14 de maio de 2012

Workshop Gestão da Biodiversidade

No dia 10 de Maio, na bonita cidade de Vendas Novas, a Altri Florestal organizou um workshop dedicado ao tema Gestão da Biodivesidade.


Para o mesmo convidou um conjunto de partes interessadas que trabalham direta ou indiretamente com a gestão e conservação dos valores naturais.

Da parte da manhã, e, após a apresentação dos principais temas,
- Planos de Gestão de Biodiversidade (Espécies e Habitats)
decorreu uma breve consulta aos participantes sobre os principais aspetos da gestão florestal da Altri Florestal. 

Os comentários, sugestões e criticas foram recolhidos e serão tidos em conta pela entidade certificadora  durante a próxima auditoria ao Sistema de Gestão Florestal.

Da parte da tarde, o grupo visitou um projeto de rearborização na propriedade Azenha Pintada, onde teve a oportunidade de observar um conjunto de ações de restauro de áreas de conservação que decorreram paralelamente ao projeto de rearborização.

A propriedade insere-se no Sítio de Importância Comunitária Cabrela. Tivemos assim a oportunidade de discutir no terreno as medidas de gestão propostas no PGB e já implementadas, bem como, avaliar o efeito das mesmas na elevada dinânica da vegetação.

A Altri Florestal pretende repetir neste, ou em outro formato, estas iniciativas de comunicação pois, as mesmas, permitem um contacto mais direto com as suas partes interessadas através da discussão no terreno das nossas opções de gestão florestal.    

5 de maio de 2012

A floresta como local de culto


"A floresta como espaço de mistério, de forças ocultas e sentimentos conflituais excita a imaginação e o fantástico constituindo-se como fonte inesgotável de mitos, crenças, lendas, fábulas, contos infantis e contos de fadas, assim como espaço habitado por espíritos, uns bons e outros maus, uns visíveis e outros invisíveis, como as fadas, as ninfas, os troll, os ogres, as dríades, os faunos, os sátiros, os gnomos, os elfos, os lobisomens e o próprio diabo" Engº José Neiva Vieira, no seu artigo Árvores Florestas e Homens.

É relativamente frequente encontrarmos sinais de atividades de culto e rituais místicos nas nossas florestas, e a foto acima é um exemplo recente disso. Normalmente são brincadeiras inofensivas de adolescentes, mas ao mesmo tempo não deixam de fomentar uma certa ansiedade junto de pessoas mais sensíveis para os aspetos ocultos e crenças populares relacionadas com estes rituais.

A mim não me incomoda quando as pessoas recorrem à floresta para as suas atividades espirituais. Podiam, isso sim, levar a sua tralha para casa no fim da sessão...

23 de abril de 2012

Vamos arriscar



Apesar da escassa chuva desta primavera, decidiu-se avançar com várias plantações, inicialmente suspensas, nos distritos de Portalegre e Castelo Branco, baseado na previsão para os próximos dias:

http://www.meteoblue.com/pt_PT/tempo/mapa/precipitacao/spain_portugal

E esperemos que a chuva tenha vindo para ficar por mais umas semanas...


20 de abril de 2012

Monitorização da erosão em novas plantações de eucalipto

A gestão florestal sustentável é a estratégia adoptada pela Altri Florestal com o objetivo de aumentar a produtividade nas matas sob sua gestão. Este objetivo leva a empresa a investir em novas plantações, renovando o material genético e implementando novas técnicas que visam minimizar os impactes associados às mobilizações do solo.
A erosão é a perda de solo que ultrapassa uma determinada fronteira, devido a diferentes agentes: Água, vento, temperatura e organismos; potenciados pela força da gravidade (declive).
Para a Altri Florestal, o principal impacto sobre o solo é proveniente da erosão hídrica, que é mais relevante no solo mobilizado das novas plantações.
A Altri Florestal faz monitorização das áreas recém plantadas. Esta monitorização, consiste no registo do tipo de erosão e dos locais de ocorrência, permitindo avaliar as opções tomadas na altura da execução do projeto e se necessário recomendar novas medidas para travar o avanço da erosão.
Monitorização da erosão depois das primeiras chuvas, após a plantação.
 
Erosão difusa, na propriedade Vale das Traves

A erosão difusa é a remoção de uma pequena camada de solo causada pelo impacto direto das gotas da chuva no solo, esta remoção é apenas de alguns centímetros.

Sulco com escala de dezenas de metros, propriedade Sarangalheiro
Os sulcos são um tipo de erosão concentrada, provocada pela ação da escorrência superficial das águas da chuva. Estes sulcos começam por ser pequenos canais que podem ir aumentando até apresentarem alguns centímetros de profundidade.

