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5 de julho de 2014

Plantar eucaliptos na Suiça ou a má fama deles

Floresta suíça
Mudei de casa recentemente. Um dos colaboradores da empresa de mudanças, algures no meio dos trabalhos, perguntou qual era a minha profissão.
"Engenheiro florestal" respondi.
Ele riu-se um pouco. Estranhei e, para enquadrar melhor, acrescentei que trabalhava para a indústria de celulose.
"Isto é dos eucaliptos?" indagou com rapidez.
Nem tive tempo de responder.
"Ah, essas árvores são muito más! O que é bom é plantar carvalhos e sobreiros! Devem plantar carvalhos e sobreiros."
A minha experiência nestas situações ensinou-me que é bom manter uma certa calma.
"Olhe - respondi - concordo consigo que é importante haver também carvalhos e sobreiros."
Ele não se deixou desviar e continuou: "Fazem muito mal essas árvores! Vão mas é plantar eucaliptos na Suíça!"
Mantive a minha calma: "Não dá, faz muito frio na Suíça. Os eucaliptos não suportam esse frio."
"Estados Unidos!" O homem era determinado. "Vão plantar nos Estados Unidos!"
A minha resposta foi no mesmo sentido. O meu interlocutor não ficou muito impressionado e lá voltou ao trabalho de trazer as minhas coisas da camioneta.
Fiquei a pensar sobre o que aconteceu. Estou habituado a ter de responder perante críticas ao eucalipto, de pessoas normalmente tão convencidas como mal-informadas sobre a cultura do eucalipto e seus impactos ambientais e sociais. Decidi não deixar o assunto cair.
No fim das mudanças conversámos um pouco, e disse-lhe estar surpreendido com tão firme opinião sobre os eucaliptos. Ele voltou a sorrir e apercebi-me que já não estava tão empolgado como antes. Disse-lhe que, da próxima vez que fosse à casa de banho e usasse papel higiénico, devia pensar um pouco donde vinha esse papel.
O colega desse homem juntou-se à conversa: "Ah, é de eucaliptos que é feito o papel higiénico?"
"Sim - respondi - tal como muitos outros produtos que usamos todos os dias."
"Então, mas acha mesmo que eles não fazem mal?"
"Acho. Sabe, o que faz mal são eucaliptais mal geridos. Esses sim, fazem mal. Tal como plantações mal geridas de outras espécies, como carvalhos e sobreiros."
O primeiro homem olhou para mim e disse-me: "Olhe, plantei este ano sete eucaliptos!"
Incrédulo, perguntei-lhe: "Então afinal também planta eucaliptos?"
"Sim. A minha ideia é de plantar todos os anos 7 eucaliptos num terreno que eu tenho. Assim, daqui a poucos anos, vou ter todos os anos uns eucaliptos para cortar e que me vão dar lenha para a lareira!"
"Pois - respondi - o eucalipto também dá boa lenha."
"O eucalipto tem mas é muita má fama, não tem?" comentou o segundo homem.
"É verdade - concordei - tem de facto má fama. Foram cometidos erros no passado com a plantação de eucaliptos, e ficou a ideia da árvore malévola na cabeça de muita gente."
"É como os polícias! - disse o primeiro - também têm má fama sem razão! Sabe, sou polícia reformado e sei o que é isso da má fama. Os polícias são bons, precisamos deles e mesmo assim têm má fama!"
"Então é um pouco como os eucaliptos." respondi em tom de conclusão.
Despedimo-nos com um sorriso rasgado.

28 de fevereiro de 2014

Envolvimento de partes interessadas - um caso prático

Ninho de águia-calçada com duas crias, no eucaliptal da Altri Florestal (2013)

Envolvimento de Partes Interessadas. Está na moda, sem dúvida. Conforme a versão inglesa da Wikipedia, trata-se de: "Stakeholder engagement is the process by which an organisation involves people who may be affected by the decisions it makes or can influence the implementation of its decisions. (...) Companies engage their stakeholders in dialogue to find out what social and environmental issues matter most to them about their performance in order to improve decision-making and accountability."

