na aplicação da técnica de pesca elétrica. Esta técnica de amostragem piscícola é bastante eficiente e praticamente inofensiva para os peixes. Baseia-se na criação de um campo elétrico na massa de água que provoca nos peixes um efeito de relaxamento muscular permitindo a sua captura com um simples camaroeiro.

O trabalho iniciou-se nas ribeiras a sul do tejo e os resultados são bastante animadores, nomeadamente, pela presença abundante de espécies nativas e pelas elevadas densidades obtidas nas amostras já realizadas.

Ribeira de Alferreira - Troço amostrado
Ribeira da Foz - Troço amostrado

Técnica de Pesca Elétrica

Barbo
Escalo
Boga de boca arqueada
 

18 de junho de 2013

A distribuição do eucalipto globulus

A distribuição do eucalipto globulus

 
A distribuição natural

O eucalipto globulus é uma das 700 espécies de eucalipto, originário da Austrália, foi introduzido em Portugal há quase 200 anos.
O Eucalyptus globulus forma um complexo de espécies, com 4 populações, descritas por quatro subspécies (ssp): E. globulus Labill ssp. globulus; E. globulus Labill ssp. bicostata; E. globulus Labill ssp. pseudoglobulus; E. globulus Labill ssp. maidenii.
Estas quatro subspécies são diferenciadas pelos frutos (cápsulas): o globulus tem uma cápsula por umbela; o bicostata e pseudoglobulus têm 3, mas  as do pseudoglobulus são mais pequenos, e o maidenii tem até 7 frutos por umbela e são pequenos. O E. globulus, ssp globulus ocorre na Tasmania e Victoria, na latitude 38º30´a 43º30´S  e altitude  de 600m.

                        

 
Plantações de eucalipto globulus no mundo

A estimativa de plantações de E. globulus, era, em 2009, de 2,3 milhões de ha, cerca de 11% do total de plantações de eucalipto no mundo. Os países com maior área plantada de E. globulus são Portugal, Espanha, Chile, Austrália e Uruguai.


Iglesias-Trabado, G & Wilstermann, D (2008) Eucalyptus universalis. Global cultivated eucalypt forests map 2008. Version 1.0.1. In GIT Forestry Consulting's EUCALYPTOLOGICS. www.git-forestry.com

13 de junho de 2013

Errare humanum est

Telefonou-me o Carlos Pacheco. Para pedir desculpas, tinha-se enganado. Afinal, o casal de rapinas que ocupou a plataforma artificial no Galisteu,como descrito neste post, não são águias de Bonelli, mas ... águas-reais!

As duas crias da águia-real no ninho artificial
Disse ao Carlos que, com erros assim, eu podia bem. Não é com menor satisfação que tomamos conhecimento de um casal da maior e mais emblemática rapina de Portugal, a impressionante águia-real.

Não deixa de ser curiosa a escolha deste casal, sendo invulgar a utilização de eucaliptos por parte da águia-real. Entretanto, recebi mais informação sobre a presença das duas espécies no Galisteu do Carlos:
Aproveito para esclarecer um pouco mais a história dos casais de Bonelli e real no Galisteu: entre pelo menos 1990 (ano em que conheci o casal) e 2006 havia 1 território de Bonelli que se reproduzia regularmente num ninho em escarpa, dentro do Galisteu (na foz da ribeira do Marmelal). Nesse mesmo período havia também um casal de águia-real, que tinha ninhos na zona este do Galisteu e na ribeira da Aurela, em Espanha, onde se reproduz na actualidade. Voltando às Bonelli do Marmelal, entretanto, em 2007, desapareceu a fêmea deste casal e o macho andou por lá pelo menos mais 2 anos, aparentemente sozinho, e não voltou a haver tentativas de reprodução que tenha detectado desde então. Em 2010 instalou-se neste território um casal novo de águias-reais, ambas ind.sub-adultos, que ocuparam 1 dos 2 ninhos construídos pelo casal de Bonelli. Este ninho caiu a meio da época de reprodução do ano passado, com a perda dos ovos ou de crias muito pequenas (tenho a certeza que o casal estava a incubar ou com crias muito pequenas poucos dias antes de ter caído). Este ano, no final do Inverno, o casal de reais voltou a ser observado junto da foz do Marmelal pelo que depreendi que tivessem voltado ao local antigo, sem no entanto verificar a ocupação do antigo local do ninho. Entretanto verifiquei que na escarpa onde estava o ninho que caiu tudo continuava igual, pelo que seguramente foi este casal que ocupou o ninho artificial.
Também no início do ano recebi do pessoal da Quercus algumas observações de águias de Bonelli adultas a caçar na zona do Monte Barata, pelo que achei altamente provável que pudessem ser estas as ocupantes do ninho artificial.
Ainda em 2010, encontrei um ninho novo com um casal de águias de Bonelli, com um macho adulto e uma fêmea sub-adulta um pouco a jusante do Galisteu, já nas escarpas da Fraldona. Assumi que este fosse o antigo casal do Marmelal, cujo território havia sido usurpado pelas reais. No entanto este casal apenas utilizou este ninho um ano e não voltou a ser localizado desde então. Assim concluo que naquela zona existem 2 casais de águia-real (o antigo da Aurela e o mais recente da foz do Marmelal) e um casal de águia de Bonelli (que deverá corresponder ao antigo da foz do Marmelal), cujo ninho é desconhecido na actualidade. Nas escarpas do rio tenho quase a certeza absoluta que não está, pelo que deverá ter mudado para uma árvore e continua por lá à espera de ser descoberto...

