23 de dezembro de 2014

ciclo da vida ou o cogumelo vencedor


Foi com esta fotografia que a nossa colega Maria João Loureiro venceu o primeiro concurso fotográfico da Altri Florestal.

Para além de ser muito bonita, a foto acaba por representar o ciclo da vida: a folha caída de eucalipto, já seca, e após ter contribuído para o crescimento da sua árvore-mãe, dá origem a novas formas de vida, neste caso a uns cogumelos minúsculos mas de uma elegância perfeita com seu pé preto de alfinete e o chapéu delicado a balançar sobre ele. Até há um ar um pouco vaidoso neles...

Parabéns Maria João e boas festas para todos.

Henk Feith 

17 de novembro de 2014

Menos Papel = Mais Verde. Será mesmo verdade?


Somos diariamente confrontados com campanhas publicitárias que nos dizem que substituir papel por digital é uma ajuda para o ambiente.

Acontece que estas campanhas são normalmente motivadas por objetivos de redução de custos e não de melhoria ambiental. Não há nada contra objetivos de redução de custos, bem pelo contrário, mas quando estes objetivos são escondidos atrás de supostos objetivos ambientais, então estamos perante greenwashing.

Mais grave se torna quando a própria afirmação é de veracidade duvidosa, como inúmero estudos indicam: as alternativas ao papel, produto de um recurso renovável, as chamadas ICT (Information and Communication Tecnologies) têm pegadas ambientais muito significativas e são baseadas em indústrias de exploração de recursos não renováveis.

A organização TwoSides, promovida pela indústria Norte-americana de pasta e papel, publicou alguns factsheets sobre o assunto, que merecem uma leitura:

http://www.twosidesna.org/includes/files/upload/files/TwoSidesFacts_GenericLCA_F%282%29.pdf

http://www.twosidesna.org/includes/files/upload/files/TwoSidesFacts_BestPractices_F%282%29.pdf

É sabido que o tema é terra fértil para discussões. Mas fica aqui o desafio para olhar para além do slogan.

6 de novembro de 2014

Águia-cobreira salva no Galisteu

Imagem obtida na newsletter do ICNF-Centro
Foi com agrado que tomámos conhecimento do artigo no newsletter do ICNF-Centro, no qual se relata o salvamento de uma água-cobreira, encontrada na nossa propriedade Galisteu.

Segue o texto integral do artigo:

No passado mês de julho fomos informados pelos responsáveis da Herdade do Monte do Galisteu – Grupo Altri Florestal, em pleno Parque Natural do Tejo Internacional, da existência de uma águia que havia caído do ninho. Nesse mesmo dia o ICNF deslocou-se ao local onde identificou a Águia-cobreira (Circaetus gallicus), e procedeu à sua entrega num centro de recuperação, o CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais, pertença do núcleo regional de Castelo Branco da Quercus. Após um cuidado exame à ave, verificou-se que tinha apenas uma pequena ferida na asa esquerda, resultante do embate no solo.

Após algumas semanas de recuperação, sobretudo para recuperar a maturação suficiente e com o contributo de todos, mas principalmente com a colaboração dos responsáveis da Herdade do Monte do Galisteu, conseguimos salvar uma Águia-cobreira.

Resta-nos agradecer às pessoas do ICNF e do CERAS a dedicação e empenho na recuperação desta ave, tão característica das serras e montes de Portugal.

3 de novembro de 2014

O grande sorriso do Casal Novo

Para quem não sabe, geocaching é uma atividade ao ar livre na qual se utiliza um recetor GPS para se encontrar um “tesouro” ou geocache, que consiste normalmente numa pequena caixa fechada, de tamanho variável, contendo um livro de registos e por vezes alguns objetos. Um código de honra entre os praticantes define que, após encontrada, a geocache deve ser recolocada no mesmo local. Esta atividade têm-se tornado muito popular como passatempo ou desporto, principalmente após a vulgarização do GPS nos telemóveis. São surpreendentes as milhares de geocaches atualmente escondidas em Portugal.

"Eu uso satélites de vários milhões de dólares para encontrar tupperwares na floresta. Qual é o seu passatempo?"

Recentemente em conversa com uma colega da Caima, assumida apaixonada por geocaching, descobri que algo de surpreendente se anda a passar numa propriedade sob nossa gestão. Quando me apresentava um mapa com um dos maiores desafios de geocaching da zona, rapidamente reparei que se situava na propriedade Casal Novo, em Vila Nova da Barquinha. Tratam-se de 25 geocaches tradicionais e 2 geocaches enigma dispostas de forma a desenharem um enorme smile. Os criadores do projeto apresentam uma lista das geocaches e várias instruções e recomendações para quem pretenda enfrentar este desafio, que deve ser feito a pé.

