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21 de janeiro de 2014

Silvicultura do eucalipto - preparação de terreno e plantação

Reflorestação de Mestrinha - Figueiró-dos-Vinhos

São nos dirigidas com frequência perguntas práticas sobre a silvicultura do eucalipto e as melhores práticas nas diferentes operações florestais, como por exemplo nos comentários a este post.

É com muito gosto e com o sentido de contribuir para uma boa gestão florestal também fora das nossas áreas que respondemos a estes pedidos.

Desta forma, segue aqui uma descrição sucinta da nossa visão sobre uma boa preparação de terreno e plantação, operação fundamental para ter sucesso na produção pretendida. Esta informação está também disponível em formato PDF, na área das Publicações Altri Florestal, no lado direito do nosso blogue.


Planeamento da florestação
Antes de iniciar uma florestação, informe-se sobre os aspetos legais a cumprir. Fale com a sua associação de produtores florestais ou entre em contacto com a Altri Florestal para apoio neste aspeto.

Elabore um projeto de florestação que define claramente como os diferentes trabalhos devem ser executados, quais as áreas a trabalhar e que medidas de segurança e ambientais devem ser cumpridas.

Explique exaustivamente os trabalhos aos operadores das máquinas antes do seu início, quais os cuidados de segurança e ambientais a ter e acompanhe o decorrer dos trabalhos o melhor possível. Exija o cumprimento das obrigações sociais e laborais do empreiteiro que irá trabalhar para si.

Como dono da obra, é responsável sobre ela e será chamado a responder perante eventuais incumprimentos legais, sociais e ambientais!


Preparação do terreno
A preparação do terreno visa criar condições para um desenvolvimento favorável do sistema radicular das plantas.

Evite sempre a mobilização do solo “à cava”, que, além de muito onerosa, resulta na inversão dos horizontes do solo e no enterramento de matéria orgânica a profundidade.

As operações de preparação do terreno não devem ser feitas quando o solo tem uma humidade excessiva, para evitar a compactação ou erosão do solo.

As toiças devem ser destroçadas, recorrendo a alfaias do tipo “Enxó”. Para melhorar a qualidade do solo, os fragmentos das toiças, a vegetação rasteira existente e os resíduos vegetais deverão ser incorporados, utilizando-se para este efeito grades de disco.

Depois da gradagem, o terreno deve ser ripado em curva de nível, em declives superiores a 5%. A ripagem deverá mobilizar o solo a uma profundidade recomendada de 70 cm, com 1 a 3 dentes, conforme o grau de compactação do solo.

 

Construção de socalcos

Em encostas com declives superiores a 25%, recomenda-se a construção de socalcos.
 
Os socalcos devem ser construídos para garantir a mecanização total da exploração, necessitando para isso de uma largura de pelo menos 3,5 metros bem como a ligação entre eles, uma inclinação lateral para o interior de cerca de 2% e longitudinal de cerca de 2%.
 
Escolha da planta
Antes de comprar as plantas, informe-se bem sobre o tipo de plantas disponível nos viveiros florestais. Deverá escolher a planta conforme as características do solo e os fatores limitantes que se verifiquem no local, por exemplo pragas e doenças, ocorrência de geadas ou secura estival severa.
 
Plantação
Assegura o bom estado vegetativo das plantas antes de as plantar: o sucesso da sua plantação depende delas! Após a sua receção e até ao momento da sua utilização as plantas devem ser objeto dos seguintes cuidados:
· Protegidas de geadas e outras intempéries.
· Serem regadas sempre que necessário.
· Serem eliminadas aquelas que entretanto sofreram danos irrecuperáveis.
A plantação deve ser realizada quando o solo estiver com teores de humidade adequados.
A plantação deve ser realizada nos sulcos abertos pelo ripper, que são as zonas mais descompactadas e melhor arejadas.
As plantas devem ser colocadas no terreno, na vertical, evitando danificar as raízes. O torrão deve ficar coberto de terra, devendo o solo envolvente ser levemente compactado para evitar a formação de bolsas de ar.
 
Adubação
A adubação no momento da plantação é fundamental para um bom arranque delas.
Escolhe um adubo adequado, podendo optar por 30 g de adubo de libertação lenta ou 200 g de um adubo trenário de composição adequada (por exemplo NPK 8:24:8), ou uma combinação dos dois adubos
O adubo deverá ser enterrado, evitando um contato direto entre o adubo e as raízes da planta.
 
Tratamentos culturais iniciais
Uma das principais causas de insucesso de plantações é a competição pela vegetação espontânea.
Por isso recomenda-se a realização dos tratamentos culturais como sachas, amontoas e controlo da vegetação através de gradagens superficiais ou controlo químico.
Caso se verifique uma mortalidade inicial superior a 10%, deve ser proceder à retancha da área de plantação, nunca deixando passar mais de 6 meses entre a plantação e a retancha.
 
Cuidados ambientais
Os motoristas e operadores devem garantir que as máquinas e os equipamentos se encontram em boas condições de operação e que não existem fugas de derivados de petróleo.
As linhas de água com água corrente devem ser atravessadas em locais de solo firme ou quando existam estruturas para o efeito.
Nas áreas de proteção deve ser evitada a circulação de máquinas e equipamentos.
Caso se de presença de sobreiros e azinheiras, deve ser respeitada a zona de proteção às árvores destas espécies protegidas.
 