Vamos ver se com este casal de reais, se a nossa esperança de ter um casal de águia-imperial na outra plataforma, não sai prejudicada, sendo as duas espécies muito competitivas entre elas. O futuro dirá...

Mais novidades quando as houver.

4 de junho de 2013

Visita a plantações recentes de eucalipto no Médio Tejo



Eng.º Borges junto a uma plantação de 3 anos do clone AC58 - Nova Austrália 
A Direção de Produção teve esta semana o privilégio de receber o Eng.º Borges de Oliveira, administrador do grupo Altri, para uma visita a várias plantações recentes na região florestal Médio Tejo.

O objetivo era mostrar os resultados dos investimentos em florestações realizados desde 2010, com especial atenção para o empenho produtivo dos diferentes materiais genéticos utilizados nelas.

A visita decorreu num ambiente descontraído e tempo agradável, permitindo informar o Eng.º Borges sobre as particularidades dos trabalhos realizados, como as opções na preparação do terreno e a escolha do material genético em cada um dos projetos.

Eng.ª Clara Araújo explica a escolha do material genético - Nova Austrália

Ensaio de proveniências genéticas - Coelheira

Na propriedade Coelheira visitámos o ensaio de proveniências, onde estão foram plantadas grande parte dos principais materiais genéticos produzidos pela Altri Florestal. O ensaio permite comparar a fenologia e empenho desses materiais, informação essencial no momento da escolha para projetos concretos.

Dr. Ferreira Matos junto a uma plantação de 2 anos do cruzamento controlado VR1014 - 593, Trabanda


Casal Ventoso - AC58 - 3 anos. Que orgulho!


YG15 - 2 anos - Arripiado

A visita terminou na propriedade Arripiado, onde há um plano de reflorestação em curso há vários anos e onde foi possível observar o empenho dos diferentes materiais em diferentes condições de crescimento.

No fim, o Eng.º Borges nos desafiou de organizar futuras visitas florestais com regularidade sobre os mais diversos temas relacionados com a gestão florestal, desafio esse que aceitamos com agrado e satisfação.

27 de maio de 2013

Águia de Bonelli ocupa plataforma para nidificar

 
Panorama da mancha deixada em pé
Galisteu tem um novo inquilino! É um casal de águia de Bonelli, que ocupou está primavera a plataforma artificial colocada num eucalipto em janeiro de 2012, como se pode ler aqui.

Após a descoberta, esta primavera, de um ninho de abutre-preto, embora sem sucesso reprodutor, numa propriedade nossa na região, é a segunda grande notícia do ano relacionada com espécies ameaçadas.

Foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da ocupação da plataforma do biólogo Carlos Pacheco. Pela sua rápida ocupação (logo na segunda época de nidificação após colocação) verifica-se o excelente trabalho do Carlos. Com base na sua experiência e grande conhecimento da ecologia da espécie, soube escolher a mancha e a árvore certas.

No centro da foto vê-se (mal) o ninho
Esta espécie nidificou no passado no Galisteu, mas nos últimos anos não tem sido registado como nidificante na propriedade. É caso para dizer: bem-vindo de regresso!

Temos duas crias no ninho, já com um mês de idade. Seguramente vamos acompanhar o processo de nidificação e esperemos poder observar no verão os primeiros voos de aprendizagem das crias pelos céus do Galisteu.

Close-up do ninho
Para quem quer saber um pouco mais sobre esta impressionante ave de rapina, recomendo consultar a sua página no site Aves de Portugal.

No ano anterior, foi colocada uma outra plataforma, mas afastada do rio, num pinheiro de grande porte. Temos esperança que será igualmente ocupada por uma rapina de grande porte, contribuindo desta forma para o papel importante que a propriedade tem para os valores do Parque Natural do Tejo Internacional, que já conta com a maior colónia de grifos do Parque, tal como a nidificação de outras espécies classificadas como ameaçadas em Portugal (ver Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal), como a cegonha-preta, o chasco-ruivo e o noitibó-de-nuca-vermelha. Também e de referir a presença do cágado-de-carapaça-estriada, réptil classificado como Em Perigo.

21 de maio de 2013

Atividade Pé na Terra - Charcos com Vida

A Altri Florestal vai realizar uma atividade de monitorização da biodiversidade na propriedade Vale Mouro, na Azambuja, no próximo sábado, dia 25 de Maio. A atividade consiste na construção de um novo charco numa zona da propriedade e a monitorização de um charco já construído anteriormente (ver aqui).


O objetivo é dar a conhecer a riqueza deste tipo de ecossistemas e o papel relevante dos charcos para um conjunto alargado de espécies de anfíbios, repteis, invertebrados e mamíferos.
 
Esta atividade insere-se no âmbito da participação da Altri Florestal no evento Pé n'a Terra organizado pelo portal Biodiversity4All . Todos os levantamentos de flora e fauna serão efetuados com o apoio das fichas de campo desenvolvidas pela equipa do Bio4All.

Ainda há algumas vagas disponíveis para a atividade. Os interessados podem inscrever-se. Para tal, basta enviar um e-mail para pserafim@altri.pt