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20 de fevereiro de 2014

Fertilização do eucalipto

Que adubos utilizar, quanto, quando, de que modo aplicar e se vale a pena fertilizar  as plantações de eucalipto, são as questões mais frequentes da grande maioria dos produtores florestais.

Não existem dúvidas sobre a importância de uma boa fertilização para o sucesso das plantações e para a garantia da produção lenhosa e rentabilidade do investimento. As respostas às questões referidas, dependem do caso concreto, do potencial do material genético, das condições de solo e clima, da disponibilidade de água no período de crescimento e da gestão da plantação, nomeadamente no que respeita ao controle de infestantes.

Uma abordagem expedita que a Altri Florestal utiliza é a que consta no folheto de Fertilização que pode descarregar neste blogue. Usamos também um modelo de apoio à fertilização, que considera o balanço de nutrientes, ou seja a diferença entre o que o povoamento necessita ao longo da sua vida, considerando a reciclagem,  e a quantidade que o solo teoricamente tem capacidade para fornecer.

A tabela seguinte serve de orientação à recomendação de fertilização para os primeiros 4-5anos anos da plantação de eucalipto, mas deve ser utilizada com a informação de análise de solos e monitorização do desenvolvimento da plantação:

Volume
(m3/ha)
Adubação a repartir em várias aplicações
N
P2O5
K2O
B
(kg/ha)
120
60
60
50
2,8
180
80
60
60
3,5
240
100
75
75
4

Adubação de instalação (à plantação, de fundo)
 A adubação de instalação é essencialmente à base de fósforo, sendo menos rica em azoto, podendo optar-se por:
1)  Adubo de libertação lenta (30g/planta) no fundo da cova e Superfosfato 18% (150 a 200g/planta) em duas covas laterais.
2)  Adubo NPK tradicional, 1:3:1 ou 1:5:1 (150 a 200g/planta), em duas covas laterais, no momento da plantação ou uma semana após a plantação. Com esta adubação deve ser dada atenção à distância de colocação do adubo, que deve ser enterrado e distante cerca de 20cm da planta para que esta não sofra o risco de queima.
3) Combinação entre (1) e (2): adubo de libertação lenta (15 g), com a colocação à plantação, e adubo tradicional (150 g), algumas semanas depois, quando o período de plantação é muito reduzido.

Adubação de cobertura
Efetuada entre o 1º e 2º ano com adubo azotado, podendo também conter P2O5, K2O e B (150 a 200 kg de adubo tipo 20 unidades de N; 0 unidades de P2O5; e 0 unidades de K2O ou 20N; 10 P2O5 ,10 K2O com ou sem boro, ou similares). A aplicação deve ser na projeção da copa e incorporado no solo, por exemplo com uma gradagem posterior à adubação.

Entre o 3º e 5º ano, em geral é feita uma adubação com adubo azotado (por exemplo N22%), 180 a 250 kg/ha, contendo 1% de boro. A aplicação deve ser a lanço e incorporado no solo. Em solos mais pobres, esta adubação deverá ser repetida ao 7º ou 8º ano.

Os adubos, em geral fornecem cálcio e enxofre, elementos também muito importantes para o bom desenvolvimento das plantas.

Adubação da talhadia
Como o sistema radicular já instalado, a adubação é essencialmente à base de azoto, podendo adicionar-se outros nutrientes, tais como o boro. As quantidades a aplicar são semelhantes à 1ª rotação, sendo a 1ª adubação efetuada  em geral antes da  seleção de varas de modo a promover um bom desenvolvimento das toiças.

A importância da adubação de instalação é ilustrada pelas fotografias aqui apresentadas, tiradas em duas fases de desenvolvimento do povoamento, localizado numa região com precipitação média de cerca de 1900mm e com solo profundo e rico em matéria orgânica.



Fotografia 1 – Plantação com 3 meses de idade.   A linha do meio não foi adubada 
Fotografia 2 - As mesmas linhas de plantação da Fotografia 1, ao 3º ano


 Fotografia  da esquerda sem adubação à plantação, apresentando deficiências nutritivas e fraco crescimento; fotografia da direira- plantas adubadas à plantação, apresentando-se com vigor e excelente crescimento.

Após 3 anos de idade,  as plantas não recuperaram da falta de adubação tendo ficado dominadas, com sinais evidentes de deficiência de nutrientes e da competição exercida pelas plantas adubadas.

Assim, podemos concluir, que mesmo em solos ricos em matéria orgânica, a adubação de fundo, à plantação, é essencial para o desenvolvimento homogéneo e equilibrado das plantações de eucalipto, não só por impulsionar o crescimento inicial das raízes, fundamental para a colonização do solo e assim aproveitar melhor os recursos de água e nutrientes, como também contribui para o desenvolvimento de folhas que captam a fonte de energia para produção. Uma boa adubação tem ainda o efeito de aumentar a sobrevivência das jovens plantas, contribuindo para a homogeneidade do povoamento e domínio das infestantes. 

