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Se há consenso, é sobre a necessidade imperiosa de aumentar a produtividade da economia Portuguesa, de re-equilibrar a balança comercial com o exterior e de criar valor a partir de recursos naturais endógenos ao nosso dispor.
A fileira de pasta e papel encaixa na perfeição nesta necessidade. Temos em Portugal espaços florestais abundantes para produzir a matéria prima para a indústria, temos produtores florestais disponíveis para investir na produção e proteção florestal, temos centros de investigação capacitados para encontrar soluções para os desafios que a floresta nos coloca, temos unidades fabris das mais competitivas do mundo e temos um produto de excelência, procurado pelos lideres mundiais dos sectores de papel de escrita e “tissue”.
A fileira Portuguesa de pasta e papel tem margem para crescer, para produzir e vender mais, para aumentar a sua criação de riqueza. No entanto, é do lado da oferta da matéria prima da indústria que encontramos o principal entrave ao crescimento da fileira. É urgente olhar para a produção florestal nacional e para as formas de a aumentar.
O dados do VI Inventário Florestal Nacional revelam um crescimento modesto da área de eucalipto em Portugal. No entanto, a sua produtividade é bastante inferior à que potencialmente poderia ocorrer. O eucaliptal Português encontra-se envelhecido, mal ordenado e subaproveitado. As densidades são baixas e por consequência as produtividades também.
As reflorestações são não só urgentes como possíveis. As pragas e doenças obrigam a explorar novos materiais genéticos que começam a estar disponíveis. Temos os agentes da fileira disponíveis para investir ou para apoiar quem quer investir. Portugal tem condições para produzir muito mais e pode reduzir em muito a necessidade da indústria de complementar a oferta nacional de madeira com madeira importada.
A renovação do eucaliptal Português merece ser um desígnio nacional. É uma oportunidade de modernizar os sistemas florestais, de adequá-los às exigências do futuro, não só em termos de produtividade mas também em termos de sustentabilidade social e ambiental, com fomento de emprego e de promoção da biodiversidade, permitindo a sua valorização através da certificação florestal. Apesar da área certificada ter vindo a aumentar, o seu crescimento está muito aquém do desejável, pelo que deve ser uma aposta de todos os agentes. Há dificuldades crescentes de colocação da pasta não certificada o que pode perigar a competitividade da nossa fileira
O licenciamento das florestações conta atualmente com o envolvimento de diversas entidades públicas, em vez de estar nas mãos da única autoridade nacional vocacionada para o efeito, o ICNF. O proprietário florestal que procura cumprir a legislação em vigor, sujeita-se a um processo demorado e incompreensivelmente complexo. Este processo constitui um obstáculo considerável ao investimento e à renovação e modernização do eucaliptal Português e necessita urgentemente de ser simplificado.
A produtividade do eucaliptal não se resolve só com a sua renovação. É fundamental unir esforços no controlo das ameaças como os fogos florestais e atualmente a principal praga, o gorgulho do eucalipto. Mas também a realização das medidas silvícolas como fertilizações, controlo de infestantes e seleção de varas são fundamentais para aumentar a produção e rentabilidade. Se juntarmos a esses esforços um crescimento responsável da área de eucalipto em Portugal, a nossa indústria de pasta e papel pode continuar a contribuir para a riqueza e crescimento económico durante largas décadas.
A fileira de pasta e papel pode e deve desempenhar um papel essencial na recuperação da economia e do bem-estar das empresas e famílias Portuguesas.