O grande smile de geocaches do Casal Novo

O multiuso dos espaços florestais é um tema recorrente no nosso dia-a-dia, mas nunca deixamos de nos surpreender até onde este conceito pode chegar.

29 de outubro de 2014

Lego florestal

Sim, a Lego também já pensou nos filhos dos florestais ou... nos próprios florestais. Este magnífico "logging truck" foi um presente da minha família. Inclui o motosserrista, o gajo da grua e não faltam algumas novas árvores para a sustentabilidade do sistema. Peca apenas pelo motosserrista não ter EPI completo. Ele que não espere pela próxima auditoria!

Imagens retiradas daqui

27 de outubro de 2014

Um dia no Tejo Internacional

Na semana passada, realizámos uma vista à nossa propriedade Galisteu, inserido no Parque Natural do Tejo Internacional.

A visita teve como objetivo monitorizar as áreas da propriedade classificadas como Alto Valor de Conservação, com base na presença de ecossistemas e habitats com relevante interesse para a conservação da biodiversidade local e regional.

O dia estava magnífico, com uma temperatura acima do esperado para esta altura do ano e condições de luminosidade que permitiram a utilização das nossas modestas máquinas fotográficas.

Quando se chega ao Galisteu a primeira reação do visitante habitual é olhar para o horizonte e para cima em busca das aves mais emblemáticas presentes no território do Tejo Internacional.

E, no dia de ontem fomos brindados com a presença de três aves de rapina que entusiasmam um fotógrafo de fim-de-semana (estou a falar da minha pessoa). Deixo-vos alguns dos melhores momentos destas magníficas aves, que amavelmente nos cederam estas imagens.

Águia-Imperial (Aquila adalberti)


Abutre-Preto (Aegypius monachus)

Grifo (Gyps fulvus)

22 de outubro de 2014

Open Foris: conhecer bem para gerir bem

A FAO refere que 80% dos países em vias de desenvolvimento têm dificuldades em obter e usar informação sobre os seus recursos florestais. Na tentativa de corrigir este problema, com o apoio de várias instituições públicas e privadas, a FAO promoveu o desenvolvimento do Open Foris, um magnífico projeto que assenta no grande princípio de que para gerir bem é necessário conhecer bem.

 Open Foris

O Open Foris é um conjunto de software livre, em open-source, que facilita a recolha de dados, a análise e a apresentação de resultados, em atividades como inventários florestais, estudos de alterações climáticas, inquéritos sócio-económicos, avaliações da biodiversidade e monitorizações de alterações do uso do solo. Foi principalmente pensado para países em vias de desenvolvimento e já é usado por várias instituições de investigação, governos e ONG. O software funciona em sistemas operativos Windows/Linux e Android, podendo ser gratuitamente obtido, com explicações claras, no site oficial do Open Foris. Dificilmente estas ferramentas serão utilizadas aqui na empresa, mas nada como observá-las para aprender como bem fazer.

Vídeo retirado daqui

15 de outubro de 2014

Montis ou o bom exemplo dado

Imagem obtida aqui
Portugal é parco em organizações ambientais que assumem gestão efetiva de terrenos. Nesta perspetiva contrasta com países como Reino Unido e Países Baixos, por exemplo, em que centenas de milhares de hectares estão sob gestão direta de ONGA como Wildlife Trust ou Natuurmonumenten.

Um exemplo luso deste tipo de organizações é a ATN, entidade responsável para a gestão da primeira Área Protegida Privada, a Reserva Faia Brava.

Estas organizações, de caráter menos contestatário e mais "hands on the job", são fundamentais para promover a gestão direcionada para a conservação de biodiversidade, em que modelos alternativos de gestão e intervenção encontram espaço para serem testados e melhorados.

Há muito pouco tempo nasceu uma nova ONGA em Portugal cuja ambição é mesmo essa: gerir territórios com elevado valor de conservação. Essa organização vai pelo nome de Montis Associação de Conservação de Natureza. Como se pode ler no blogue, "A MONTIS tem como objectivo central gerir territórios, com relevância em termos da conservação dos valores naturais. Inicialmente concentrará a sua actividade nas serras envolventes do Vouga e Paiva (Freita, Arada, Montemuro, Lapa, Caramulo) mas com o objectivo de se poder estender a outros locais do território nacional."