De facto, um outro fator muito importante a considerar, é o controlo das ervas daninhas durante pelo menos o primeiro ano de vida do povoamento.  

A fertilização com os nutrientes adequados tem também efeito benéfico contra pragas, doenças e stresse abiótico, como secura e frio.


28 de janeiro de 2014

Projetos de (re) arborização

1º pedido de autorização- projeto aprovado!

Depois de um período de adaptação ao novo processo, que envolveu visitas de campo, reuniões e diversos contactos com colegas do ICNF e de outras empresas, foi com muita satisfação que recebemos hoje a aprovação do primeiro projeto submetido ao ICNF, segundo o novo enquadramento legislativo. Queremos deixar aqui o nosso testemunho e agradecer a disponibilidade dos colegas do ICNF para o esclarecimento de dúvidas e apoio no preenchimento dos formulários. 

Do ponto de vista do investidor e técnico responsável, elegemos os seguintes aspetos positivos do novo processo de submissão de projetos:
  •  Construção do projeto segundo um modelo pré-definido, permite objetivar as ações e seguir os requisitos legais a obedecer.
  • A informatização e a apresentação on-line do projeto e respetivas peças gráficas, permitem a entrega a qualquer hora e dia, poupando tempo aos interessados. Ao mesmo tempo, esta possibilidade não impede o contacto com os técnicos responsáveis do ICNF e o esclarecimento de dúvidas.
  • A plataforma on-line permite fazer o seguimento e informa sobre o número do processo.

Este novo processo de submissão de projetos, tem ainda o aspeto positivo de permitir o tratamento atempado da informação pela entidade responsável (ICNF), que a disponibiliza em forma de indicadores que informam sobre a cultura, dimensão e regiões de possíveis investimentos em plantações florestais.
O primeiro relatório está disponível no sitio do ICNF:  http://www.icnf.pt/portal/florestas/arboriz/princip-indic
e uma sintese dos resultados foi publicada no jornal Público do dia 25 de Janeiro " Os primeiros meses da nova lei".

O contributo da Altri Florestal para os indicadores dos projetos submetidos ao ICNF, entre 17 de Outubro e 31 de Dezembro, em termos de número de pedidos de autorização representou cerca de 8% mas no que respeita a área de ações de (re) arborização, representou cerca de 25%.  




21 de janeiro de 2014

Silvicultura do eucalipto - preparação de terreno e plantação

Reflorestação de Mestrinha - Figueiró-dos-Vinhos

São nos dirigidas com frequência perguntas práticas sobre a silvicultura do eucalipto e as melhores práticas nas diferentes operações florestais, como por exemplo nos comentários a este post.

É com muito gosto e com o sentido de contribuir para uma boa gestão florestal também fora das nossas áreas que respondemos a estes pedidos.

Desta forma, segue aqui uma descrição sucinta da nossa visão sobre uma boa preparação de terreno e plantação, operação fundamental para ter sucesso na produção pretendida. Esta informação está também disponível em formato PDF, na área das Publicações Altri Florestal, no lado direito do nosso blogue.


Planeamento da florestação
Antes de iniciar uma florestação, informe-se sobre os aspetos legais a cumprir. Fale com a sua associação de produtores florestais ou entre em contacto com a Altri Florestal para apoio neste aspeto.

Elabore um projeto de florestação que define claramente como os diferentes trabalhos devem ser executados, quais as áreas a trabalhar e que medidas de segurança e ambientais devem ser cumpridas.

Explique exaustivamente os trabalhos aos operadores das máquinas antes do seu início, quais os cuidados de segurança e ambientais a ter e acompanhe o decorrer dos trabalhos o melhor possível. Exija o cumprimento das obrigações sociais e laborais do empreiteiro que irá trabalhar para si.

Como dono da obra, é responsável sobre ela e será chamado a responder perante eventuais incumprimentos legais, sociais e ambientais!


Preparação do terreno
A preparação do terreno visa criar condições para um desenvolvimento favorável do sistema radicular das plantas.

Evite sempre a mobilização do solo “à cava”, que, além de muito onerosa, resulta na inversão dos horizontes do solo e no enterramento de matéria orgânica a profundidade.

As operações de preparação do terreno não devem ser feitas quando o solo tem uma humidade excessiva, para evitar a compactação ou erosão do solo.

