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21 de maio de 2013

Atividade Pé na Terra - Charcos com Vida

A Altri Florestal vai realizar uma atividade de monitorização da biodiversidade na propriedade Vale Mouro, na Azambuja, no próximo sábado, dia 25 de Maio. A atividade consiste na construção de um novo charco numa zona da propriedade e a monitorização de um charco já construído anteriormente (ver aqui).


O objetivo é dar a conhecer a riqueza deste tipo de ecossistemas e o papel relevante dos charcos para um conjunto alargado de espécies de anfíbios, repteis, invertebrados e mamíferos.
 
Esta atividade insere-se no âmbito da participação da Altri Florestal no evento Pé n'a Terra organizado pelo portal Biodiversity4All . Todos os levantamentos de flora e fauna serão efetuados com o apoio das fichas de campo desenvolvidas pela equipa do Bio4All.

Ainda há algumas vagas disponíveis para a atividade. Os interessados podem inscrever-se. Para tal, basta enviar um e-mail para pserafim@altri.pt

15 de fevereiro de 2013

Charcas para Anfíbios


Charca principal - vista sul

A ideia surgiu naturalmente, foi a própria natureza que nos levou a isso. Com os trabalhos de reflorestação da propriedade Vale Mouro, e com os cuidados na proteção das linhas de água, tivemos a preocupação de preservar uma zona húmida, onde se acumulava uma massa de água suficiente para se poderem desenvolver anfíbios.


Charca principal - vista norte

A partir daí, foi fácil. Tendo o apoio do manual de "Construção e conservação de pontos de água para anfíbios" da autoria da bióloga Joana Cruz, em colaboração com o CIBIO, tivemos o cuidado de não danificar a zona envolvente da charca. Foram criados um conjunto de charcas de diferentes tamanhos, formas e profundidades, para assim, com esta diversidade de habitats, se poder dar condições de desenvolvimento de diferentes espécies tornando mais rica a biodiversidade que o local poderá comportar.


Charca pequena
 Além da charca principal, com profundidades variadas, temos outras charcas mais pequenas e de menor profundidade, que irão aquecer mais com a radiação solar, permitindo o desenvolvimento dos girinos.
Estas charcas temporárias terão tendência a desaparecer na época estival, mas são responsáveis por uma parte da diversidade de anfíbios, insectos e plantas, tendo a charca principal como salvaguarda das espécies que aí se desenvolverem.

Vegetação das margens (1)
Tivemos o cuidado de criar margens "suaves", para no período mais chuvoso, aumentar a área menos profunda da charca, favorecendo o desenvolvimento da vegetação marginal, servindo de abrigo para a fauna, e a criação de lameiros sem arborização.

Vegetação das margens (2)
As margens envolventes têm freixos, plátanos, salgueiros, um pequeno bosquete de eucaliptos mais velhos (potencial local de nidificação) e um conjunto de arbustos que são abrigos importantes para a fauna, diminuem a temperatura da água e a evaporação.


Charca e bosquete
A Região florestal Oeste, achou este desafio muito interessante, e incentivou-nos a criar mais duas charcas nesta propriedade, neste caso de menores dimensões.

Vegetação das margens (3)
O passo seguinte será a monitorização destas áreas, o seu registo na cartografia da propriedade, e com uma manutenção cuidada sem perturbar o habitat que se vier a desenvolver, evitando a sua degradação, complementando-se com a plantação de algumas árvores e arbustos, de espécies já existentes na região, com a preocupação de demarcar bem a zona da charca, evitando-se assim a passagem de viaturas e maquinaria.

24 de março de 2012

Notas de Vale Mouro IV

Foto obtida aqui
 Hoje fomos informados, por um experiente observador de aves, da presença de um colhereiro numa charca em Vale Mouro.

Esta espécie, que ocorre de forma regular embora esporádica no Ribatejo, tem no Paul de Boquilobo o local de reprodução mais importante na região. As aves deslocam-se frequentemente dezenas de quilómetros para se alimentar em charcas e zonas alagadas, o que terá sido o caso aqui.

O que é curioso é o facto de ter sido numa charca, de reduzida dimensão, em espaço florestal, pouco habitual para a espécie. Interessante se torna ao saber que a charca foi criada no âmbito do projeto de reflorestação da propriedade, sendo anteriormente uma área onde estava instalado um eucaliptal. Este exemplo mostra que pequenas intervenções no ordenamento podem constituir importantes contributos para a biodiversidade, mesmo inesperados como este caso (colhereiro seria a última das espécies a esperar no local, sendo a charca pensada sobretudo como local de reprodução de anfíbios).

O registo já foi introduzido no Biodiversity4All.

14 de janeiro de 2012

Notas de Vale Mouro III

Durante o outono foram implementadas várias medidas preventivas no Vale Mouro.

Foram construídas várias caixas de retenção das águas pluviais, junto aos caminhos. Desta forma, evita-se a escorrência das águas nos caminhos, frequentemente causadora de fenómenos erosivos. Revelaram-se muito eficaz como medida preventiva da erosão e promovem a infiltração das águas de chuva no solo.

Na área na parte meridional da propriedade, onde se vai executar a segunda fase do projeto de reflorestação, foram identificadas várias manchas e bosquetes com sobreiros, que serão alvo de medidas de proteção especial, por forma a salvaguardá-las.

