14 de agosto de 2015

Silvicultura preventiva e seu efeito nos fogos

Aceiro protegeu a nossa plantação
A silvicultura preventiva é o filho pobre na família das despesas relacionadas com os fogos florestais.
Curiosamente, são inúmeras as vozes que todos os anos se levantam, apelando a um maior investimento na silvicultura preventiva, também chamada a prevenção estrutural. Mas na prática, em Portugal continua a prevalecer a aposta no combate, consumindo grande parte dos recursos disponíveis.

A Altri Florestal mantém há muitos anos uma política de prevenção, que passa pela redução de carga de combustível e a manutenção de infraestruturas como aceiros, caminhos e pontos de água. Com esses trabalhos de silvicultura preventiva gasta sensivelmente o dobro do que é gasto na estrutura de deteção e combate da Afocelca, agrupamento complementar de empresas em que junta esforços com o grupo PortucelSoporcel na defesa do património das duas empresas.

No grande incêndio de Tomar/Barquinha/Constância, do dia 7 de julho, observámos novamente os benefícios da silvicultura preventiva. A foto acima mostra um aceiro, por ventura até bastante modesto, que evitou a entrada do fogo na plantação que se situa do lado direito. Ninguém estava lá porque estávamos todos a combater o incêndio num outro local da propriedade, mas mesmo assim sortiu efeito. O terreno do lado esquerdo, que não está sob nossa gestão e cuja vegetação era composta por matos altos e sobreiros, ardeu com intensidade, no entanto no sentido contrário ao vento.

Mas mesmo quando o fogo consegue entrar nas plantações, as intervenções de controlo de vegetação no sub-bosque resultam frequentemente em dano menor, afetando pouco as árvores plantadas.

Efeito do controlo de vegetação no interior das plantações
É sabido que nem sempre é possível reduzir a carga de combustível ou ter bons aceiros e que em condições muito adversas de fogo, "arde tudo". Mas no final da campanha, quando olhamos para as áreas que estiveram em perigo ou mesmo afetadas, é óbvio que o investimento na silvicultura consegue reduzir de forma significativa tanto o risco de arder como o dano em caso de ter ardido.
Quando esse investimento vai de mãos dadas com uma estrutura profissional e dedicada de deteção e combate aos incêndios como da Afocelca, não restam dúvidas que temos a melhor resposta possível perante o problema.

Nota final para quem gosta de estatísticas: a taxa de incidência de fogo no nosso património situa-se nos 0,25%. Quer dizer, em média nos ardem por ano 2,5 hectares em cada 1000. Traduzido para Portugal, com 5 milhões de hectares de floresta e matos, daria uma área anualmente ardida de 12,5 mil hectares. Seria muito bom, não seria?