Avaliação da eficácia de algumas das medidas implementadas na plantação

Desvio de água, propriedade Vale das Traves

Os desvios de água diminuem o volume e a velocidade da água nos caminhos, distribuindo a água pela área da plantação. Devem ser feitos na execução do projeto florestal como medida preventiva.

Caixas de sedimentação, na propriedade Vale Mouro
As caixas de sedimentação são uma nova técnica com bons resultados em solos com textura mais arenosa. A técnica consiste em abrir uma caixa no solo, para onde é direccionada a água. A velocidade das águas pluviais é travada e são retidos os sedimentos. As caixas de sedimentação promovem a distribuição e infiltração da água pelo povoamento.

Preparação do terreno por faixas, propriedade Paio Correia
Esta preparação deixa uma faixa de terreno não mobilizado, com alguma vegetação entre as linhas de plantação, funcionando como um travão à progressão da erosão. Técnica recomendada em zonas com alguma inclinação e solos mais destacáveis.

Exclusão de algumas áreas na plantação, propriedade Barreiro
Zonas de linhas de água, áreas com interesse ecológica e as áreas mais sensíveis à erosão, são protegidas das mobilizações de solo.

Depois da monitorização, sempre que necessário, reforçam-se as medidas para travar a erosão verificada



Colocação de cepos num sulco com escala de dezenas de metros, propriedade Vale Olas
Esta técnica impede o aumento do sulco e fixa os sedimentos entre os cepos. Os cepos são um material estável ao arrastamento e permitem que a água procure o caminho por entre os espaços entre eles, pois não é um material estanque.

Colocação de estacaria e alguma biomassa, propriedade Vale Mouro
A colocação de estacas permite que o solo se vá acumulando no espaço de onde foi removido pela erosão, preenchendo e estabilizando o local.

As novas florestações são uma necessidade do sector onde opera a Altri Florestal, são também a oportunidade de revitalizar povoamentos em declínio, ou de aproveitar áreas incultas gerando riqueza e criando trabalho.

18 de abril de 2012

Novos Chefes de Brigadas de Inventário Florestal

De 9 a 13 de abril, no Centro de Operações e Técnicas Florestais da Lousã, decorreu uma nova edição do Curso de Chefes de Brigadas de Inventário Florestal, promovido e organizado pela Celpa desde 2003. Com o objetivo de habilitar profissionais de capacidades para a inventariação de recursos florestais, este curso é apenas realizado em anos em que a Celpa e suas associadas verifiquem claras necessidades no mercado de trabalho. A inscrição é totalmente gratuita e realizada a partir de convites diretos a potenciais empresas ou profissionais.

As competências pedagógicas desta edição do curso estiveram, pela segunda vez, a cargo da Escola Superior Agrária de Coimbra, através de uma equipa de formadores liderada pelo Prof. Raul Salas. No final das sessões de formação foram realizadas as apresentações dos inventários florestais da Celpa e da Altri Florestal.


Os formandos com o Prof. Raul Salas (ESAC), Francisco Goes (Celpa) e Luís Ferreira (Altri Florestal)

A informação proveniente dos inventários florestais tem grande influência na tomada de decisões da Altri Florestal, tendo particular importância no planeamento e no seguimento operacional. Temos perfeita noção que as medições dendrométricas são um trabalho especializado, onde a qualidade é indissociável. Assim, só podemos desejar o maior sucesso aos 14 chefes de brigada de inventário florestal recém-formados.

17 de abril de 2012

Valorização de cinzas e composto orgânico na floresta

Espalhamento de composto orgânico no Vale Mouro
 A produção de biomassa para energia através do aproveitamento de biomassa residual florestal gera uma quantidade significativa de cinzas, para a qual é necessário dar um destino adequado, nomeadamente através da valorização. Adicionalmente, as unidades fabris geram resíduos de biomassa que devidamente compostados podem ser usados no solo.

A aplicação de cinza de biomassa é uma prática ancestral de correção e fertilização de solos ácidos e a aplicação do composto orgânico em terrenos pobres em matéria orgânica constituirá uma fonte de nutrientes, para além de ter um papel importante na melhoria da textura do solo. Dadas as características físicas das cinzas e do composto, bem como as quantidades que devem ser aplicadas por hectare e as características das propriedades florestais, especialmente declive, existe a necessidade de desenvolver equipamentos de espalhamento eficazes, que permitam uma valorização ambiental e económica daqueles produtos. A viabilidade do espalhamento depende de fatores importantes como: o equipamento de transporte, a localização dos carregadouros, o equipamento de espalhamento, em função do produto – cinza ou composto, e das características do povoamento e terreno. A Altri Florestal tem vindo há já alguns anos a testar o uso e espalhamento da cinza e mais recentemente do composto, nas suas plantações de eucalipto, no sentido de encontrar o sistema mais adequado. O primeiro equipamento a ser desenvolvido consistiu num espalhador com auto-carregamento, mas este tinha apenas capacidade para cerca de 1 m3 de cinza, são sendo prático nem económico.

