19 de fevereiro de 2012

Inverno no viveiro


O inverno tem sido muito frio. O viveiro, onde a Altri produz as plantas para as suas florestações, tem um sistema de proteção, que consiste em regar as jovens plantas quando a temporatura baixa muito.  


O resultado é a formação de uma camada de gelo que protege o tecido vegetal de temperaturas muito baixas, o congelamento do interior da células e o consequente rompimento das paredes celulares por força do aumento volumétrico do líquido. Por incrível que pareça, as plantas saem salvos desta fase "criogénica".

Para além do efeito protetivo, o efeito visual das plantas cobertas por espessas camadas de gelo é espetacular, remetendo-nos para um mundo imaginário polar.


16 de fevereiro de 2012

O Sobreiro do Touro Fernando

Quem gosta do que faz sabe como é difícil esquecer a profissão, mesmo nos momentos de lazer. Às vezes dou comigo a criticar uma série de televisão por aparecer uma árvore em local e época muito improváveis, ou então determinado filme de animação que insiste em dizer às crianças que o prato preferido dos pombos são minhocas e lagartas. Todavia, na minha última constatação do género fui bem mais condescendente na minha critica.

Há uns dias, via com a minha filha uma antiga curta da Disney intitulada "O Touro Fernando" (Ferdinand the Bull, 1938), que conta a história de um touro espanhol que, em vez de andar às marradas com os outros touros, preferia cheirar flores à sombra do seu sobreiro. Ora, é precisamente esta "cork tree" que é representada de uma forma muito peculiar, frutificando literalmente rolhas sobre o calmo Touro Fernando. Não interpretei este detalhe como sendo um erro, mas como um raro momento de fino humor florestal. Acreditei mesmo que tal coisa só poderia vir de algum colega que, por qualquer motivo, mudou a sua atividade para o ramo da animação.

Imagem retirada daqui

13 de fevereiro de 2012

Seminário Gorgulho do Eucalipto


O coleóptero Gonipterus platensis é um dos insectos fitófagos do eucalipto com maior importância económica a nível mundial, pelos prejuízos intensos que tem provocado, nos vários locais onde está presente.

Foto: Ana Reis - Altri Florestal
Em Portugal, os maiores ataques têm sido observados no norte e centro do país, particularmente em eucaliptais instalados em zonas de altitude acima dos 400m. É um insecto desfolheador que se alimenta de folhagem recente, tanto no estado de larva como no estado adulto.

Nos próximos dias 8 e 9 de Março a Altri Florestal organiza em conjunto com a AFN, a DGADR, o INRB e o RAIZ duas ações de sensibilização para produtores florestais e técnicos interessados no problema do gorgulho do eucalipto, nos meios de luta e nas áreas de investigação.

Os seminários irão decorrer no dia 8 de Março na Estação Vitivinicola da Bairrada em Anadia e no dia 9 no COTF na Lousã. Junto segue o respetivo programa e ficha de inscrição


9 de fevereiro de 2012

CEFCO Project European Workshop

Breve exposição sobre o modelo de gestão das áreas de produção
No dia 7 de Fevereiro recebemos a visita numa das nossas propriedades dos participantes no Worshop Internacional do Projeto Europeu - CEFCO organizado pelo FSC Portugal em colaboração com a ANEFA e a NEPCon.

A propriedade visitada foi a Fajarda (Coruche), onde foram apresentados vários aspetos da nossa gestão florestal, entre os quais:

- as diferentes técnicas de preparação de terreno nas áreas de produção de eucalipto;
- o programa de melhoramento genético, atividades de I&D e a instalação de ensaios (+ info);
 - a avaliação sobre o aproveitamento de biomassa florestal (+ info);
-  a avaliação de impactes in situ com base na interpretação de cartografia de solos e risco de erosão (+ info).
Apresentação das atividades de I&D com visita a um conjunto de ensaios  

Durante a visita foram colocadas várias questões sobre o modelo de gestão da Altri Florestal e como os sistemas de certificação florestal se mostraram determinantes para a melhoria das práticas de silvicultura e para um melhor conhecimento dos valores naturais existentes nas nossas matas.

