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25 de abril de 2017

Surpresa no dia da liberdade

Para comemorar o dia da liberdade nada como uma caminhada pela floresta da Altri Florestal mais próxima de casa.

Durante estas caminhadas os sentidos vão sempre atentos ao meio em nosso redor, ouvindo o som característico do Abelharuco ou olhando para as rapinas que cruzam o céu à nossa frente (Águia-de-asa-redonda, Peneireiro-comum e Águia-cobreira).

Abelharuco (Merops apiaster)
Já de regresso a casa, já não contávamos com a surpresa deste dia especial. Um dos mamíferos mais comuns da floresta portuguesa estava ali na outra encosta, ainda por cima num retrato familiar exemplar. Uma Mãe Raposa (Vulpes vulpes) tratava da sua ninhada de 7 crias !!

Deixo-vos este pequeno vídeo da vida privada desta família que nos deixou embevecidos com o carinho demonstrado por esta mãe dedicada.


Deixámos esta família sossegada, porque afinal também elas são livres...

16 de julho de 2015

Nidificação de Bútio-vespeiro


No seguimento da colaboração que temos mantido com o Nuno Mota (post anterior), fomos brindados novamente este ano com a presença confirmada da nidificação de uma das espécies mais curiosas de rapinas florestais que se podem encontrar em Portugal - O Bútio-Vespeiro.

Foto: Nuno Mota - Bútio-Vespeiro (Pernis apivorus)
Trata-se da terceira vez que se confirmou a sua nidificação no interior de uma propriedade da Altri Florestal na região do Médio Tejo. Das três vezes, ocorreu sempre o sucesso na sua reprodução, apoiado pela informação que o Nuno nos forneceu em tempo útil sobre a localização dos ninhos (que são difíceis de detectar).

Esta informação permitiu à Altri Florestal reprogramar as suas atividades de gestão florestal nas proximidades do ninho (adiando ou cancelando as atividades florestais), com o objetivo de evitar a perturbação do mesmo.

E é com enorme agrado e entusiasmo que vemos mais uma vez a cria do Bútio-Vespeiro com um aspeto saudável e com vontade de nos visitar numa outra oportunidade.


Obrigado Nuno.

25 de maio de 2015

Cabeço Santo no Minuto Verde

https://vimeo.com/album/1979036/video/127826920
 
A Altri Florestal tem a felicidade de participar neste projeto pioneiro da Quercus - núcleo de Aveiro.

Veja o Minuto Verde sobre o projeto.

15 de abril de 2015

Workshop Gestão de habitats ripícolas e fenómenos erosivos


A Altri Florestal está a organizar em parceria com a Quercus um workshop dedicado ao tema da gestão dos habitats ripícolas e fenómenos erosivos (dia 23 de Abril – Azambuja).
 
Entre as várias apresentações será dado um destaque especial à demonstração de técnicas de engenharia natural para contenção da erosão que, será realizada por um especialista da empresa Ecosalix.

Este workshop pretende abordar questões práticas e proporcionar a troca de experiências entre os participantes sobre os impactes dos fenómenos erosivos, não só nas linhas de água mas também nas áreas florestadas contíguas, com vista a identificar um conjunto de boas práticas de gestão florestal a adotar pelos proprietários e fornecedores de serviços florestais, com o objetivo de fomentar a biodiversidade e ds serviços dos ecossistemas.

Para mais informação e detalhe sobre o programa do workshop e inscrições :

http://www.quercus.pt/destaques/199-eventos-4/4257-workshop-gestao-de-habitats-ripicolas-e-fenomenos-erosivos

Imagem retirada daqui

27 de outubro de 2014

Um dia no Tejo Internacional

Na semana passada, realizámos uma vista à nossa propriedade Galisteu, inserido no Parque Natural do Tejo Internacional.

A visita teve como objetivo monitorizar as áreas da propriedade classificadas como Alto Valor de Conservação, com base na presença de ecossistemas e habitats com relevante interesse para a conservação da biodiversidade local e regional.

O dia estava magnífico, com uma temperatura acima do esperado para esta altura do ano e condições de luminosidade que permitiram a utilização das nossas modestas máquinas fotográficas.

Quando se chega ao Galisteu a primeira reação do visitante habitual é olhar para o horizonte e para cima em busca das aves mais emblemáticas presentes no território do Tejo Internacional.