A floresta é um espaço natural complexo e multifacetado, em que o nosso conhecimento é sempre limitado. Por esse motivo, temos vindo a colaborar com várias especialistas em diversas áreas de conhecimento, por iniciativa e necessidade nossa.

Ao mesmo tempo, acontece que somos contactados por pessoas que visitam as nossas áreas florestais, e que nos colocam as mais diversas questões, frequentemente motivados por preocupações reais, que procuramos atender e incorporar na nossa gestão.

Muitas vezes, estas pessoas têm conhecimento de valores e ativos naturais desconhecidos por nós e o nosso envolvimento com essas pessoas acaba por trazer benefícios para a gestão florestal, incorporando parte desse conhecimento.

Um bom exemplo é o nosso envolvimento com observadores de aves, que nos informam sobre áreas de reprodução, nomeadamente de rapinas florestais, espécies bastante sensíveis a perturbação do processo de nidificação por operações florestais.

Na semana passada, voltamos a visitar um povoamento de eucaliptos em Constância com Nuno Mota, um observador de aves que se especializou na localização e proteção de ninhos de rapinas florestais na região de Médio Tejo e com o qual a Altri Florestal tem mantido uma colaboração regular já há algum tempo. O povoamento está no plano de cortes deste ano, e era sabido que no seu interior há várias espécies de rapinas a nidificar: açor, águia-calçada, gavião e água de asa redonda.

Na visita foi avaliada a ocupação dos locais de nidificação conhecidos no povoamento, e esse resultado foi posteriormente incorporado no planeamento do corte. Desta forma é possível evitar perturbação dos processos de nidificação destas aves, tão emblemáticas dos nossos eucaliptais.

É através deste envolvimento que a Altri Florestal consegue melhorar a sua gestão florestal, conciliando os objetivos de produção de madeira com a salvaguarda dos valores naturais presentes nos nossos eucaliptais.

4 de abril de 2013

Avaliação de Impactes Ambientais e Sociais

Uma das atividades que decorre previamente a uma obra de exploração florestal é a avaliação dos impactes ambientais e sociais da atividade nos valores naturais presentes e nas comunidades adjacentes.

Em Lamego, uma propriedade gerida pela Altri Florestal consegue conciliar, eu diria, o melhor dos dois mundos, isto é, produtividades na produção de rolaria de eucalipto (Eucalyptus nitens) bastante acima da média e a presença de valores naturais únicos.


Rio Balsemão

A avaliação de impactes da exploração florestal foi realizada com o envolvimento do fornecedor de serviços (corte e rechega) e do responsável da AF pelo acompanhamento da obra.
Com esta medida pretende-se salvaguardar as duas galerias ripícolas (Rio Balsemão e ribeira afluente), onde ocorrem o maior número de espécies e habitats.
Durante a avaliação, os aspetos sociais também foram abordados, e foi decidido uma alternativa de saída da madeira que evita a passagem junto de habitações e de passagens estreitas com muros e sebes.

31 de maio de 2012

Depósito combustível móvel - bom exemplo

A Altri Florestal tem apelado os seus fornecedores de serviços de substituir os tradicionais bidons de combustível por depósitos homologados para o efeito. Tem-se verificado uma resposta positiva por muitos fornecedores, evidenciando o seu empenho na redução de riscos ambientais relacionados com as operações florestais.

Hoje, numa visita de campo a uma operação de corte no Vale Mouro, a empresa TimberTejo mostrou a sua solução, que passa por uma carrinha de caixa fechada, equipada com um depósito homologado de 200 litros:

Depósito de lado esquerdo
Também os restantes produtos e equipamentos são armazenados de forma organizada, garantindo condições de segurança e boa utilização.
Bomba com mangueira e agulheta
  Todo o equipamento cabe numa carrinha decaixa fechada, mantendo os produtos e equipamentos abrigados do sol e chuva, em condições de segurança e limpeza.
Carrinha de suporte às operações florestais

É caso para dizer: um bom exemplo!


Henk Feith