O montado é por muitos considerado sinónimo de sustentabilidade. As imagens são conhecidas, mesmo para quem nunca saiu de Lisboa. Vejam, um exemplo de um montado de azinho a sul de Monforte:
Está lá tudo, o coberto arbóreo esparso, a vegetação herbácea já seca, as vistas, a beleza cénica. Sim senhor, rico montado.
Acontece que, do outro lado do caminho florestal que se vê do lado direito da foto, há um eucaliptal nosso. Não é grande coisa, admito, mas tem dado o seu rendimento de dez em dez anos (não convém cortar mais tarde nesta zona), já por quatro vezes, com uma regularidade surpreendente.
Curiosamente, a azinheira tem convivido bem com os nossos eucaliptos. Os exemplares adultos dispersos têm se aguentado muito bem e têm assistido a uma regeneração natural bastante abundante em seu redor. As fotos seguintes mostram-no bem:
Se abstrairmo-nos um pouco da romântica e dos preconceitos e perguntamo-nos onde é que é mais provável encontrarmos azinheiras daqui a, vá lá, 50 anos, qual será a resposta?
Eu não sei qual a vossa opinião, mas a minha aposta vai para o atual eucaliptal, onde verificamos uma regeneração abundante, ao contrário do montado na primeira foto. Para mim, daqui a 50 anos, o montado terá passado para uma pastagem estepária com, se calhar, umas poucas azinheiras envelhecidas que aguentaram os anos, sem qualquer recrutamento em seu redor, enquanto o povoamento de eucalipto terá evoluído para um povoamento misto de eucalipto com azinheiras de todas as classes de idade. Qual sustentabilidade do montado ...