E, no dia de ontem fomos brindados com a presença de três aves de rapina que entusiasmam um fotógrafo de fim-de-semana (estou a falar da minha pessoa). Deixo-vos alguns dos melhores momentos destas magníficas aves, que amavelmente nos cederam estas imagens.

Águia-Imperial (Aquila adalberti)


Abutre-Preto (Aegypius monachus)

Grifo (Gyps fulvus)

15 de outubro de 2014

Montis ou o bom exemplo dado

Imagem obtida aqui
Portugal é parco em organizações ambientais que assumem gestão efetiva de terrenos. Nesta perspetiva contrasta com países como Reino Unido e Países Baixos, por exemplo, em que centenas de milhares de hectares estão sob gestão direta de ONGA como Wildlife Trust ou Natuurmonumenten.

Um exemplo luso deste tipo de organizações é a ATN, entidade responsável para a gestão da primeira Área Protegida Privada, a Reserva Faia Brava.

Estas organizações, de caráter menos contestatário e mais "hands on the job", são fundamentais para promover a gestão direcionada para a conservação de biodiversidade, em que modelos alternativos de gestão e intervenção encontram espaço para serem testados e melhorados.

Há muito pouco tempo nasceu uma nova ONGA em Portugal cuja ambição é mesmo essa: gerir territórios com elevado valor de conservação. Essa organização vai pelo nome de Montis Associação de Conservação de Natureza. Como se pode ler no blogue, "A MONTIS tem como objectivo central gerir territórios, com relevância em termos da conservação dos valores naturais. Inicialmente concentrará a sua actividade nas serras envolventes do Vouga e Paiva (Freita, Arada, Montemuro, Lapa, Caramulo) mas com o objectivo de se poder estender a outros locais do território nacional."

Como deriva desse objetivo, a MONTIS está a tentar adquirir terrenos para gerir. Encontrou um, relativamente modesto como convém nesta fase ainda tão prematura da sua existência e lançou uma campanha de crowd-funding para financiar a compra. Para tal, produziu um curto vídeo que merece ser visto, de tão sedutivo...
http://www.youtube.com/watch?v=EEfiELM_jgQ

Para quem acha que é importante que se façam coisas novas, que se giram áreas para as proteger, mas que não tem vida para se empenhar pessoalmente, então agora tem uma oportunidade única para contribuir. Pode contribuir com um valor, que pode ser tão modesto como um euro, para que esta área se torna a primeira de muitos geridas pela MONTIS. Vejam como em:
http://ppl.com.pt/pt/prj/sermos-donos-disto-tudo

Como MONTIS não quer só gerir mas também dar a conhecer, nada como participar no colóquio que se realizará no dia 22 de novembro. E porque Altri Florestal também quer dar a conhecer o que faz neste campo da conservação, lá estaremos também com uma curta palestra. O programa pode ser consultado aqui:
 http://montisacn.blogspot.pt/2014/10/coloquio-montis-economia-da.HTML

Vemo-nos lá...

10 de janeiro de 2014

Água

O som é indescritível, a sua presença domina a paisagem.


Os nossos olhos concentram-se numa queda de água ou num pequeno charco temporário onde as pequenas rãs verdes saltam perante a nossa curiosidade.

09012014495


Visitámos duas propriedades nas bacias do rio Vouga e Dão, onde a precipitação das últimas semanas mostra-se no caudal generoso das ribeiras e regatos.
Esta monitorização tem como um dos principais objetivos avaliar a oportunidade de consolidar as áreas de proteção das linhas de água, permitindo alargar a estrutura de corredores ecológicos presentes na propriedade.
Também permite verificar a eficiência das estruturas de drenagem (travessões, aquedutos) presentes nos caminhos florestais e se existe alguma necessidade de correção.       

8 de novembro de 2013

Parabéns Terraprima

É com enorme satisfação que recebemos a notícia de que o projeto Pastagens Semeadas Biodiversas, do qual a Altri Florestal participa com uma pequena pastagem, venceu o prémio europeu da Comissão Europeia - "The World You Like Challenge".

