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10 de maio de 2014

Trabalho na pradaria ou a vegetação herbácea competidor

Plantação em Monte Madraço - Crato
É sabido o rápido desenvolvimento da vegetação herbácea em certo tipo de solos. Com elevada pluviosidade e as primeiras semanas de calor "é vê-las crescer". Este fenómeno é um problema de gestão bastante sério em plantações e fases iniciais do desenvolvimento do eucaliptal, em que esta vegetação proporciona uma competição feroz com as plantas de eucalipto. Para garantir o sucesso das plantações, é fundamental que esta vegetação seja controlada, mecanicamente ou quimicamente.

No entanto, há momentos em que o desenvolvimento da vegetação herbácea não deixa de surpreender, como é o caso de uma área plantada em Monte Madraços, na zona de Crato, como se pode ver na fotografia acima. Em poucas semanas, a vegetação herbácea passou de uma altura de um palmo de mão até atingir um metro, ultrapassando e tapando as plantas de eucalipto (sim, a área na foto está plantada com eucaliptos!). Esta vegetação está a ser controlada mecanicamente, para salvaguardar as plantas de eucalipto e seu desenvolvimento.

28 de fevereiro de 2014

Envolvimento de partes interessadas - um caso prático

Ninho de águia-calçada com duas crias, no eucaliptal da Altri Florestal (2013)

Envolvimento de Partes Interessadas. Está na moda, sem dúvida. Conforme a versão inglesa da Wikipedia, trata-se de: "Stakeholder engagement is the process by which an organisation involves people who may be affected by the decisions it makes or can influence the implementation of its decisions. (...) Companies engage their stakeholders in dialogue to find out what social and environmental issues matter most to them about their performance in order to improve decision-making and accountability."

A floresta é um espaço natural complexo e multifacetado, em que o nosso conhecimento é sempre limitado. Por esse motivo, temos vindo a colaborar com várias especialistas em diversas áreas de conhecimento, por iniciativa e necessidade nossa.

Ao mesmo tempo, acontece que somos contactados por pessoas que visitam as nossas áreas florestais, e que nos colocam as mais diversas questões, frequentemente motivados por preocupações reais, que procuramos atender e incorporar na nossa gestão.

Muitas vezes, estas pessoas têm conhecimento de valores e ativos naturais desconhecidos por nós e o nosso envolvimento com essas pessoas acaba por trazer benefícios para a gestão florestal, incorporando parte desse conhecimento.

Um bom exemplo é o nosso envolvimento com observadores de aves, que nos informam sobre áreas de reprodução, nomeadamente de rapinas florestais, espécies bastante sensíveis a perturbação do processo de nidificação por operações florestais.

Na semana passada, voltamos a visitar um povoamento de eucaliptos em Constância com Nuno Mota, um observador de aves que se especializou na localização e proteção de ninhos de rapinas florestais na região de Médio Tejo e com o qual a Altri Florestal tem mantido uma colaboração regular já há algum tempo. O povoamento está no plano de cortes deste ano, e era sabido que no seu interior há várias espécies de rapinas a nidificar: açor, águia-calçada, gavião e água de asa redonda.

Na visita foi avaliada a ocupação dos locais de nidificação conhecidos no povoamento, e esse resultado foi posteriormente incorporado no planeamento do corte. Desta forma é possível evitar perturbação dos processos de nidificação destas aves, tão emblemáticas dos nossos eucaliptais.

É através deste envolvimento que a Altri Florestal consegue melhorar a sua gestão florestal, conciliando os objetivos de produção de madeira com a salvaguarda dos valores naturais presentes nos nossos eucaliptais.

21 de janeiro de 2014

Silvicultura do eucalipto - preparação de terreno e plantação

Reflorestação de Mestrinha - Figueiró-dos-Vinhos

São nos dirigidas com frequência perguntas práticas sobre a silvicultura do eucalipto e as melhores práticas nas diferentes operações florestais, como por exemplo nos comentários a este post.

É com muito gosto e com o sentido de contribuir para uma boa gestão florestal também fora das nossas áreas que respondemos a estes pedidos.

Desta forma, segue aqui uma descrição sucinta da nossa visão sobre uma boa preparação de terreno e plantação, operação fundamental para ter sucesso na produção pretendida. Esta informação está também disponível em formato PDF, na área das Publicações Altri Florestal, no lado direito do nosso blogue.


Planeamento da florestação
Antes de iniciar uma florestação, informe-se sobre os aspetos legais a cumprir. Fale com a sua associação de produtores florestais ou entre em contacto com a Altri Florestal para apoio neste aspeto.

Elabore um projeto de florestação que define claramente como os diferentes trabalhos devem ser executados, quais as áreas a trabalhar e que medidas de segurança e ambientais devem ser cumpridas.

Explique exaustivamente os trabalhos aos operadores das máquinas antes do seu início, quais os cuidados de segurança e ambientais a ter e acompanhe o decorrer dos trabalhos o melhor possível. Exija o cumprimento das obrigações sociais e laborais do empreiteiro que irá trabalhar para si.

Como dono da obra, é responsável sobre ela e será chamado a responder perante eventuais incumprimentos legais, sociais e ambientais!


Preparação do terreno
A preparação do terreno visa criar condições para um desenvolvimento favorável do sistema radicular das plantas.

Evite sempre a mobilização do solo “à cava”, que, além de muito onerosa, resulta na inversão dos horizontes do solo e no enterramento de matéria orgânica a profundidade.

As operações de preparação do terreno não devem ser feitas quando o solo tem uma humidade excessiva, para evitar a compactação ou erosão do solo.