Durante o último ano, testamos o espalhamento de cinza e composto com equipamentos desenvolvidos pela Altri Florestal, alguns espalhadores utilizados na agricultura e equipamento cedido pela Ence ao abrigo de uma colaboração estabelecida entre as duas empresas. Durante os testes foram identificadas algumas condicionantes à execução das operações de espalhamento, nomeadamente:
1)      Condições de terreno – declive; irregularidade do solo devido à remoção dos cepos de eucalipto, esta última obrigando a uma gradagem prévia das áreas a explorar;
2)      Qualidade dos produtos cinza ou composto: a presença de materiais como pedras ou pedaços de madeira provocam o encravamento, um maior desgaste dos equipamentos levando a avarias e quebra de peças.
  
Exemplos de alguns equipamentos testados:
1 - Equipamento auto - carregador espalhador de Cinzas desenvolvido pela Altri Florestal. 


2 - Equipamento espalhador agrícola testado para aplicação de composto orgânico e cinzas.


3 - Máquina de espalhamento de composto cedido pela ENCE, foi desenhada especificamente para realizar de uma forma eficaz e económica a distribuição de composto. Este equipamento tem sido testado pela Altri Florestal na aplicação de Cinzas e Composto em áreas florestais.



Os testes realizados permitiram concluir que é necessário proceder a melhorias na qualidade da cinza e composto para poder ser utilizado pelo equipamento em estudo e que, por seu lado, é necessário melhorar o equipamento para trabalhar em condições de solos inclinados e com resíduos florestais. Os resíduos industriais devem passar por um processo de crivagem ou destroçamento para remoção e eliminação dos materiais inertes e deve haver também um controlo do teor de humidade, para possibilitar a aplicação sem comprometer a produtividade e os custos de aplicação.

José Quaresma


10 de abril de 2012

Viveiros do Furadouro - 20 anos a produzir plantas

Gosto do meu trabalho

"Se os holandeses produzem com tanto sucesso plantas ornamentais e hortícolas em estufas tecnologicamente avançadas, porque é que não podemos produzir plantas florestais seguindo os mesmos métodos?” – com esta questão, Paul Cotterill lançou um desafio, entusiasmando muitas mentes e incomodando outras, que se interrogavam sobre a viabilidade de um projecto tão ambicioso e diferente.

Novembro 1991 - Sr. Malícia, Paul Cotterill e Ivone Neves

Foi no início de Abril de 1992 que iniciamos a produção de plantas nos Viveiros do Furadouro. Posso dizer que nesses primeiros meses tremíamos todos os dias - tudo era novo nesta nova unidade: as primeiras sementeiras, a propagação vegetativa, o controlo ambiental, a movimentação das bancadas, a organização e o registo da informação, a faturação das plantas. E erramos, passamos por grandes sustos, vivemos desilusões. As geadas, os insucessos das produções, a gestão do pessoal, as encomendas não levantadas, as plantas que deitamos para o lixo.

Maio 1997 - Angelo Marques, João Reis, Ivone Neves, Valentim Raimundo e António Figueiredo 

Em Óbidos e em 2012, podemos concluir que a frase de Nietzsche continua a ser válida, o que não nos mata torna-nos mais fortes.
Tentamos nunca perder o nosso rumo e perseguir a nossa missão que afinal é muito clara mas nem sempre fácil de atingir: produzir as melhores plantas, contribuindo para que sejam plantadas na estação e na época mais adequada.

Passados 20 anos, e vividas muitas preocupações e ainda mais alegrias, cabe-nos dar razão a quem sonhou com uma estufa de vidro sofisticada para produzir eucaliptos. Foi um bom projecto que continua a funcionar em pleno e ainda hoje é considerado uma referência na produção de plantas florestais. Para além das visitas solicitadas pela Altri (colegas, clientes, empresas do mundo inteiro), recebemos e mostramos o que fazemos a associações florestais, universidades e escolas. O interesse das crianças, mesmo as mais pequeninas, quando olham para um pinhão a germinar leva-nos a crer que contribuímos com a nossa gota de água para que as próximas gerações se relacionem de forma mais inteligente e lúcida com o que nos rodeia.

Novembro 2011 - Os meninos das escolas de Óbidos aprendem nos Viveiros do Furadouro

Percebemos que nesta actividade nada se pode copiar. O que se passa no viveiro do vizinho (ou da grande empresa além-mar), pode apenas servir-nos de inspiração. O que os outros fazem não é copiável; o que nós fazemos os outros não podem imitar. Por isso acreditamos que a troca de experiências e de conhecimento não nos prejudica e só nos pode enriquecer.
Os condicionalismos ambientais, a localização, a qualidade da água, a especificidade dos materiais que produzimos, a disponibilidade das matérias-primas, as competências operacionais e de gestão e a própria cultura dum país ou duma região são factores determinantes que temos que conhecer para que possamos desempenhar a nossa actividade com a qualidade que a floresta e os nossos clientes merecem.