Pastagem biodiversa da Altri Florestal em Vendas Novas
Os nossos parabéns para a equipa da Terraprima que, com inovação e perseverança, alcançou este importante contributo nacional para a perceção dos europeus de que os valores de biodiversidade podem e devem caminhar lado a lado com a produção agrícola e florestal.


  

22 de outubro de 2013

Alhos com bugalhos

Reflorestação de eucalipto no Ribatejo: habitat preferencial de chasco-ruivo
O número de estudos científicos Ibéricos sobre a ecologia de plantações de eucalipto é notoriamente baixo. A razão desta escassez parece ser mais sentimental que científico: não são muitos os biólogos que escolham um habitat considerado pobre em biodiversidade como objeto de estudo. Não há mal nisso, mas impede um apuramento mais objetivo e isento dessa biodiversidade.

No entanto, de vez em quando surgem publicações, como é o caso desta na revista de renome Forest Ecology and Management, na edição de outubro: Effectiveness of eucalypt plantations as a surrogate habitat for birds. No artigo são comparados vários habitats florestais galegos, com o objetivo de avaliar sua importância para a diversidade avifaunísticas na perspetiva de uma paisagem fragmentada, onde estes habitats se alternam.

Até aqui nada de anormal. As plantações de eucalipto têm de facto diversidades avifaunísticas relativamente baixas quando comparado com habitats naturais; já não será assim com outros habitats com plantações de espécies de produção lenhosa. Falo por experiência própria em estudos como Atlas das Aves Nidificantes, Censo das Aves Comuns e outros em que realizei trabalho de campo, opinião que qualquer observador de aves pode confirmar.

Porém, o que me surpreendeu no artigo foi a escolha dos habitats: plantações de eucalipto (três classes de idade: jovem, idade de corte e envelhecido), carvalhal adulto, pinhal adulto e matos. Se o objetivo é comparar a importância da espécie arbórea na diversidade avifaunística de habitats florestais, porquê introduzir uma variação na comparação, que é a idade, logo a estrutura dos dois habitats considerados naturais? Porquê comparar plantações de eucalipto (ecologicamente sempre jovens) como povoamentos sobremaduros de pinheiro bravo e adultos de carvalho? Porquê não comparar plantações de eucalipto com plantações de pinheiro e carvalho com a mesma estrutura e/ou desenvolvimento?

Como era de esperar, a conclusão do estudo foi que os eucaliptais estudados têm muito menos diversidade avifaunística que pinhais e carvalhais adultos. Mas então, como podemos concluir que essas diferenças são consequência da espécie e não da estrutura da vegetação? Qual seria a conclusão quando se tivesse comparado uma plantação de um eucaliptal com uma plantação de pinheiro ou mesmo um carvalhal com uma estrutura semelhante?

No meu entender, o estudo devia ter comparado habitats de espécies diferentes mas com estruturas semelhantes, uma vez que a estrutura tem uma importância primordial para a biodiversidade em geral, incluindo a diversidade avifaunística. Comparar um carvalhal adulto ou pinhal sobre-maduro (idade > 60 anos) com uma plantação de eucalipto de 10 ou 20 anos é comparar alhos com bugalhos.

No entanto, o que interessa sobretudo na ecologia das plantações de eucalipto, não é o que as plantações não têm, mas sim o que têm. Do pouco que se sabe sobre a ecologia dos eucaliptais (por ser muito mal estudada), eles constituem habitats de nidificação para várias espécies de aves classificadas como ameaçadas, como por exemplo aves de rapina como águia-real, águia de Bonelli, açor, águia-calçada, mas também as duas espécies de noitibó, chasco-ruivo, alcaravão etc.

O que interessa estudar é a importância da dinâmica dos eucaliptais, com a sua elevada frequência de cortes, oferecendo às diferentes espécies diferentes estados de desenvolvimento do habitat. Uma espécie que depende de um certo estado de desenvolvimento, encontrará sempre algures esse estado num espaço geográfico relativamente reduzido. Por exemplo, essa dinâmica cria uma elevada extensão de ecótonos, nomeadamente em áreas de minifúndio, zonas de elevada importância para muitas espécies.

