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12 de novembro de 2013

Solo bom solo mau - Notas do Campo II

anterior pastagem do lado esquerdo, anterior eucaliptal ao lado direito
Num reflorestação recente em Benavente, reparámos num fenómeno interessante. A reflorestação incidiu sobre uma área onde existia um eucaliptal muito antigo, provavelmente plantado nos anos 70 e já com vários cortes realizados. No entanto, para além deste eucaliptal antigo, o projeto de reflorestação também incluiu uma pequena parcela de pastagem, já abandonada há algum tempo.

Depois da preparação de terreno, plantação e fertilização, igual em toda a área, observou-se um desenvolvimento das plantas muito diferente nas duas parcelas: enquanto na área anteriormente ocupada pelo eucaliptal as plantas se desenvolveram com normalidade, na anterior pastagem o desenvolvimento foi muito inferior, como se pode ver nas fotografias.

zona de pastegem à frente, área do antigo eucaliptal no fundo
É sabido que o sistema radicular de eucaliptos tem uma dinámica muito elevada, em que as raizes finas e muito finas crescem e morrem de forma contínua. O solo beneficia deste processo, uma vez que estas raizes finas mortas aumentam o teor de máteria orgânica e dão estrutura ao solo. Também a deposição de folhas e ramos no solo, ao longo de várias décadas, terá dado um contributo à qualidade do solo atravês da sua decomposição e mineralização. A pastagem agora arborizada não só não beneficiou destes processos, como terá sofrido um enpobrecimento do solo devido à constante exportação de matéria orgânica e nutrientes.

A comparação das duas parcelas nos leva a concluir que o eucaliptal anterior, após décadas de cultura, deixou um solo bastante melhor que a cultura arvense de pastagem.

4 de janeiro de 2012

Interpretação de Cartas de Solos

Podemos dizer que são poucos os que tratam os solos pelo seu “nome próprio”. Muitos produtores agrícolas ou florestais experientes poderão não conhecer a correta designação do solo de que dispõem, embora conheçam bastante bem as capacidades e as limitações do mesmo. Todos concordarão que é preferível assim que o inverso. Porém, mesmo com alguma experiência, é difícil conhecer rapidamente e com algum rigor as características essenciais dos solos presentes em áreas extensas ou de aquisição recente. Nestes casos, poderá ser muito vantajosa a utilização de uma carta de solos.

Todavia, para uma correta interpretação destas cartas é requerido um bom conhecimento da classificação utilizada e das características morfológicas associadas a cada tipo de solo. Por esta razão, para interpretação da Carta de Solos de Portugal (SROA), a Altri Florestal adotou recentemente a metodologia proposta pelo Prof. Gonçalves Ferreira (FERREIRA et al, 2001), que, embora em fase de utilização inicial na empresa, tem revelado uma boa aproximação à realidade. Na prática, foi implementado um algoritmo em SIG que determina a característica-diagnóstico mais limitante de cada complexo de solos, através da seleção da característica mais limitante à aptidão florestal ou da característica do solo principal, caso um solo seja significativamente mais representado no complexo.

Carta de solos com classificação SROA e carta de solos interpretada

Este trabalho foi realizado para todas as propriedades geridas pela Altri Florestal abrangidas por folhas da Carta de Solos de Portugal (1/25000), o que se traduz numa cobertura de cerca de 75% da nossa área de gestão. Maiores desafios se colocam com a interpretação dos solos da restante área de gestão, coberta com outros tipos de carta de solos ou mesmo sem este tipo de cartografia. De qualquer forma, temos já algumas ideias interessantes para resolver este problema, que prometemos partilhar, logo que chegarmos a resultados interessantes.