Após a visita de campo seguiu-se um almoço de confraternização em Coruche onde se continuou o debate sobre estes e outros temas relacionados com a gestão florestal responsável.   
A troca de impressões e experiências entre todos os participantes foi para nós muito estimulante e revelou a necessidade de replicarmos estas ações num futuro próximo no sentido de divulgarmos as nossas práticas de gestão florestal.

4 de fevereiro de 2012

Eucalyptus nitens na neve



No dia 26 de janeira, a Direção de Produção realizou a sua reunião anual, esta vez em Tarouca. Visitou-se a propriedade Monte Mourisca, uma plantação recente de Eucalyptus nitens.

A propriedade situa-se entre 900 e 1000 metros de altitude e o Eucalyptus nitens mostra a sua grande aptidão para o clima montana, com excelentes crescimentos e elevada resistância ao frio como se pode ver na imagem acima, tirada em dezembro de 2010.

As produtividades esperadas situam-se entre as 200 e 250 m3cc/ha, proporcionando desta forma uma cultura rentável e com elevada capacidade de criação de valor.


No fim da visita registou-se o momento para memória futura, em que a equipa da DP se posiciona junto a uma plantação que irá fazer somente 3 anos na próxima primavera. É caso para dizer: que grande equipa!

Henk Feith

27 de janeiro de 2012

Plataforma para rapinas

Esta semana foi colocada a segunda plataforma para rapinas na nossa propriedade Galisteu, no Parque Natural do Tejo Internacional.


O trabalho de colocação foi realizado pelo Carlos Pacheco e Rui Caratão.

A árvore escolhida insere-se numa mancha que irá ser excluída do corte do restante povoamento, formando um bosque dedicado à possibilidade de um local de reprodução de uma rapina de maior porte, mais provavelmente uma águia de Bonelli (mas pode haver surpresas maiores!).



A mancha encontra-se a meio de uma encosta virada a norte, garantido condições de longevidade das árvores devido à maior humidade do sítio e excelentes condições de entrada e saida das aves em voo.

A colocação da plataforma só pode ser feita por pessoas qualificadas, como é o caso do Carlos Pacheco, com ampla experiência neste tipo de trabalhos. Eis uma imagem da subida do Carlos à copa da árvore.


Chegado ao topo da árvore, o Carlos inicia a colocação da estrutura metálica que irá suportar o ninho artificial.



Depois da estrutura segue o enchimento dela com ramos e folhas.


O resultado final é um convite a uma águia de Bonelli para ocupar um T0 com vista para o Tejo Internacional! Seria de estranhar se não houvesse uma para aproveitar do convite e ocupar o ninho.


Estaremos nós para esperar pela boa notícia da sua ocupação. E que, seguramente, será divulgada aqui.

14 de janeiro de 2012

Notas de Vale Mouro III

Durante o outono foram implementadas várias medidas preventivas no Vale Mouro.

Foram construídas várias caixas de retenção das águas pluviais, junto aos caminhos. Desta forma, evita-se a escorrência das águas nos caminhos, frequentemente causadora de fenómenos erosivos. Revelaram-se muito eficaz como medida preventiva da erosão e promovem a infiltração das águas de chuva no solo.

Na área na parte meridional da propriedade, onde se vai executar a segunda fase do projeto de reflorestação, foram identificadas várias manchas e bosquetes com sobreiros, que serão alvo de medidas de proteção especial, por forma a salvaguardá-las.

Conforme previsto no projeto aprovado pela AFN, estão a ser implementada várias faixas de descontinuidade, que acompanham zonas de escorrência e linhas de água efémeras. Estas faixas irão constituir futuramente corredores ecológicos com uma vegetação natural que compartimentará as plantações de eucalipto circundantes.
Um caminho existente junto da linha de água foi encerrada, com o objetivo de evitar perturbação do corredor que virá desenvolver-se no local.

10 de janeiro de 2012

O que fazer?