O que interessa também conhecer é qual o papel das plantações de eucalipto para espécies ameaçadas:
  • chasco-ruivo (Oenanthe hispanica) nidifica regularmente em plantações recentes (até 2 anos de idade) de eucalipto (ver foto acima). Em regiões onde as reflorestações de eucalipto são abundantes, este habitat está permanentemente disponível, embora em parcelas temporalmente distribuídas. Esta dinâmica e sua importância para a espécie em causa nunca foi estudada (que eu saiba).
  • As duas espécies de noitibó (noitibó de Europa Caprimulgus europaeus e noitibó-de-nuca-vermelha Caprimulgus ruficollis), nidificam no solo em formações florestais. A sua utilização de plantações de eucalipto é conhecida, e para tal recorrem sobretudo a eucaliptais com solo nu ou vegetação esparsa, resultado dos tratamentos silvícolas de controlo de matos, evitando subbosque densos e altos.
  • Em áreas altamente humanizadas, a ave-de-rapina açor (Accipiter gentilis), espécie florestal por excelência, recorre frequentemente a eucaliptais de produção para nidificar,como já foi relatado neste e neste post). E este ano, até um casal de águia-real (Aquila chryseatus) ocupou uma plataforma colocada num eucaliptal no Parque Natural do Tejo Internacional, como se pode ler aqui.

O estudo parece querer concluir o óbvio: "The poor avifauna in eucalypt plantations suggests their limited value as a habitat for birds of either native forests or shrublands, in contrast to pine plantations, which showed their potential to favor connectivity among native forest patches.", no entanto não comparou formações comparáveis, invalidando essas mesmas conclusões. Também não foi capaz de identificar espécies ameaçadas relativamente abundantes na Galiza que utilizam eucaliptais para nidificar (açor, noitibó de Europa), negando aos eucaliptais um valor relevante em termos de avifauna.
Outra conclusão, "A more intensive management with understory removal, a common practice in plantations controlled by the forestry industry, would negatively affect bird diversity in eucalypt plantations.)" parece ignorar a especificidade ecológica de algumas espécies florestais. A manutenção de um subbosque denso e alto beneficiaria sobretudo espécies generalistas, em detrimento das espécies referidas acima.

Por vezes, não é importante o número de espécies que ocorrem num habitat, mas sim qual é a importância desse habitat para espécies ameaçadas ou relevantes em termos da biodiversidade.

3 de julho de 2013

Os peixes como indicadores de gestão florestal

A Altri Florestal em colaboração com o Instituto Superior de Agronomia, iniciou um projeto de avaliação das populações de peixes nas ribeiras mais próximas e adjacentes às áreas sob gestão da empresa. Esta avaliação pretende estabelecer a relação entre o habitat ripícola, a gestão florestal nas imediações e as espécies de peixes e suas populações aí presentes.

O projeto apoia-se na aplicação da técnica de pesca elétrica. Esta técnica de amostragem piscícola é bastante eficiente e praticamente inofensiva para os peixes. Baseia-se na criação de um campo elétrico na massa de água que provoca nos peixes um efeito de relaxamento muscular permitindo a sua captura com um simples camaroeiro.

O trabalho iniciou-se nas ribeiras a sul do tejo e os resultados são bastante animadores, nomeadamente, pela presença abundante de espécies nativas e pelas elevadas densidades obtidas nas amostras já realizadas.

Ribeira de Alferreira - Troço amostrado
Ribeira da Foz - Troço amostrado

Técnica de Pesca Elétrica

Barbo
Escalo
Boga de boca arqueada
 

13 de junho de 2013

Errare humanum est

Telefonou-me o Carlos Pacheco. Para pedir desculpas, tinha-se enganado. Afinal, o casal de rapinas que ocupou a plataforma artificial no Galisteu,como descrito neste post, não são águias de Bonelli, mas ... águas-reais!

As duas crias da águia-real no ninho artificial
Disse ao Carlos que, com erros assim, eu podia bem. Não é com menor satisfação que tomamos conhecimento de um casal da maior e mais emblemática rapina de Portugal, a impressionante águia-real.