Setembro 2010 - os Viveiros do Furadouro

Sem dúvida, continuamos a aprender, uma campanha de produção nunca é igual à anterior. Curiosidade, empenho e entusiasmo são ingredientes que não se esgotam e que nos empurram para a mudança: melhoramos equipamentos, experimentamos técnicas de produção, inovamos mesmo que as alterações possam conduzir temporariamente ao desconforto.

Desde o início que a Graça, o Figueiredo, a Lurdes, a Dália, a Lígia, a Sílvia, a Ana Isabel, a Cristina, o Emídio e o Telmo têm estado connosco. Não só estes como também outros, os que já partiram, os que rumaram noutras direcções e os que entretanto se juntaram a nós, são a espinha dorsal dos Viveiros do Furadouro. Constituímos uma equipa responsável e dedicada, barafustamos e discutimos, muitas vezes não concordamos à primeira, mas sabemos que todos podem contar com todos e só assim se compreende o bom ambiente que existe entre nós. Acredito que este é um dos ingredientes mágicos para que uma organização possa sobreviver mesmo em tempos difíceis como os que atravessamos.


 
Abril 2012 - o soprar das velas: PARABÉNS VIVEIROS DO FURADOURO!

Que venham mais 20 anos!


30 de março de 2012

Ribeira de Alferreira

As ribeiras a sul do tejo sempre nos reservaram algumas surpresas, quando as visitamos.
Para não fugir à regra fomos visitar uma das mais relevantes, em termos de área de influência dos povoamentos sob gestão da Altri Florestal - A ribeira de Alferreira, nos concelhos de Nisa e Gavião.


Esta ribeira surpreende qualquer visitante, numa primeira impressão, devido ao relativo isolamento às populações mais próximas e consequentemente das fontes de poluição fluvial.


Desta vez, a nossa visita focou-se na verificação do potencial para a presença de valores de fauna piscicola. No entanto quando a percorremos de montante para jusante saltou à vista a diversidade e excelente estado de conservação da galeria rípicola (amieiros, freixos, pilriteiros) bem como da vegetação presente nas encostas mais escarpadas (azinhal).


Voltando aos peixes, foi também muito impressionante verificar a diversidade e quantidade presente, bem como as várias classes de idade de bogas, escalos e góbios.


O dia não deu para mais, mas os 11 km da Ribeira de Alferreira sob nossa gestão merecerão novas visitas e avaliações dos valores naturais presentes.

       

24 de março de 2012

Notas de Vale Mouro IV

Foto obtida aqui
 Hoje fomos informados, por um experiente observador de aves, da presença de um colhereiro numa charca em Vale Mouro.

Esta espécie, que ocorre de forma regular embora esporádica no Ribatejo, tem no Paul de Boquilobo o local de reprodução mais importante na região. As aves deslocam-se frequentemente dezenas de quilómetros para se alimentar em charcas e zonas alagadas, o que terá sido o caso aqui.

O que é curioso é o facto de ter sido numa charca, de reduzida dimensão, em espaço florestal, pouco habitual para a espécie. Interessante se torna ao saber que a charca foi criada no âmbito do projeto de reflorestação da propriedade, sendo anteriormente uma área onde estava instalado um eucaliptal. Este exemplo mostra que pequenas intervenções no ordenamento podem constituir importantes contributos para a biodiversidade, mesmo inesperados como este caso (colhereiro seria a última das espécies a esperar no local, sendo a charca pensada sobretudo como local de reprodução de anfíbios).

O registo já foi introduzido no Biodiversity4All.

21 de março de 2012

Narcisos

A primavera anuncia-se nas florestas da Altri Florestal.
Numa pesquisa direccionada à flora no SIC de Carregal do Sal, a equipa da Mãe D'Água encontrou uma pequena pérola da nossa flora nacional (endemismo português), o Narcissus scaberulus. Esta planta está geralmente associada a solos pobres e rochosos de origem granítica. Pode ocorrer também em prados e em clareiras de giestais.



Na propriedade em questão a população desta espécie era bastante relevante. Este tipo de "descobertas" relevam a importância da monitorização dos valores naturais como uma ferramenta útil na  gestão florestal. Neste caso em particular a recomendação de gestão é não perturbar estas clareiras, que estão associadas aos afloramentos graníticos, zonas que já tinham sido excluídas da florestação.

Para mais detalhes (fotográficos) sobre esta espécie recomendo o site Flora-On da Sociedade Portuguesa de Botânica.

Um bom dia da árvore e das florestas para todos.