25 de fevereiro de 2012
Cobra-rateira
Numa visita recente a uma plantação de eucaliptos na Vila Nova de Barquinha, demos pela presenção de uma bela cobra. Estava a apreciar o sol de inverno para aquecer e deixou-se fotografar. No entanto, os "paparazzis" à volta dela rapidamente lhe aborreceu e fugiu por debaixo de um cepo, o que deu para avaliar o seu comprimento: pelo menos uns 70 cm.!
Foi com a preciosa ajuda do biológo José Teixeira do CiBio, com quem temos vindo a desenvolver interessantes projetos na área do anfíbios ao abrigo do projeto NaturSAPO, que soubemos de se tratar de uma cobra-rateira.
Esperemos que ela continua a encontrar o seu lugar para viver nos nossos eucaliptais.
23 de fevereiro de 2012
Avaliação Multicritério – Aptidão do Uso do Solo
Em todos os processos de planeamento, na perspetiva da gestão territorial, admitem-se diferentes tipos de critérios na tomada de decisão. A aptidão de um determinado uso de solo é essencialmente um processo de decisão através do qual se pretende comparar diferentes alternativas espaciais para a instalação de diferentes culturas para diferentes tipos de solo, de um modo mais geral, a identificação das áreas de um território que apresentam maior aptidão para um determinado uso. A aptidão do território para um determinado uso resulta da conjunção de fatores relacionados com a capacidade intrínseca desse território no que respeita aos fatores ambientais e com as potencialidades que advêm da transformação do território pelo homem.A tomada de decisão de âmbito espacial e multicritério requer uma articulação entre os objetivos do ou dos decisores e a identificação dos atributos necessários na determinação do grau em que esses objetivos serão atingidos.
Uma das grandes dificuldades muitas vezes encontradas num processo de decisão que envolve múltiplos critérios é a forma como se deve quantificar a importância relativa de cada um deles, ao que acresce o facto dos mesmos possuírem graus de importância variáveis para diferentes decisores, é portanto necessário definir qual a importância relativa de cada critério no processo de decisão, o que é feito normalmente atribuindo um determinado peso a cada critério interveniente. A correta atribuição de pesos é importante para que sejam mantidas as preferências dos decisores, para isto é necessário que as unidades destes possam ser convertidas em unidades comparáveis, isto é, serem normalizadas.
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| Exemplo de Modelo Multicritério |
Utilizando a informação organizada em diferentes níveis temáticos (por exemplo, rede de estradas principais, declive do terreno, ocupação do solo, etc.) é possível fazer várias operações de análise lógica, estatística e matemática apresentando os resultados numa carta ou numa tabela. Este tipo de análise revolucionou a gestão florestal, não sendo portanto surpreendente o interesse crescente no desenvolvimento de novas ferramentas de apoio, à análise multicritério, nomeadamente os sistemas de informação geográfica (SIG).
Exemplo Prático
A avaliação multicritério pode ser implementada num SIG através de um de dois procedimentos. O primeiro envolve a sobreposição booleana, na qual todos os critérios são reduzidos a declarações lógicas de aptidão e então combinados por via de operadores lógicos como a intersecção e a união. O segundo envolve a combinação de critérios contínuos, através da normalização para uma escala comum e da aplicação de pesos para obter médias pesadas.
Ø Tomemos por exemplo o 2º Procedimento:
A avaliação da aptidão ecológica da espécie “X2”, na Serra da Lousã. Considerando todas as variáveis biofísicas naturais que influenciam o desenvolvimento da espécie.
Através de uma pesquiza foram obtidas a seguintes variáveis: Solo, Altitude e Precipitação.