Não deixa de ser curiosa a escolha deste casal, sendo invulgar a utilização de eucaliptos por parte da águia-real. Entretanto, recebi mais informação sobre a presença das duas espécies no Galisteu do Carlos:
Aproveito para esclarecer um pouco mais a história dos casais de Bonelli e real no Galisteu: entre pelo menos 1990 (ano em que conheci o casal) e 2006 havia 1 território de Bonelli que se reproduzia regularmente num ninho em escarpa, dentro do Galisteu (na foz da ribeira do Marmelal). Nesse mesmo período havia também um casal de águia-real, que tinha ninhos na zona este do Galisteu e na ribeira da Aurela, em Espanha, onde se reproduz na actualidade. Voltando às Bonelli do Marmelal, entretanto, em 2007, desapareceu a fêmea deste casal e o macho andou por lá pelo menos mais 2 anos, aparentemente sozinho, e não voltou a haver tentativas de reprodução que tenha detectado desde então. Em 2010 instalou-se neste território um casal novo de águias-reais, ambas ind.sub-adultos, que ocuparam 1 dos 2 ninhos construídos pelo casal de Bonelli. Este ninho caiu a meio da época de reprodução do ano passado, com a perda dos ovos ou de crias muito pequenas (tenho a certeza que o casal estava a incubar ou com crias muito pequenas poucos dias antes de ter caído). Este ano, no final do Inverno, o casal de reais voltou a ser observado junto da foz do Marmelal pelo que depreendi que tivessem voltado ao local antigo, sem no entanto verificar a ocupação do antigo local do ninho. Entretanto verifiquei que na escarpa onde estava o ninho que caiu tudo continuava igual, pelo que seguramente foi este casal que ocupou o ninho artificial.
Também no início do ano recebi do pessoal da Quercus algumas observações de águias de Bonelli adultas a caçar na zona do Monte Barata, pelo que achei altamente provável que pudessem ser estas as ocupantes do ninho artificial.
Ainda em 2010, encontrei um ninho novo com um casal de águias de Bonelli, com um macho adulto e uma fêmea sub-adulta um pouco a jusante do Galisteu, já nas escarpas da Fraldona. Assumi que este fosse o antigo casal do Marmelal, cujo território havia sido usurpado pelas reais. No entanto este casal apenas utilizou este ninho um ano e não voltou a ser localizado desde então. Assim concluo que naquela zona existem 2 casais de águia-real (o antigo da Aurela e o mais recente da foz do Marmelal) e um casal de águia de Bonelli (que deverá corresponder ao antigo da foz do Marmelal), cujo ninho é desconhecido na actualidade. Nas escarpas do rio tenho quase a certeza absoluta que não está, pelo que deverá ter mudado para uma árvore e continua por lá à espera de ser descoberto...

Vamos ver se com este casal de reais, se a nossa esperança de ter um casal de águia-imperial na outra plataforma, não sai prejudicada, sendo as duas espécies muito competitivas entre elas. O futuro dirá...

Mais novidades quando as houver.

27 de maio de 2013

Águia de Bonelli ocupa plataforma para nidificar

 
Panorama da mancha deixada em pé
Galisteu tem um novo inquilino! É um casal de águia de Bonelli, que ocupou está primavera a plataforma artificial colocada num eucalipto em janeiro de 2012, como se pode ler aqui.

Após a descoberta, esta primavera, de um ninho de abutre-preto, embora sem sucesso reprodutor, numa propriedade nossa na região, é a segunda grande notícia do ano relacionada com espécies ameaçadas.

Foi com enorme satisfação que recebemos a notícia da ocupação da plataforma do biólogo Carlos Pacheco. Pela sua rápida ocupação (logo na segunda época de nidificação após colocação) verifica-se o excelente trabalho do Carlos. Com base na sua experiência e grande conhecimento da ecologia da espécie, soube escolher a mancha e a árvore certas.

No centro da foto vê-se (mal) o ninho
Esta espécie nidificou no passado no Galisteu, mas nos últimos anos não tem sido registado como nidificante na propriedade. É caso para dizer: bem-vindo de regresso!

Temos duas crias no ninho, já com um mês de idade. Seguramente vamos acompanhar o processo de nidificação e esperemos poder observar no verão os primeiros voos de aprendizagem das crias pelos céus do Galisteu.

Close-up do ninho
Para quem quer saber um pouco mais sobre esta impressionante ave de rapina, recomendo consultar a sua página no site Aves de Portugal.