Numa propriedade nossa no Cartaxo há um carvalho cerquinho de grande porte. Mesmo muito grande, como se pode ver na imagem abaixo.


Sobreviveu a diferentes repúblicas, regimes, revoltas e revoluções. Terá mais de cem anos, seguramente.

Mas alguém achou que o fim mais digno desta árvore era a sua lareira, e resolveu cortar o câmbio da árvore com uma motosserra, com o intuíto de a fazer secar e, presumemos nós, depois cortar para lenha.

Os sinais estão a vista...



E depois de ter visto isso, uma pessoa questiona-se: o que fazer para evitar isso?

4 de janeiro de 2012

Interpretação de Cartas de Solos

Podemos dizer que são poucos os que tratam os solos pelo seu “nome próprio”. Muitos produtores agrícolas ou florestais experientes poderão não conhecer a correta designação do solo de que dispõem, embora conheçam bastante bem as capacidades e as limitações do mesmo. Todos concordarão que é preferível assim que o inverso. Porém, mesmo com alguma experiência, é difícil conhecer rapidamente e com algum rigor as características essenciais dos solos presentes em áreas extensas ou de aquisição recente. Nestes casos, poderá ser muito vantajosa a utilização de uma carta de solos.

Todavia, para uma correta interpretação destas cartas é requerido um bom conhecimento da classificação utilizada e das características morfológicas associadas a cada tipo de solo. Por esta razão, para interpretação da Carta de Solos de Portugal (SROA), a Altri Florestal adotou recentemente a metodologia proposta pelo Prof. Gonçalves Ferreira (FERREIRA et al, 2001), que, embora em fase de utilização inicial na empresa, tem revelado uma boa aproximação à realidade. Na prática, foi implementado um algoritmo em SIG que determina a característica-diagnóstico mais limitante de cada complexo de solos, através da seleção da característica mais limitante à aptidão florestal ou da característica do solo principal, caso um solo seja significativamente mais representado no complexo.

Carta de solos com classificação SROA e carta de solos interpretada

Este trabalho foi realizado para todas as propriedades geridas pela Altri Florestal abrangidas por folhas da Carta de Solos de Portugal (1/25000), o que se traduz numa cobertura de cerca de 75% da nossa área de gestão. Maiores desafios se colocam com a interpretação dos solos da restante área de gestão, coberta com outros tipos de carta de solos ou mesmo sem este tipo de cartografia. De qualquer forma, temos já algumas ideias interessantes para resolver este problema, que prometemos partilhar, logo que chegarmos a resultados interessantes.

23 de novembro de 2011

Workshop Projetos de Florestação

No dia 2 de Novembro realizou-se no Centro de Investigação e Desenvolvimento da Altri Florestal (Furadouro -Óbidos) um encontro técnico dedicado ao tema dos projetos de florestação.

Centro de I&D Altri Florestal - Quinta do Furadouro - Óbidos
Foram abordados de uma forma aberta e descomplexada vários temas relacionados com os projetos de florestação, nomeadamente, os projetos de florestação com eucalipto. Debateram-se entre outros, os desafios do melhoramento genético do eucalipto, os impactes da exploração de biomassa, os serviços do ecossistema (biodiversidade), a engenharia natural e a utilização de socalcos como técnica de preparação de terreno.

Este último tema (socalcos) foi apresentado e discutido numa mesa redonda moderada por Nuno Calado, em representação do FSC Portugal, onde estiveram presentes:
- Alfredo Gonçalves Ferreira (Univ. Évora)
- Luis Quinta Nova (IPCB)
- Paulo Maio (IberFlorestal)
- Eugénio Sequeira (LPN)
- Domingos Patacho (Quercus)
- João Pinho (AFN)
Mesa Redonda - Socalcos - Boas Práticas
As apresentações do workshop estão dísponiveis aqui:
 1- 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8

Após o almoço todos forma convidados a conhecer mais de perto algumas das atividades de investigação da área de I&D da Altri Florestal, com uma visita aos viveiros, pomares de semente melhorada e aos laboratórios de investigação em pragas e doenças.  
  
Visita aos viveiros de I&D