Gosto do meu trabalho
"Se os holandeses produzem com tanto sucesso plantas ornamentais e hortícolas em estufas tecnologicamente avançadas, porque é que não podemos produzir plantas florestais seguindo os mesmos métodos?” – com esta questão, Paul Cotterill lançou um desafio, entusiasmando muitas mentes e incomodando outras, que se interrogavam sobre a viabilidade de um projecto tão ambicioso e diferente.
Novembro 1991 - Sr. Malícia, Paul Cotterill e Ivone Neves
Foi no início de Abril de 1992 que iniciamos a produção de plantas nos Viveiros do Furadouro. Posso dizer que nesses primeiros meses tremíamos todos os dias - tudo era novo nesta nova unidade: as primeiras sementeiras, a propagação vegetativa, o controlo ambiental, a movimentação das bancadas, a organização e o registo da informação, a faturação das plantas. E erramos, passamos por grandes sustos, vivemos desilusões. As geadas, os insucessos das produções, a gestão do pessoal, as encomendas não levantadas, as plantas que deitamos para o lixo.
Maio 1997 - Angelo Marques, João Reis, Ivone Neves, Valentim Raimundo e António Figueiredo
Em Óbidos e em 2012, podemos concluir que a frase de Nietzsche continua a ser válida, o que não nos mata torna-nos mais fortes.
Tentamos nunca perder o nosso rumo e perseguir a nossa missão que afinal é muito clara mas nem sempre fácil de atingir: produzir as melhores plantas, contribuindo para que sejam plantadas na estação e na época mais adequada.
Passados 20 anos, e vividas muitas preocupações e ainda mais alegrias, cabe-nos dar razão a quem sonhou com uma estufa de vidro sofisticada para produzir eucaliptos. Foi um bom projecto que continua a funcionar em pleno e ainda hoje é considerado uma referência na produção de plantas florestais. Para além das visitas solicitadas pela Altri (colegas, clientes, empresas do mundo inteiro), recebemos e mostramos o que fazemos a associações florestais, universidades e escolas. O interesse das crianças, mesmo as mais pequeninas, quando olham para um pinhão a germinar leva-nos a crer que contribuímos com a nossa gota de água para que as próximas gerações se relacionem de forma mais inteligente e lúcida com o que nos rodeia.
Novembro 2011 - Os meninos das escolas de Óbidos aprendem nos Viveiros do Furadouro
Percebemos que nesta actividade nada se pode copiar. O que se passa no viveiro do vizinho (ou da grande empresa além-mar), pode apenas servir-nos de inspiração. O que os outros fazem não é copiável; o que nós fazemos os outros não podem imitar. Por isso acreditamos que a troca de experiências e de conhecimento não nos prejudica e só nos pode enriquecer.
Os condicionalismos ambientais, a localização, a qualidade da água, a especificidade dos materiais que produzimos, a disponibilidade das matérias-primas, as competências operacionais e de gestão e a própria cultura dum país ou duma região são factores determinantes que temos que conhecer para que possamos desempenhar a nossa actividade com a qualidade que a floresta e os nossos clientes merecem.
Setembro 2010 - os Viveiros do Furadouro
Sem dúvida, continuamos a aprender, uma campanha de produção nunca é igual à anterior. Curiosidade, empenho e entusiasmo são ingredientes que não se esgotam e que nos empurram para a mudança: melhoramos equipamentos, experimentamos técnicas de produção, inovamos mesmo que as alterações possam conduzir temporariamente ao desconforto.
Desde o início que a Graça, o Figueiredo, a Lurdes, a Dália, a Lígia, a Sílvia, a Ana Isabel, a Cristina, o Emídio e o Telmo têm estado connosco. Não só estes como também outros, os que já partiram, os que rumaram noutras direcções e os que entretanto se juntaram a nós, são a espinha dorsal dos Viveiros do Furadouro. Constituímos uma equipa responsável e dedicada, barafustamos e discutimos, muitas vezes não concordamos à primeira, mas sabemos que todos podem contar com todos e só assim se compreende o bom ambiente que existe entre nós. Acredito que este é um dos ingredientes mágicos para que uma organização possa sobreviver mesmo em tempos difíceis como os que atravessamos.
Abril 2012 - o soprar das velas: PARABÉNS VIVEIROS DO FURADOURO!
Que venham mais 20 anos!