No ano anterior, foi colocada uma outra plataforma, mas afastada do rio, num pinheiro de grande porte. Temos esperança que será igualmente ocupada por uma rapina de grande porte, contribuindo desta forma para o papel importante que a propriedade tem para os valores do Parque Natural do Tejo Internacional, que já conta com a maior colónia de grifos do Parque, tal como a nidificação de outras espécies classificadas como ameaçadas em Portugal (ver Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal), como a cegonha-preta, o chasco-ruivo e o noitibó-de-nuca-vermelha. Também e de referir a presença do cágado-de-carapaça-estriada, réptil classificado como Em Perigo.

23 de abril de 2013

Novamente o açor a nidificar num eucaliptal



Exemplo de um ninho de açor num eucaliptal (foto de Nuno Mota)
Em fevereiro de 2012, foi descoberto um ninho de açor num eucaliptal, como foi relatado neste post.

O casal reproduziu com sucesso, apesar de ter mudado de ninho durante o mês de março, construindo um novo a poucas dezenas de metros do anterior, no mesmo eucaliptal. Este facto reforçou a opinião de que a espécie é muito flexível no processo de reprodução e escolha o local conforme as condições específicas. Inesperadamente, "deslocou" o ninho do interior do povoamento para junto da sua orla, onde curiosamente decorria um corte num eucaliptal vizinho. Aparentemente não se incomodou muito com os trabalhos lá em curso.

Esta experiência juntou-se a várias outras que revelam que rapinas florestais como o açor são menos exigentes no que diz respeito ao local de nidificação, ao contrário por exemplo das grandes águas (real, imperial e Bonelli). É sabido que alternam com frequência entre os ninhos disponíveis no seu território, às vezes porque são simplesmente corridos deles por outras espécies de rapinas.

Este ano o ninho voltou a ser ocupado e estamos esperançados que o casal tenha novamente sucesso reprodutivo. O povoamento faz parte do plano de cortes deste ano, e o planeamento temporal do corte foi adaptado de forma a não coincidir com o período de nidificação. Somente quando as crias são totalmente autónomas e independentes do ninho, avançaremos com o corte.

Não posso deixar de dedicar uma palavra de agradecimento ao Jorge Vicente, o voluntário que dedica muito do seu tempo à prospeção das florestas da região Oeste e que tem revelado a presença deste e outros ninhos que de outra forma seriam desconhecidos para nós. A Altri tem a sorte de poder colaborar com vários voluntários em diferentes regiões do país, que, através do seu esforço, nos permitem gerir melhor as nossas florestas.

4 de abril de 2013

Avaliação de Impactes Ambientais e Sociais

Uma das atividades que decorre previamente a uma obra de exploração florestal é a avaliação dos impactes ambientais e sociais da atividade nos valores naturais presentes e nas comunidades adjacentes.

Em Lamego, uma propriedade gerida pela Altri Florestal consegue conciliar, eu diria, o melhor dos dois mundos, isto é, produtividades na produção de rolaria de eucalipto (Eucalyptus nitens) bastante acima da média e a presença de valores naturais únicos.


Rio Balsemão

A avaliação de impactes da exploração florestal foi realizada com o envolvimento do fornecedor de serviços (corte e rechega) e do responsável da AF pelo acompanhamento da obra.
Com esta medida pretende-se salvaguardar as duas galerias ripícolas (Rio Balsemão e ribeira afluente), onde ocorrem o maior número de espécies e habitats.
Durante a avaliação, os aspetos sociais também foram abordados, e foi decidido uma alternativa de saída da madeira que evita a passagem junto de habitações e de passagens estreitas com muros e sebes.

27 de fevereiro de 2013

Estamos encharcados


Uma coisa traz outra. Após divulgação do post sobre a charca no Vale Mouro tomámos conhecimento do projeto Charcos com Vida, liderado pelo CIBIO. Após contactos iniciais, rapidamente percebemos que havia uma excelente oportunidade para uma parceria entre Altri Florestal e o projeto Charcos comVida, nomeadamente no Inventário de Charcos. E assim foi.

A Altri Florestal já forneceu informação sobre mais de 500 charcos, pontos de água, poços e tanques existentes no seu património, dando assim um contributo importante para o Inventário de Charcos. Estes dados vão ser introduzidos pela equipa do CIBIO no WebSIG do projeto, disponibilizando-os assim para o público em geral. O passo seguinte será a introdução de fotografias desses charcos, tal como outras informações interessantes, que será um trabalho mais demorado, para não dizer "de sapo".