As toiças devem ser destroçadas, recorrendo a alfaias do tipo “Enxó”. Para melhorar a qualidade do solo, os fragmentos das toiças, a vegetação rasteira existente e os resíduos vegetais deverão ser incorporados, utilizando-se para este efeito grades de disco.

Depois da gradagem, o terreno deve ser ripado em curva de nível, em declives superiores a 5%. A ripagem deverá mobilizar o solo a uma profundidade recomendada de 70 cm, com 1 a 3 dentes, conforme o grau de compactação do solo.

 

Construção de socalcos

Em encostas com declives superiores a 25%, recomenda-se a construção de socalcos.
 
Os socalcos devem ser construídos para garantir a mecanização total da exploração, necessitando para isso de uma largura de pelo menos 3,5 metros bem como a ligação entre eles, uma inclinação lateral para o interior de cerca de 2% e longitudinal de cerca de 2%.
 
Escolha da planta
Antes de comprar as plantas, informe-se bem sobre o tipo de plantas disponível nos viveiros florestais. Deverá escolher a planta conforme as características do solo e os fatores limitantes que se verifiquem no local, por exemplo pragas e doenças, ocorrência de geadas ou secura estival severa.
 
Plantação
Assegura o bom estado vegetativo das plantas antes de as plantar: o sucesso da sua plantação depende delas! Após a sua receção e até ao momento da sua utilização as plantas devem ser objeto dos seguintes cuidados:
· Protegidas de geadas e outras intempéries.
· Serem regadas sempre que necessário.
· Serem eliminadas aquelas que entretanto sofreram danos irrecuperáveis.
A plantação deve ser realizada quando o solo estiver com teores de humidade adequados.
A plantação deve ser realizada nos sulcos abertos pelo ripper, que são as zonas mais descompactadas e melhor arejadas.
As plantas devem ser colocadas no terreno, na vertical, evitando danificar as raízes. O torrão deve ficar coberto de terra, devendo o solo envolvente ser levemente compactado para evitar a formação de bolsas de ar.
 
Adubação
A adubação no momento da plantação é fundamental para um bom arranque delas.
Escolhe um adubo adequado, podendo optar por 30 g de adubo de libertação lenta ou 200 g de um adubo trenário de composição adequada (por exemplo NPK 8:24:8), ou uma combinação dos dois adubos
O adubo deverá ser enterrado, evitando um contato direto entre o adubo e as raízes da planta.
 
Tratamentos culturais iniciais
Uma das principais causas de insucesso de plantações é a competição pela vegetação espontânea.
Por isso recomenda-se a realização dos tratamentos culturais como sachas, amontoas e controlo da vegetação através de gradagens superficiais ou controlo químico.
Caso se verifique uma mortalidade inicial superior a 10%, deve ser proceder à retancha da área de plantação, nunca deixando passar mais de 6 meses entre a plantação e a retancha.
 
Cuidados ambientais
Os motoristas e operadores devem garantir que as máquinas e os equipamentos se encontram em boas condições de operação e que não existem fugas de derivados de petróleo.
As linhas de água com água corrente devem ser atravessadas em locais de solo firme ou quando existam estruturas para o efeito.
Nas áreas de proteção deve ser evitada a circulação de máquinas e equipamentos.
Caso se de presença de sobreiros e azinheiras, deve ser respeitada a zona de proteção às árvores destas espécies protegidas.
 
Florestações — conclusões 
  • Cumpre a legislação em vigor
  • Planeie a florestação com cuidado
  • Elabore um projeto detalhado
  • Escolhe o tipo de planta mais adequado
  • Acompanhe a realização da obra sempre que possível
  • Prepare o terreno tecnicamente correto e ambientalmente responsável
  • Adube as plantas à plantação
  • Controle a vegetação herbácea
  • Zele pelo cumprimento das boas práticas de segurança e ambiente

4 de junho de 2013

Visita a plantações recentes de eucalipto no Médio Tejo



Eng.º Borges junto a uma plantação de 3 anos do clone AC58 - Nova Austrália 
A Direção de Produção teve esta semana o privilégio de receber o Eng.º Borges de Oliveira, administrador do grupo Altri, para uma visita a várias plantações recentes na região florestal Médio Tejo.

O objetivo era mostrar os resultados dos investimentos em florestações realizados desde 2010, com especial atenção para o empenho produtivo dos diferentes materiais genéticos utilizados nelas.

A visita decorreu num ambiente descontraído e tempo agradável, permitindo informar o Eng.º Borges sobre as particularidades dos trabalhos realizados, como as opções na preparação do terreno e a escolha do material genético em cada um dos projetos.