As toiças devem ser destroçadas, recorrendo a alfaias do tipo “Enxó”. Para melhorar a qualidade do solo, os fragmentos das toiças, a vegetação rasteira existente e os resíduos vegetais deverão ser incorporados, utilizando-se para este efeito grades de disco.

Depois da gradagem, o terreno deve ser ripado em curva de nível, em declives superiores a 5%. A ripagem deverá mobilizar o solo a uma profundidade recomendada de 70 cm, com 1 a 3 dentes, conforme o grau de compactação do solo.

 

Construção de socalcos

Em encostas com declives superiores a 25%, recomenda-se a construção de socalcos.
 
Os socalcos devem ser construídos para garantir a mecanização total da exploração, necessitando para isso de uma largura de pelo menos 3,5 metros bem como a ligação entre eles, uma inclinação lateral para o interior de cerca de 2% e longitudinal de cerca de 2%.
 
Escolha da planta
Antes de comprar as plantas, informe-se bem sobre o tipo de plantas disponível nos viveiros florestais. Deverá escolher a planta conforme as características do solo e os fatores limitantes que se verifiquem no local, por exemplo pragas e doenças, ocorrência de geadas ou secura estival severa.
 
Plantação
Assegura o bom estado vegetativo das plantas antes de as plantar: o sucesso da sua plantação depende delas! Após a sua receção e até ao momento da sua utilização as plantas devem ser objeto dos seguintes cuidados:
· Protegidas de geadas e outras intempéries.
· Serem regadas sempre que necessário.
· Serem eliminadas aquelas que entretanto sofreram danos irrecuperáveis.
A plantação deve ser realizada quando o solo estiver com teores de humidade adequados.
A plantação deve ser realizada nos sulcos abertos pelo ripper, que são as zonas mais descompactadas e melhor arejadas.
As plantas devem ser colocadas no terreno, na vertical, evitando danificar as raízes. O torrão deve ficar coberto de terra, devendo o solo envolvente ser levemente compactado para evitar a formação de bolsas de ar.
 
Adubação
A adubação no momento da plantação é fundamental para um bom arranque delas.
Escolhe um adubo adequado, podendo optar por 30 g de adubo de libertação lenta ou 200 g de um adubo trenário de composição adequada (por exemplo NPK 8:24:8), ou uma combinação dos dois adubos
O adubo deverá ser enterrado, evitando um contato direto entre o adubo e as raízes da planta.
 
Tratamentos culturais iniciais
Uma das principais causas de insucesso de plantações é a competição pela vegetação espontânea.
Por isso recomenda-se a realização dos tratamentos culturais como sachas, amontoas e controlo da vegetação através de gradagens superficiais ou controlo químico.
Caso se verifique uma mortalidade inicial superior a 10%, deve ser proceder à retancha da área de plantação, nunca deixando passar mais de 6 meses entre a plantação e a retancha.
 
Cuidados ambientais
Os motoristas e operadores devem garantir que as máquinas e os equipamentos se encontram em boas condições de operação e que não existem fugas de derivados de petróleo.
As linhas de água com água corrente devem ser atravessadas em locais de solo firme ou quando existam estruturas para o efeito.
Nas áreas de proteção deve ser evitada a circulação de máquinas e equipamentos.
Caso se de presença de sobreiros e azinheiras, deve ser respeitada a zona de proteção às árvores destas espécies protegidas.
 
Florestações — conclusões 
  • Cumpre a legislação em vigor
  • Planeie a florestação com cuidado
  • Elabore um projeto detalhado
  • Escolhe o tipo de planta mais adequado
  • Acompanhe a realização da obra sempre que possível
  • Prepare o terreno tecnicamente correto e ambientalmente responsável
  • Adube as plantas à plantação
  • Controle a vegetação herbácea
  • Zele pelo cumprimento das boas práticas de segurança e ambiente

12 de novembro de 2013

Solo bom solo mau - Notas do Campo II

anterior pastagem do lado esquerdo, anterior eucaliptal ao lado direito
Num reflorestação recente em Benavente, reparámos num fenómeno interessante. A reflorestação incidiu sobre uma área onde existia um eucaliptal muito antigo, provavelmente plantado nos anos 70 e já com vários cortes realizados. No entanto, para além deste eucaliptal antigo, o projeto de reflorestação também incluiu uma pequena parcela de pastagem, já abandonada há algum tempo.

Depois da preparação de terreno, plantação e fertilização, igual em toda a área, observou-se um desenvolvimento das plantas muito diferente nas duas parcelas: enquanto na área anteriormente ocupada pelo eucaliptal as plantas se desenvolveram com normalidade, na anterior pastagem o desenvolvimento foi muito inferior, como se pode ver nas fotografias.

zona de pastegem à frente, área do antigo eucaliptal no fundo
É sabido que o sistema radicular de eucaliptos tem uma dinámica muito elevada, em que as raizes finas e muito finas crescem e morrem de forma contínua. O solo beneficia deste processo, uma vez que estas raizes finas mortas aumentam o teor de máteria orgânica e dão estrutura ao solo. Também a deposição de folhas e ramos no solo, ao longo de várias décadas, terá dado um contributo à qualidade do solo atravês da sua decomposição e mineralização. A pastagem agora arborizada não só não beneficiou destes processos, como terá sofrido um enpobrecimento do solo devido à constante exportação de matéria orgânica e nutrientes.

A comparação das duas parcelas nos leva a concluir que o eucaliptal anterior, após décadas de cultura, deixou um solo bastante melhor que a cultura arvense de pastagem.

8 de maio de 2011

Manobra a sangue frio

Há certos operadores com habilidades fora de comum. Vejam só a seguinte vídeo:

Não se recomenda repetir a façanha...

Henk Feith