Também há um acordo sobre a realização de um workshop prático sobre a construção de charcos, recorrendo a máquinas de mobilização de solo utilizadas em projetos de florestação. Esse workshop irá decorrer na propriedade Vale Mouros, algures na primavera, estará aberto para quem estiver interessado e será oportunamente anunciado aqui no nosso blogue.

15 de fevereiro de 2013

Charcas para Anfíbios


Charca principal - vista sul

A ideia surgiu naturalmente, foi a própria natureza que nos levou a isso. Com os trabalhos de reflorestação da propriedade Vale Mouro, e com os cuidados na proteção das linhas de água, tivemos a preocupação de preservar uma zona húmida, onde se acumulava uma massa de água suficiente para se poderem desenvolver anfíbios.


Charca principal - vista norte

A partir daí, foi fácil. Tendo o apoio do manual de "Construção e conservação de pontos de água para anfíbios" da autoria da bióloga Joana Cruz, em colaboração com o CIBIO, tivemos o cuidado de não danificar a zona envolvente da charca. Foram criados um conjunto de charcas de diferentes tamanhos, formas e profundidades, para assim, com esta diversidade de habitats, se poder dar condições de desenvolvimento de diferentes espécies tornando mais rica a biodiversidade que o local poderá comportar.


Charca pequena
 Além da charca principal, com profundidades variadas, temos outras charcas mais pequenas e de menor profundidade, que irão aquecer mais com a radiação solar, permitindo o desenvolvimento dos girinos.
Estas charcas temporárias terão tendência a desaparecer na época estival, mas são responsáveis por uma parte da diversidade de anfíbios, insectos e plantas, tendo a charca principal como salvaguarda das espécies que aí se desenvolverem.

Vegetação das margens (1)
Tivemos o cuidado de criar margens "suaves", para no período mais chuvoso, aumentar a área menos profunda da charca, favorecendo o desenvolvimento da vegetação marginal, servindo de abrigo para a fauna, e a criação de lameiros sem arborização.

Vegetação das margens (2)
As margens envolventes têm freixos, plátanos, salgueiros, um pequeno bosquete de eucaliptos mais velhos (potencial local de nidificação) e um conjunto de arbustos que são abrigos importantes para a fauna, diminuem a temperatura da água e a evaporação.


Charca e bosquete
A Região florestal Oeste, achou este desafio muito interessante, e incentivou-nos a criar mais duas charcas nesta propriedade, neste caso de menores dimensões.

Vegetação das margens (3)
O passo seguinte será a monitorização destas áreas, o seu registo na cartografia da propriedade, e com uma manutenção cuidada sem perturbar o habitat que se vier a desenvolver, evitando a sua degradação, complementando-se com a plantação de algumas árvores e arbustos, de espécies já existentes na região, com a preocupação de demarcar bem a zona da charca, evitando-se assim a passagem de viaturas e maquinaria.

24 de janeiro de 2013

Alcaravão, outra vez

Imagem obtida aqui
alcaravão é uma espécie muito particular, classificada com ameaçada pelo ICNB, com uma população de no máximo 10 mil indivíduos adultos em Portugal.

Numa visita à propriedade Venda Velha, em Benavente, observámos um bando de duas dezenas de indivíduos (ver a localização da observação através da Biodiversity4All aqui). Esta espécie inverna em bandos, frequentemente de dezenas ou mesmo centenas de aves, em espaço aberto, que foi o caso aqui: um eucaliptal em fase de reflorestação.

Curiosamente, a espécie ainda não tinha sido registada na respetiva quadrícula do Atlas de Aves Invernantes e Migradoras, atualmente com o trabalho de campo em curso, pela SPEA. Para além de uma observação interessante, acabou por dar um pequeno contributo para o referido Atlas.




19 de janeiro de 2013

Fajarda - visita a plantações recentes

Como é sabido, a Altri Florestal aposta nas reflorestações para aumentar a sua capacidade produtiva. Estamos numa fase em que muitas plantações iniciais, realizadas nos anos 80 e 90, chegaram ao fim do seu ciclo produtivo e a sua reflorestação é uma oportunidade, não só para introduzir novo material genético, como promover melhorias no ordenamento florestal e a criação ou recuperação de áreas de conservação de valores de natureza e biodiversidade.