1º Passo “Normalização das variáveis”
Variável
|
Designação
|
Normalização
|
Solo
|
Cambissolos húmicos
|
1
|
Fluvissolos êntricos
|
2
| |
Altitude
|
0 a 400 metros
|
1
|
400 a 700 metros
|
2
| |
Precipitação
|
1000 a 1200 mm
|
1
|
1400 a 1600 mm
|
2
|
2º Passo “Comparação e atribuição de pesos”
Variável
|
Peso (0 a 1)
|
Normalização
|
Peso (0 a 1)
|
Solo
|
0,67
|
1
|
0,64
|
2
|
0,36
| ||
Altitude
|
0,21
|
1
|
0,81
|
2
|
0,19
| ||
Precipitação
|
0,12
|
1
|
0,78
|
2
|
0,22
|
3º Passo “Sobreposição das Variáveis”
Carta de aptidão ecológica da espécie “X2” = 0,67*Solo+0,21*Altitude+0,12*Precipitação;
No final será obtida uma carta normalizada [0 ; 1], em que o valor 0 representará as zonas com menor aptidão e valor 1 caracterizará as zonas de maior aptidão ecológica para a espécie.
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| Exemplo de uma carta final |
19 de fevereiro de 2012
Inverno no viveiro
O inverno tem sido muito frio. O viveiro, onde a Altri produz as plantas para as suas florestações, tem um sistema de proteção, que consiste em regar as jovens plantas quando a temporatura baixa muito.
Para além do efeito protetivo, o efeito visual das plantas cobertas por espessas camadas de gelo é espetacular, remetendo-nos para um mundo imaginário polar.
16 de fevereiro de 2012
O Sobreiro do Touro Fernando
Quem gosta do que faz sabe como é difícil esquecer a profissão, mesmo nos momentos de lazer. Às vezes dou comigo a criticar uma série de televisão por aparecer uma árvore em local e época muito improváveis, ou então determinado filme de animação que insiste em dizer às crianças que o prato preferido dos pombos são minhocas e lagartas. Todavia, na minha última constatação do género fui bem mais condescendente na minha critica.
Há uns dias, via com a minha filha uma antiga curta da Disney intitulada "O Touro Fernando" (Ferdinand the Bull, 1938), que conta a história de um touro espanhol que, em vez de andar às marradas com os outros touros, preferia cheirar flores à sombra do seu sobreiro. Ora, é precisamente esta "cork tree" que é representada de uma forma muito peculiar, frutificando literalmente rolhas sobre o calmo Touro Fernando. Não interpretei este detalhe como sendo um erro, mas como um raro momento de fino humor florestal. Acreditei mesmo que tal coisa só poderia vir de algum colega que, por qualquer motivo, mudou a sua atividade para o ramo da animação.
Há uns dias, via com a minha filha uma antiga curta da Disney intitulada "O Touro Fernando" (Ferdinand the Bull, 1938), que conta a história de um touro espanhol que, em vez de andar às marradas com os outros touros, preferia cheirar flores à sombra do seu sobreiro. Ora, é precisamente esta "cork tree" que é representada de uma forma muito peculiar, frutificando literalmente rolhas sobre o calmo Touro Fernando. Não interpretei este detalhe como sendo um erro, mas como um raro momento de fino humor florestal. Acreditei mesmo que tal coisa só poderia vir de algum colega que, por qualquer motivo, mudou a sua atividade para o ramo da animação.
Imagem retirada daqui
13 de fevereiro de 2012
Seminário Gorgulho do Eucalipto
O coleóptero Gonipterus platensis é um dos insectos fitófagos do eucalipto com maior importância económica a nível mundial, pelos prejuízos intensos que tem provocado, nos vários locais onde está presente.
| Foto: Ana Reis - Altri Florestal |
Em Portugal, os maiores ataques têm sido observados no norte e centro do país, particularmente em eucaliptais instalados em zonas de altitude acima dos 400m. É um insecto desfolheador que se alimenta de folhagem recente, tanto no estado de larva como no estado adulto.
Nos próximos dias 8 e 9 de Março a Altri Florestal organiza em conjunto com a AFN, a DGADR, o INRB e o RAIZ duas ações de sensibilização para produtores florestais e técnicos interessados no problema do gorgulho do eucalipto, nos meios de luta e nas áreas de investigação.