Florestações — conclusões 
  • Cumpre a legislação em vigor
  • Planeie a florestação com cuidado
  • Elabore um projeto detalhado
  • Escolhe o tipo de planta mais adequado
  • Acompanhe a realização da obra sempre que possível
  • Prepare o terreno tecnicamente correto e ambientalmente responsável
  • Adube as plantas à plantação
  • Controle a vegetação herbácea
  • Zele pelo cumprimento das boas práticas de segurança e ambiente

4 de junho de 2013

Visita a plantações recentes de eucalipto no Médio Tejo



Eng.º Borges junto a uma plantação de 3 anos do clone AC58 - Nova Austrália 
A Direção de Produção teve esta semana o privilégio de receber o Eng.º Borges de Oliveira, administrador do grupo Altri, para uma visita a várias plantações recentes na região florestal Médio Tejo.

O objetivo era mostrar os resultados dos investimentos em florestações realizados desde 2010, com especial atenção para o empenho produtivo dos diferentes materiais genéticos utilizados nelas.

A visita decorreu num ambiente descontraído e tempo agradável, permitindo informar o Eng.º Borges sobre as particularidades dos trabalhos realizados, como as opções na preparação do terreno e a escolha do material genético em cada um dos projetos.

Eng.ª Clara Araújo explica a escolha do material genético - Nova Austrália

Ensaio de proveniências genéticas - Coelheira

Na propriedade Coelheira visitámos o ensaio de proveniências, onde estão foram plantadas grande parte dos principais materiais genéticos produzidos pela Altri Florestal. O ensaio permite comparar a fenologia e empenho desses materiais, informação essencial no momento da escolha para projetos concretos.

Dr. Ferreira Matos junto a uma plantação de 2 anos do cruzamento controlado VR1014 - 593, Trabanda


Casal Ventoso - AC58 - 3 anos. Que orgulho!


YG15 - 2 anos - Arripiado

A visita terminou na propriedade Arripiado, onde há um plano de reflorestação em curso há vários anos e onde foi possível observar o empenho dos diferentes materiais em diferentes condições de crescimento.

No fim, o Eng.º Borges nos desafiou de organizar futuras visitas florestais com regularidade sobre os mais diversos temas relacionados com a gestão florestal, desafio esse que aceitamos com agrado e satisfação.

13 de abril de 2013

Produzir é preciso - editorial newsletter Floresta Altri


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Portugal  atravessa um período de grande recessão económica e encontra-se no meio de uma crise que ultrapassa a dimensão do nosso país. As notícias socio-económicas falam-nos de falências, desemprego e quebras bruscas no poder de compra dos cidadãos.

Se há consenso, é sobre a necessidade imperiosa de aumentar a produtividade da economia Portuguesa, de re-equilibrar a balança comercial com o exterior e de criar valor a partir de recursos naturais endógenos ao nosso dispor.

A fileira de pasta e papel encaixa na perfeição nesta necessidade. Temos em Portugal espaços florestais abundantes para produzir a matéria prima para a indústria, temos produtores florestais disponíveis para investir na produção e proteção florestal, temos centros de investigação capacitados para encontrar soluções para os desafios que a floresta nos coloca, temos unidades fabris das mais competitivas do mundo e temos um produto de excelência, procurado pelos lideres mundiais dos sectores de papel de escrita e “tissue”.

A fileira Portuguesa de pasta e papel tem margem para crescer, para produzir e vender mais, para aumentar a sua criação de riqueza. No entanto, é do lado da oferta da matéria prima da indústria que encontramos o principal entrave ao crescimento da fileira. É urgente olhar para a produção florestal nacional e para as formas de a aumentar.

O dados do VI Inventário Florestal Nacional revelam um crescimento modesto da área de eucalipto em Portugal.  No entanto, a sua produtividade é bastante inferior à que potencialmente poderia ocorrer. O eucaliptal Português encontra-se envelhecido, mal ordenado e subaproveitado. As densidades são baixas e por consequência as produtividades também.

As reflorestações são não só urgentes como possíveis. As pragas e doenças obrigam a explorar novos materiais genéticos que começam a estar disponíveis. Temos os agentes da fileira disponíveis para investir ou para apoiar quem quer investir. Portugal tem condições para produzir muito mais e pode reduzir em muito a necessidade da indústria de complementar a oferta nacional de madeira com madeira importada.

A renovação do eucaliptal Português merece ser um desígnio nacional. É uma oportunidade de modernizar os sistemas florestais, de adequá-los às exigências do futuro, não só em termos de produtividade mas também em termos de sustentabilidade social e ambiental, com fomento de emprego e de promoção da biodiversidade, permitindo a sua valorização através da certificação florestal. Apesar da área certificada ter vindo a aumentar, o seu crescimento está muito aquém do desejável, pelo que deve ser uma aposta de todos os agentes. Há dificuldades crescentes de colocação da pasta não certificada o que pode perigar a competitividade da nossa fileira

O licenciamento das florestações conta atualmente com o envolvimento de diversas entidades públicas, em vez de estar nas mãos da única autoridade nacional vocacionada para o efeito, o ICNF. O proprietário florestal que procura cumprir a legislação em vigor, sujeita-se a um processo demorado e incompreensivelmente complexo. Este processo constitui um obstáculo considerável ao investimento e à renovação e modernização do eucaliptal Português e necessita urgentemente de ser simplificado.

A produtividade do eucaliptal não se resolve só com a sua renovação. É fundamental unir esforços no controlo das ameaças como os fogos florestais e atualmente a principal praga, o gorgulho do eucalipto. Mas também a realização das medidas silvícolas como fertilizações, controlo de infestantes e seleção de varas são fundamentais para aumentar a produção e rentabilidade. Se juntarmos a esses esforços um crescimento responsável da área de eucalipto em Portugal, a nossa indústria de pasta e papel pode continuar a contribuir para a riqueza e crescimento económico durante largas décadas.

A fileira de pasta e papel pode e deve desempenhar um papel essencial na recuperação da economia e do bem-estar das empresas e famílias Portuguesas.