A propriedade Fajarda, no concelho de Coruche, já descrito neste post, enquadra-se na perfeição nesta estratégia. Visitámos as plantações realizadas desde 2011.

Em 2011 e 2012 foram plantadas diversas proveniências genéticas, de origem seminal e clonal. Um dos primeiros aspetos que salta à vista é que as plantas de origem seminal têm um crescimento inicial mais rápido que as plantas clonais. Por vezes de forma espantosa, como se pode ver na foto em baixo:

Plantação com 2 anos de idade
No projeto as zonas de proteção às linhas de água foram excluídas da reflorestação, deixando as toiças nelas intatas. Neste momento, o desenvolvimento em altura da nova plantação já se aproxima da rebentação das toiças ao lado:

plantação (esq.) vs. talhadia (dir.)
Os eucaliptos reagem de forma muito marcada a pequenas variações nas condições de crescimento. Na foto em baixo vê-se uma pequena mancha com um solo muito arenoso, sem capacidade de retenção de água no verão, resultando na morte das árvores plantadas. 20 metros afastados deste local, as condições são melhores, permitindo um crescimento vigoroso das árvores.
plantação com 2anos de idade
Entre as medidas de promoção dos valores de conservação e biodiversidade está a criação de uma charca temporária, localizada numa pequena baixa, excluída da área a plantar. Esta área estava ocupada por eucaliptos no povoamento original, mas devido ao regular encharcamento, as árvores tinham um desenvolvimento muito fraco. Estas intervenções são exemplos de reconversão, em que a perda de produção é muito reduzida, compensado por ganhos significativos em valores de conservação e biodiversidade.
As abundantes chuvas deste outono e inverno entretanto já encheram o local com água. Estas pequenas charcas, que secam no verão, são importante para muitas espécies de animais, entre as quais se destacam os anfíbios.
Charca temporária criada na reflorestação




20 de novembro de 2012

A rã do Palmeiro

Logo à entrada da nossa propriedade Palmeiro, em pleno Parque Natural de São Mamede, o colega Pedro Serafim chamava à atenção que nos encontrávamos num pequeno reduto isolado de habitat da rã-ibérica. Por sorte, não foi muito difícil encontrar a dita rã nas áreas encharcadas, nas margens da ribeira que corria com algum vigor. Saltou para cima de uma folha, posou alguns momentos para a foto abaixo, mergulhou e nunca mais ninguém a viu...

A rã-ibérica da propriedade Palmeiro
A rã-ibérica (Rana iberica), como o próprio nome sugere, é um endemismo na Península Ibérica. A sua coloração é usualmente acastanhada, embora com tons muito variados. É facilmente identificada por uma mancha mais escura atrás e abaixo dos olhos (de difícil visibilidade nesta fotografia). Raramente ultrapassa os 5,5 cm de comprimento. O espécime encontrado teria entre 2,5 a 3 cm.

17 de novembro de 2012

Gestão da Biodiversidade - Monchique

A Altri Florestal, considera que a melhor forma de gestão é aquela que partilha as diferentes técnicas, opções e por vezes emoções das pessoas envolvidas e tenta chegar à melhor decisão através do melhor conhecimento dísponivel.

A partir do desafio de elaborar planos de gestão da biodiversidade, para todo o património inserido em áreas classificadas, surgiu a ideia de ceder a gestão dos valores naturais a alguém que faça melhor que nós.

Esta ideia foi já foi para o terreno e revela-se, comprovadamente eficaz e muito enriquecedora. - Projeto Cabeço Santo

A partir desta ideia, lançámos, no inicio de novembro, um caderno de encargos para a cedência da gestão a um conjunto de organizações seleccionadas pelo seu mérito e experiência em atividades de gestão ativa, conservação e divulgação dos valores naturais.

Por desconhecermos todas as organizações que se possam enquadrar neste desafio, colocamos aqui no nosso blog o respetivo caderno de encargos que define as condições e a  localização das áreas (Sitio de Importância Comunitária - Monchique) e, nas quais será estabelecido um protocolo entre a empresa e a organização seleccionada.

Ficam aqui umas fotografias de algumas espécies da flora presentes nas propriedades da Altri Florestal incluidas no cadeerno de encargos: