23 de julho de 2014

Feira Nacional de Agricultura 2014 (Parte II)

Tal como tinha prometido venho mostrar-vos mais conteúdos sobre a participação da Altri em parceria com a AIFF e seus associados na Feira Nacional de Agricultura de Santarém.

Consideramos que a mensagem transmitida pelos vários parceiros deste desafiante projeto de comunicação foi marcadamente positiva e demonstrou a interação entre a Floresta e os produtos que dela usufruímos no nosso dia-a-dia.

Como exemplo, relato-vos o sucesso da atividade de pintura para crianças em pasta de papel(dinamizada pela Altri) que, em 9 dias, as crianças que visitaram o espaço "A Floresta coMvida" pintaram cerca de 700 folhas de pasta de papel !!

Atividade "Vem pintar a Floresta"

Para melhor ilustrar a mensagem transmitida pelo conceito "A Floresta coMvida", nada melhor que um pequeno filme sobre a feira realizado pela AIFF.

17 de julho de 2014

Instacork: instantes sobre tiragem de cortiça


A Altri Florestal tem sob sua gestão cerca de 3440 hectares de sobreiro. A maior parte desta área é formada por montados de sobro, tendo como um dos seus objetivos a produção de cortiça, que se encontra no âmbito dos nossos certificados de gestão florestal (FSC® e PEFC), tal como a madeira de eucalipto. O presente ano é particularmente intenso em tiragens de cortiça, o que tem provocado um maior foco de atenção nos montados, não apenas dos colegas da Direção de Produção, cujo carinho e dedicação por estas áreas é permanente, mas também de outros colaboradores temporários ou até menos prováveis.

Seguem alguns instantes, em fotografias e testemunhos na primeira pessoa.

Pormenores da cortiça extraída
 
«Tive oportunidade de acompanhar esta atividade numa manhã. O descortiçamento em si é feito por tiradores com elevada experiência, de modo a não se danificarem as árvores. Não menos importante é o trabalho das “ajuntadeiras” que, como o nome indica, juntam a cortiça em montes para posteriormente serem carregadas para o trator. A cortiça é rechegada para um carregadouro, onde é preparada e arrumada, para daí ser transportada para a indústria. Tudo parece simples nesta cadeia de trabalhos, mas na verdade tudo é fruto de vários anos de evolução de um trabalho ancestral, muito português.»
 Rita Santos (mestranda ISA)

 
 Momentos do descortiçamento de um sobreiro


«Considero que o trabalho de campo é muito importante para a minha atividade profissional, pois permite-me sentir aquilo que passa virtualmente pelas minhas mãos! Tive recentemente oportunidade de percorrer caminhos, montes e vales de algumas propriedades e ver ao vivo as diferentes ocupações, que habitualmente observo em gabinete, com recurso à fotografia aérea. O destino foi Casal dos Arcos, onde estava a ser feito o descortiçamento, uma atividade que eu desconhecia. Nada como ver “in loco” este trabalho minucioso, mas duro fisicamente, para se dar o devido valor a todos os objetos de cortiça que nos passam pelas mãos no nosso dia-a-dia. Fantástico!»
 Julieta Sousa (operadora SIG da Altri Florestal)

 O "pai de todos" do Casal do Arcos, segundo José Marcos da Fonseca

5 de julho de 2014

Plantar eucaliptos na Suiça ou a má fama deles

Floresta suíça
Mudei de casa recentemente. Um dos colaboradores da empresa de mudanças, algures no meio dos trabalhos, perguntou qual era a minha profissão.
"Engenheiro florestal" respondi.
Ele riu-se um pouco. Estranhei e, para enquadrar melhor, acrescentei que trabalhava para a indústria de celulose.
"Isto é dos eucaliptos?" indagou com rapidez.
Nem tive tempo de responder.
"Ah, essas árvores são muito más! O que é bom é plantar carvalhos e sobreiros! Devem plantar carvalhos e sobreiros."
A minha experiência nestas situações ensinou-me que é bom manter uma certa calma.
"Olhe - respondi - concordo consigo que é importante haver também carvalhos e sobreiros."
Ele não se deixou desviar e continuou: "Fazem muito mal essas árvores! Vão mas é plantar eucaliptos na Suíça!"
Mantive a minha calma: "Não dá, faz muito frio na Suíça. Os eucaliptos não suportam esse frio."
"Estados Unidos!" O homem era determinado. "Vão plantar nos Estados Unidos!"
A minha resposta foi no mesmo sentido. O meu interlocutor não ficou muito impressionado e lá voltou ao trabalho de trazer as minhas coisas da camioneta.
Fiquei a pensar sobre o que aconteceu. Estou habituado a ter de responder perante críticas ao eucalipto, de pessoas normalmente tão convencidas como mal-informadas sobre a cultura do eucalipto e seus impactos ambientais e sociais. Decidi não deixar o assunto cair.
No fim das mudanças conversámos um pouco, e disse-lhe estar surpreendido com tão firme opinião sobre os eucaliptos. Ele voltou a sorrir e apercebi-me que já não estava tão empolgado como antes. Disse-lhe que, da próxima vez que fosse à casa de banho e usasse papel higiénico, devia pensar um pouco donde vinha esse papel.
O colega desse homem juntou-se à conversa: "Ah, é de eucaliptos que é feito o papel higiénico?"
"Sim - respondi - tal como muitos outros produtos que usamos todos os dias."
"Então, mas acha mesmo que eles não fazem mal?"
"Acho. Sabe, o que faz mal são eucaliptais mal geridos. Esses sim, fazem mal. Tal como plantações mal geridas de outras espécies, como carvalhos e sobreiros."
O primeiro homem olhou para mim e disse-me: "Olhe, plantei este ano sete eucaliptos!"
Incrédulo, perguntei-lhe: "Então afinal também planta eucaliptos?"
"Sim. A minha ideia é de plantar todos os anos 7 eucaliptos num terreno que eu tenho. Assim, daqui a poucos anos, vou ter todos os anos uns eucaliptos para cortar e que me vão dar lenha para a lareira!"
"Pois - respondi - o eucalipto também dá boa lenha."
"O eucalipto tem mas é muita má fama, não tem?" comentou o segundo homem.
"É verdade - concordei - tem de facto má fama. Foram cometidos erros no passado com a plantação de eucaliptos, e ficou a ideia da árvore malévola na cabeça de muita gente."
"É como os polícias! - disse o primeiro - também têm má fama sem razão! Sabe, sou polícia reformado e sei o que é isso da má fama. Os polícias são bons, precisamos deles e mesmo assim têm má fama!"
"Então é um pouco como os eucaliptos." respondi em tom de conclusão.
Despedimo-nos com um sorriso rasgado.