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17 de novembro de 2014

Menos Papel = Mais Verde. Será mesmo verdade?


Somos diariamente confrontados com campanhas publicitárias que nos dizem que substituir papel por digital é uma ajuda para o ambiente.

Acontece que estas campanhas são normalmente motivadas por objetivos de redução de custos e não de melhoria ambiental. Não há nada contra objetivos de redução de custos, bem pelo contrário, mas quando estes objetivos são escondidos atrás de supostos objetivos ambientais, então estamos perante greenwashing.

Mais grave se torna quando a própria afirmação é de veracidade duvidosa, como inúmero estudos indicam: as alternativas ao papel, produto de um recurso renovável, as chamadas ICT (Information and Communication Tecnologies) têm pegadas ambientais muito significativas e são baseadas em indústrias de exploração de recursos não renováveis.

A organização TwoSides, promovida pela indústria Norte-americana de pasta e papel, publicou alguns factsheets sobre o assunto, que merecem uma leitura:

http://www.twosidesna.org/includes/files/upload/files/TwoSidesFacts_GenericLCA_F%282%29.pdf

http://www.twosidesna.org/includes/files/upload/files/TwoSidesFacts_BestPractices_F%282%29.pdf

É sabido que o tema é terra fértil para discussões. Mas fica aqui o desafio para olhar para além do slogan.

15 de julho de 2012

A insustentável leveza de ser ... montado

O montado é por muitos considerado sinónimo de sustentabilidade. As imagens são conhecidas, mesmo para quem nunca saiu de Lisboa. Vejam, um exemplo de um montado de azinho a sul de Monforte:


Está lá tudo, o coberto arbóreo esparso, a vegetação herbácea já seca, as vistas, a beleza cénica. Sim senhor, rico montado.

Acontece que, do outro lado do caminho florestal que se vê do lado direito da foto, há um eucaliptal nosso. Não é grande coisa, admito, mas tem dado o seu rendimento de dez em dez anos (não convém cortar mais tarde nesta zona), já por quatro vezes, com uma regularidade surpreendente.
Curiosamente, a azinheira tem convivido bem com os nossos eucaliptos. Os exemplares adultos dispersos têm se aguentado muito bem e têm assistido a uma regeneração natural bastante abundante em seu redor. As fotos seguintes mostram-no bem:



Se abstrairmo-nos um pouco da romântica e dos preconceitos e perguntamo-nos onde é que é mais provável encontrarmos azinheiras daqui a, vá lá, 50 anos, qual será a resposta?

Eu não sei qual a vossa opinião, mas a minha aposta vai para o atual eucaliptal, onde verificamos uma regeneração abundante, ao contrário do montado na primeira foto. Para mim, daqui a 50 anos, o montado terá passado para uma pastagem estepária com, se calhar, umas poucas azinheiras envelhecidas que aguentaram os anos, sem qualquer recrutamento em seu redor, enquanto o povoamento de eucalipto terá evoluído para um povoamento misto de eucalipto com azinheiras de todas as classes de idade. Qual sustentabilidade do montado ...