Eng.ª Clara Araújo explica a escolha do material genético - Nova Austrália

Ensaio de proveniências genéticas - Coelheira

Na propriedade Coelheira visitámos o ensaio de proveniências, onde estão foram plantadas grande parte dos principais materiais genéticos produzidos pela Altri Florestal. O ensaio permite comparar a fenologia e empenho desses materiais, informação essencial no momento da escolha para projetos concretos.

Dr. Ferreira Matos junto a uma plantação de 2 anos do cruzamento controlado VR1014 - 593, Trabanda


Casal Ventoso - AC58 - 3 anos. Que orgulho!


YG15 - 2 anos - Arripiado

A visita terminou na propriedade Arripiado, onde há um plano de reflorestação em curso há vários anos e onde foi possível observar o empenho dos diferentes materiais em diferentes condições de crescimento.

No fim, o Eng.º Borges nos desafiou de organizar futuras visitas florestais com regularidade sobre os mais diversos temas relacionados com a gestão florestal, desafio esse que aceitamos com agrado e satisfação.

23 de novembro de 2011

Workshop Projetos de Florestação

No dia 2 de Novembro realizou-se no Centro de Investigação e Desenvolvimento da Altri Florestal (Furadouro -Óbidos) um encontro técnico dedicado ao tema dos projetos de florestação.

Centro de I&D Altri Florestal - Quinta do Furadouro - Óbidos
Foram abordados de uma forma aberta e descomplexada vários temas relacionados com os projetos de florestação, nomeadamente, os projetos de florestação com eucalipto. Debateram-se entre outros, os desafios do melhoramento genético do eucalipto, os impactes da exploração de biomassa, os serviços do ecossistema (biodiversidade), a engenharia natural e a utilização de socalcos como técnica de preparação de terreno.

Este último tema (socalcos) foi apresentado e discutido numa mesa redonda moderada por Nuno Calado, em representação do FSC Portugal, onde estiveram presentes:
- Alfredo Gonçalves Ferreira (Univ. Évora)
- Luis Quinta Nova (IPCB)
- Paulo Maio (IberFlorestal)
- Eugénio Sequeira (LPN)
- Domingos Patacho (Quercus)
- João Pinho (AFN)
Mesa Redonda - Socalcos - Boas Práticas
As apresentações do workshop estão dísponiveis aqui:
 1- 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8

Após o almoço todos forma convidados a conhecer mais de perto algumas das atividades de investigação da área de I&D da Altri Florestal, com uma visita aos viveiros, pomares de semente melhorada e aos laboratórios de investigação em pragas e doenças.  
  
Visita aos viveiros de I&D




31 de maio de 2011

Visita a Mato de Alter

Foto obtida aqui. Hoje, num dia de campo dedicado à região florestal Alto Tejo, visitámos a propriedade Mato de Alter, perto de Alter do Chão. O objetivo da visita era avaliar o projeto de reflorestação em curso. No entanto, logo à entrada da área reflorestada, fomos surpreendidos pela presença de um casal de alcaravões, ave classificada como Vulnerável pelo IUCN e ameaçada no Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal. Esta ave nidifica em terrenos abertos e vegetação esparsa, aproveitando assim áreas recém florestadas para nidificar. Eis um bom exemplo de como florestações podem criar condições para a procriação de espécies ameaçadas, tal como se verifica com outras espécies ameaçadas como o chasco-ruivo e o noitibó-europeu e o noitibó-de-nuca-vermelha. No terreno foi possível observar os excelentes resultados obtidos nas plantações realizadas na primavera de 2009, com as melhores árvores, agora com dois anos, atingirem os cinco metros de altura. Neste caso foram utilizados clones especialmente adaptados às condições de crescimento típicos da região, caracterizadas por verões quentes e secos e invernos frios. Estes resultados alimentam elevadas perspetivas para as futuras florestações a realizar na propriedade.

4 de maio de 2011

Abril águas mil

Com as abundantes chuvas da segunda quinzena de abril, o surgimento em força da vegetação herbácea verificada era de esperar nas áreas recém plantadas.
As fotos mostram bem a concorrência que esta vegetação espontânea faz com as plantas de eucalipto e o seu controlo é fundamental para o sucesso da plantação. Na foto acima, observa-se o efeito da gradagem na entrelinha, que deverá ser acompanhada de uma sacha à volta das plantas para o controlo da vegetação na linha de plantação (ainda não efetuada neste caso).
Com o desenvolvimento das árvores e consequente ensombramento da vegetação espontânea, o problema da concorrência vai-se reduzindo. No entanto, o desenvolvimento do subbosque deverá ser acompanhado ao longo da rotação e controlado sempre que proporcione um fator de concorrência por água e nutrientes com o povoamento principal, nomeadamente em regiões onde esses são fatores limitantes para o crescimento das árvores.
Henk Feith