Conforme previsto no projeto aprovado pela AFN, estão a ser implementada várias faixas de descontinuidade, que acompanham zonas de escorrência e linhas de água efémeras. Estas faixas irão constituir futuramente corredores ecológicos com uma vegetação natural que compartimentará as plantações de eucalipto circundantes.
Um caminho existente junto da linha de água foi encerrada, com o objetivo de evitar perturbação do corredor que virá desenvolver-se no local.

13 de setembro de 2011

Notas de Vale Mouro II

Durante o mês de Setembro a equipa técnica da Altri Florestal visitou a propriedade Vale Mouro (Azambuja) para avaliar o efeito das medidas preventivas e mitigadoras de correção torrencial realizadas durante este verão. As primeiras chuvas de setembro permitiram avaliar a resiliência da preparação de terreno (socalcos e curvas de nível) bem como, das estruturas de apoio à sedimentação do solo e as ações de correção dos ravinamentos.

Correção de ravinamento

Estruturas em madeira para sedimentação

As áreas dedicadas à conservação apresentam também sinais de evolução positiva, com a regeneração de habitats (juncal e caniçal) e a consolidação dos charcos nas zonas a jusante das principais linhas de escorrência.

Vegetação de área de conservação

A propriedade coloca novos desafios à equipa da Altri Florestal, na continuação do acompanhamento das medidas preventivas e corretivas já implementadas e, no planeamento de outras ações que permitam estabilizar as áreas mais sensíveis à erosão.

9 de junho de 2011

Notas de Vale Mouro 1

O projeto de reflorestação de Vale Mouro continua esta primavera, mostrando os primeiros resultados em vários vertentes.

A área que foi reflorestada esta primavera, num dos vales, com a preparação de terreno em curva de nível ainda bem visível. 

Também a encosta onde se verificou a erosão durante o inverno foi alvo de uma intervenção de reconstrução de socalcos, aumentando a sua capacidade de absorção e infiltração de chuvadas fortes.

O clone híbrido YG15 mostra a sua elevada resistência ao encharcamento: após ter passado vários meses em terreno encharcado numa baixa, a plantação com este clone não sofreu mais do que 5% de mortalidade:
O alargamento e consolidação da charca está a ganhar forma, com a plantação de freixo (Fraxinus angustifolia):
Área de proteção criada a montante da charca, com plantação de freixos 

Charca a ganhar forma

Nas áreas plantadas constatou-se alguma mortalidade devido à presença de Melolontha, cuja larve come o sistema radicular da pequena árvore, como se pode ver na imagem. Felizmente, essa mortalidade é muito pontual.
Exemplo de planta com sistema radicular destruído

Uma das medidas preventivas implementadas no Vale Mouro é a gradagem por faixas, em vez da gradagem total. Desta forma, o terreno mantém algumas faixas com vegetação, oferecendo maior proteção contra a erosão.


O Vale Mouro está a mudar, com todas as medidas corretivas e preventivas que estamos a implementar. Depois das dificuldades encontradas no inverno, a recuperação vai no bom sentido e o resultado final vai mostrar que a propriedade melhorou muito com a sua reflorestação. Mais produtivo, maior biodiversidade e melhor proteção.

Henk Feith

19 de maio de 2011

Vale Mouro - início atividades da comissão independente de acompanhamento

A Altri Florestal chegou a um entendimento com três especialistas convidados para constituir a comissão independente de acompanhamento do projeto de florestação de Vale Mouro.
A constituição desta comissão veio em resposta aos problemas de erosão verificados na execução da primeira fase do projeto e tem como objetivo aconselhar sobre as medidas corretivas e preventivas a levar a cabo na área de projeto, acompanhar a execução das mesmas e avaliar a sua eficácia.
Pretende-se com os contributos da comissão, aumentar a solidez técnica das operações a executar na propriedade, nas áreas erosionadas, nas áreas por reflorestar tal como nas áreas de conservação de valores ecológicos a implementar ou consolidar.
A comissão é composta pelos seguintes especialistas:


  • Prof. Emérito Alfredo Gonçalves Ferreira, da Universidade de Évora, especialista em erosão, solos, hidráulica e ordenamento florestal




  • Dr. Luís Miguel Rosalino, biólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especialista em biodiversidade em paisagens dominadas por eucaliptais




  • Eng.º José Matos, da Autoridade Florestal Nacional, especialista em silvicultura do eucalipto.
    Na primeira visita à propriedade foram analisadas as características gerais da área de projeto, o tipo de solo e orografia, o ordenamento florestal proposto no projeto, as diversas medidas corretivas já implementadas no terreno, a criação de corredores ecológicos ao longo de linhas de água e melhorias a implementar nas charcas temporárias já formadas em algumas zonas baixas.
    Foram discutidas técnicas alternativas de mobilização do solo, tal com intervenções de controlo de escoamento das águas pluviais nas encostas mais sensíveis, que serão implementadas numa área experimental nas reflorestações do próximo outono.
    Uma das medidas já implementadas foi, na mobilização dos socalcos pre-existentes, a mantutenção da vegetação arbustiva nos taludes, por forma a aumentar a sua consolidação. A fotografia abaixo mostra um exemplo desta operação.
    Exemplo de terraços mobilizados, mantendo a vegetação no talude.