Os seminários irão decorrer no dia 8 de Março na Estação Vitivinicola da Bairrada em Anadia e no dia 9 no COTF na Lousã. Junto segue o respetivo programa e ficha de inscrição
9 de fevereiro de 2012
CEFCO Project European Workshop
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| Breve exposição sobre o modelo de gestão das áreas de produção |
No dia 7 de Fevereiro recebemos a visita numa das nossas propriedades dos participantes no Worshop Internacional do Projeto Europeu - CEFCO organizado pelo FSC Portugal em colaboração com a ANEFA e a NEPCon.
A propriedade visitada foi a Fajarda (Coruche), onde foram apresentados vários aspetos da nossa gestão florestal, entre os quais:
- as diferentes técnicas de preparação de terreno nas áreas de produção de eucalipto;
- o programa de melhoramento genético, atividades de I&D e a instalação de ensaios (+ info);
- a avaliação sobre o aproveitamento de biomassa florestal (+ info);
- a avaliação de impactes in situ com base na interpretação de cartografia de solos e risco de erosão (+ info).
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| Apresentação das atividades de I&D com visita a um conjunto de ensaios |
Durante a visita foram colocadas várias questões sobre o modelo de gestão da Altri Florestal e como os sistemas de certificação florestal se mostraram determinantes para a melhoria das práticas de silvicultura e para um melhor conhecimento dos valores naturais existentes nas nossas matas.
Após a visita de campo seguiu-se um almoço de confraternização em Coruche onde se continuou o debate sobre estes e outros temas relacionados com a gestão florestal responsável.
4 de fevereiro de 2012
Eucalyptus nitens na neve
No dia 26 de janeira, a Direção de Produção realizou a sua reunião anual, esta vez em Tarouca. Visitou-se a propriedade Monte Mourisca, uma plantação recente de Eucalyptus nitens.
A propriedade situa-se entre 900 e 1000 metros de altitude e o Eucalyptus nitens mostra a sua grande aptidão para o clima montana, com excelentes crescimentos e elevada resistância ao frio como se pode ver na imagem acima, tirada em dezembro de 2010.
As produtividades esperadas situam-se entre as 200 e 250 m3cc/ha, proporcionando desta forma uma cultura rentável e com elevada capacidade de criação de valor.
No fim da visita registou-se o momento para memória futura, em que a equipa da DP se posiciona junto a uma plantação que irá fazer somente 3 anos na próxima primavera. É caso para dizer: que grande equipa!
Henk Feith
27 de janeiro de 2012
Plataforma para rapinas
Esta semana foi colocada a segunda plataforma para rapinas na nossa propriedade Galisteu, no Parque Natural do Tejo Internacional.
O trabalho de colocação foi realizado pelo Carlos Pacheco e Rui Caratão.
A árvore escolhida insere-se numa mancha que irá ser excluída do corte do restante povoamento, formando um bosque dedicado à possibilidade de um local de reprodução de uma rapina de maior porte, mais provavelmente uma águia de Bonelli (mas pode haver surpresas maiores!).

A mancha encontra-se a meio de uma encosta virada a norte, garantido condições de longevidade das árvores devido à maior humidade do sítio e excelentes condições de entrada e saida das aves em voo.
A colocação da plataforma só pode ser feita por pessoas qualificadas, como é o caso do Carlos Pacheco, com ampla experiência neste tipo de trabalhos. Eis uma imagem da subida do Carlos à copa da árvore.
Depois da estrutura segue o enchimento dela com ramos e folhas.
O resultado final é um convite a uma águia de Bonelli para ocupar um T0 com vista para o Tejo Internacional! Seria de estranhar se não houvesse uma para aproveitar do convite e ocupar o ninho.
Estaremos nós para esperar pela boa notícia da sua ocupação. E que, seguramente, será divulgada aqui.
O trabalho de colocação foi realizado pelo Carlos Pacheco e Rui Caratão.
