Mostrar mensagens com a etiqueta Fauna. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fauna. Mostrar todas as mensagens

27 de maio de 2013

Águia de Bonelli ocupa plataforma para nidificar

 
Panorama da mancha deixada em pé
Galisteu tem um novo inquilino! É um casal de águia de Bonelli, que ocupou está primavera a plataforma artificial colocada num eucalipto em janeiro de 2012, como se pode ler aqui.

Após a descoberta, esta primavera, de um ninho de abutre-preto, embora sem sucesso reprodutor, numa propriedade nossa na região, é a segunda grande notícia do ano relacionada com espécies ameaçadas.

Foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da ocupação da plataforma do biólogo Carlos Pacheco. Pela sua rápida ocupação (logo na segunda época de nidificação após colocação) verifica-se o excelente trabalho do Carlos. Com base na sua experiência e grande conhecimento da ecologia da espécie, soube escolher a mancha e a árvore certas.

No centro da foto vê-se (mal) o ninho
Esta espécie nidificou no passado no Galisteu, mas nos últimos anos não tem sido registado como nidificante na propriedade. É caso para dizer: bem-vindo de regresso!

Temos duas crias no ninho, já com um mês de idade. Seguramente vamos acompanhar o processo de nidificação e esperemos poder observar no verão os primeiros voos de aprendizagem das crias pelos céus do Galisteu.

Close-up do ninho
Para quem quer saber um pouco mais sobre esta impressionante ave de rapina, recomendo consultar a sua página no site Aves de Portugal.

No ano anterior, foi colocada uma outra plataforma, mas afastada do rio, num pinheiro de grande porte. Temos esperança que será igualmente ocupada por uma rapina de grande porte, contribuindo desta forma para o papel importante que a propriedade tem para os valores do Parque Natural do Tejo Internacional, que já conta com a maior colónia de grifos do Parque, tal como a nidificação de outras espécies classificadas como ameaçadas em Portugal (ver Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal), como a cegonha-preta, o chasco-ruivo e o noitibó-de-nuca-vermelha. Também e de referir a presença do cágado-de-carapaça-estriada, réptil classificado como Em Perigo.

15 de fevereiro de 2013

Charcas para Anfíbios


Charca principal - vista sul

A ideia surgiu naturalmente, foi a própria natureza que nos levou a isso. Com os trabalhos de reflorestação da propriedade Vale Mouro, e com os cuidados na proteção das linhas de água, tivemos a preocupação de preservar uma zona húmida, onde se acumulava uma massa de água suficiente para se poderem desenvolver anfíbios.


Charca principal - vista norte

A partir daí, foi fácil. Tendo o apoio do manual de "Construção e conservação de pontos de água para anfíbios" da autoria da bióloga Joana Cruz, em colaboração com o CIBIO, tivemos o cuidado de não danificar a zona envolvente da charca. Foram criados um conjunto de charcas de diferentes tamanhos, formas e profundidades, para assim, com esta diversidade de habitats, se poder dar condições de desenvolvimento de diferentes espécies tornando mais rica a biodiversidade que o local poderá comportar.


Charca pequena
 Além da charca principal, com profundidades variadas, temos outras charcas mais pequenas e de menor profundidade, que irão aquecer mais com a radiação solar, permitindo o desenvolvimento dos girinos.
Estas charcas temporárias terão tendência a desaparecer na época estival, mas são responsáveis por uma parte da diversidade de anfíbios, insectos e plantas, tendo a charca principal como salvaguarda das espécies que aí se desenvolverem.

Vegetação das margens (1)
Tivemos o cuidado de criar margens "suaves", para no período mais chuvoso, aumentar a área menos profunda da charca, favorecendo o desenvolvimento da vegetação marginal, servindo de abrigo para a fauna, e a criação de lameiros sem arborização.

Vegetação das margens (2)
As margens envolventes têm freixos, plátanos, salgueiros, um pequeno bosquete de eucaliptos mais velhos (potencial local de nidificação) e um conjunto de arbustos que são abrigos importantes para a fauna, diminuem a temperatura da água e a evaporação.


Charca e bosquete
A Região florestal Oeste, achou este desafio muito interessante, e incentivou-nos a criar mais duas charcas nesta propriedade, neste caso de menores dimensões.

Vegetação das margens (3)
O passo seguinte será a monitorização destas áreas, o seu registo na cartografia da propriedade, e com uma manutenção cuidada sem perturbar o habitat que se vier a desenvolver, evitando a sua degradação, complementando-se com a plantação de algumas árvores e arbustos, de espécies já existentes na região, com a preocupação de demarcar bem a zona da charca, evitando-se assim a passagem de viaturas e maquinaria.