A árvore escolhida insere-se numa mancha que irá ser excluída do corte do restante povoamento, formando um bosque dedicado à possibilidade de um local de reprodução de uma rapina de maior porte, mais provavelmente uma águia de Bonelli (mas pode haver surpresas maiores!).
A mancha encontra-se a meio de uma encosta virada a norte, garantido condições de longevidade das árvores devido à maior humidade do sítio e excelentes condições de entrada e saida das aves em voo.
A colocação da plataforma só pode ser feita por pessoas qualificadas, como é o caso do Carlos Pacheco, com ampla experiência neste tipo de trabalhos. Eis uma imagem da subida do Carlos à copa da árvore.
Chegado ao topo da árvore, o Carlos inicia a colocação da estrutura metálica que irá suportar o ninho artificial.
Depois da estrutura segue o enchimento dela com ramos e folhas.
Estaremos nós para esperar pela boa notícia da sua ocupação. E que, seguramente, será divulgada aqui.
14 de janeiro de 2012
Notas de Vale Mouro III
Durante o outono foram implementadas várias medidas preventivas no Vale Mouro.
Foram construídas várias caixas de retenção das águas pluviais, junto aos caminhos. Desta forma, evita-se a escorrência das águas nos caminhos, frequentemente causadora de fenómenos erosivos. Revelaram-se muito eficaz como medida preventiva da erosão e promovem a infiltração das águas de chuva no solo.
Na área na parte meridional da propriedade, onde se vai executar a segunda fase do projeto de reflorestação, foram identificadas várias manchas e bosquetes com sobreiros, que serão alvo de medidas de proteção especial, por forma a salvaguardá-las.
Conforme previsto no projeto aprovado pela AFN, estão a ser implementada várias faixas de descontinuidade, que acompanham zonas de escorrência e linhas de água efémeras. Estas faixas irão constituir futuramente corredores ecológicos com uma vegetação natural que compartimentará as plantações de eucalipto circundantes.
Foram construídas várias caixas de retenção das águas pluviais, junto aos caminhos. Desta forma, evita-se a escorrência das águas nos caminhos, frequentemente causadora de fenómenos erosivos. Revelaram-se muito eficaz como medida preventiva da erosão e promovem a infiltração das águas de chuva no solo.
Na área na parte meridional da propriedade, onde se vai executar a segunda fase do projeto de reflorestação, foram identificadas várias manchas e bosquetes com sobreiros, que serão alvo de medidas de proteção especial, por forma a salvaguardá-las.
Conforme previsto no projeto aprovado pela AFN, estão a ser implementada várias faixas de descontinuidade, que acompanham zonas de escorrência e linhas de água efémeras. Estas faixas irão constituir futuramente corredores ecológicos com uma vegetação natural que compartimentará as plantações de eucalipto circundantes.
Um caminho existente junto da linha de água foi encerrada, com o objetivo de evitar perturbação do corredor que virá desenvolver-se no local.
10 de janeiro de 2012
O que fazer?
Numa propriedade nossa no Cartaxo há um carvalho cerquinho de grande porte. Mesmo muito grande, como se pode ver na imagem abaixo.
Sobreviveu a diferentes repúblicas, regimes, revoltas e revoluções. Terá mais de cem anos, seguramente.
Mas alguém achou que o fim mais digno desta árvore era a sua lareira, e resolveu cortar o câmbio da árvore com uma motosserra, com o intuíto de a fazer secar e, presumemos nós, depois cortar para lenha.
Os sinais estão a vista...
E depois de ter visto isso, uma pessoa questiona-se: o que fazer para evitar isso?
Sobreviveu a diferentes repúblicas, regimes, revoltas e revoluções. Terá mais de cem anos, seguramente.
Mas alguém achou que o fim mais digno desta árvore era a sua lareira, e resolveu cortar o câmbio da árvore com uma motosserra, com o intuíto de a fazer secar e, presumemos nós, depois cortar para lenha.
Os sinais estão a vista...
E depois de ter visto isso, uma pessoa questiona-se: o que fazer para evitar isso?
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