Como deriva desse objetivo, a MONTIS está a tentar adquirir terrenos para gerir. Encontrou um, relativamente modesto como convém nesta fase ainda tão prematura da sua existência e lançou uma campanha de crowd-funding para financiar a compra. Para tal, produziu um curto vídeo que merece ser visto, de tão sedutivo...
http://www.youtube.com/watch?v=EEfiELM_jgQ

Para quem acha que é importante que se façam coisas novas, que se giram áreas para as proteger, mas que não tem vida para se empenhar pessoalmente, então agora tem uma oportunidade única para contribuir. Pode contribuir com um valor, que pode ser tão modesto como um euro, para que esta área se torna a primeira de muitos geridas pela MONTIS. Vejam como em:
http://ppl.com.pt/pt/prj/sermos-donos-disto-tudo

Como MONTIS não quer só gerir mas também dar a conhecer, nada como participar no colóquio que se realizará no dia 22 de novembro. E porque Altri Florestal também quer dar a conhecer o que faz neste campo da conservação, lá estaremos também com uma curta palestra. O programa pode ser consultado aqui:
 http://montisacn.blogspot.pt/2014/10/coloquio-montis-economia-da.HTML

Vemo-nos lá...

3 de outubro de 2014

Parabéns Mestre Florestal!

Luís Ferreira e o júri da Universidade de Évora
No dia 30 de setembro, o nosso colega Luís Ferreira sagrou-se mestre florestal pela Universidade de Évora.

Após uma brilhante exposição da sua tese, o júri atribuiu a mais que merecida nota 19 ao trabalho do Luís. Conhecendo o Luís como todos nós o conhecemos, este resultado não foi surpresa.

A Altri Florestal tem muita sorte em ter uma pessoa com as qualidades do Luís como colaborador, qualidades não só na área técnica que domina, mas também qualidades humanas que fazem do Luís o colega extraordinário que é.

Luís: os meus parabéns pelo trabalho.

Henk Feith

PS: o conteúdo da tua tese merece ampla divulgação, e desafio-te a começar aqui, no nosso blogue!

1 de outubro de 2014

A Altri Florestal na Assembleia Geral do FSC IC


A Altri Florestal, participou pela primeira vez como membro internacional, na Assembleia Geral do FSC IC em Sevilha.  

Foi uma oportunidade única para participar ativamente num processo decisório que impacta diretamente as nossas opções e decisões sobre a gestão florestal e sobre processos da cadeia de custódia.

Esta experiência, da qual guardamos as melhores recordações, serviu para a Altri Florestal estabelecer contactos com os seus pares na câmara económica e perceber de viva voz as preocupações e expectativas dos membros da câmara ambiental e social.  

Em conjunto com a CELPA, a Altri Florestal apresentou três moções que, durante o processo de negociação, que decorreu antes da votação, decidiu retirá-las da mesma para não prejudicar a discussão das suas ideias e sugestões em futuros grupos de trabalho e revisões normativas.

Boletins de voto da Altri Florestal
Para além da participação na apresentação e discussão de moções na Assembleia Geral, a Altri Florestal foi convidada a partilhar a sua experiência num side-meeting dedicado à gestão de conflitos.

A partir de uma situação de crise ocorrida no passado com a certificação da gestão florestal , a Altri Florestal apresentou a sua análise de causas sobre a forma como as várias partes interessadas geriram o conflito e, destacou a importância da mediação, que embora tenha sido informal, ocorreu efetivamente por parte do FSC Portugal. Como conclusão deste evento ficámos agradados com o consenso generalizado sobre a necessidade de formalizar este papel de mediação por parte do FSC IC para com os seus representantes nacionais.

Participação da AF - Side Meeting "Managing conflicts"
A nossa apresentação destacou também as falhas de comunicação entre os vários intervenientes e a forma como a nossa empresa ultrapassou e aproveitou a situação de crise para repensar os seus processos de envolvimento e comunicação com as partes interessadas.

19 de agosto de 2014

Seminário "A Floresta e a Apicultura"

O Município de Penela, a Junta de Freguesia do Espinhal e a Serra Mel irão promover o VIII Seminário Florestal, Subordinado ao Terma “A Floresta e a Apicultura” que decorrerá no dia 6 de Setembro de 2014, integrado na XXV Feira do Mel do Espinhal com o objetivo de contribuir para a formação especializada dos agentes do setor e para a definição de estratégias para o desenvolvimento sustentável e, valorização dos produtos da colmeia de qualidade.

23 de julho de 2014

Feira Nacional de Agricultura 2014 (Parte II)

Tal como tinha prometido venho mostrar-vos mais conteúdos sobre a participação da Altri em parceria com a AIFF e seus associados na Feira Nacional de Agricultura de Santarém.

Consideramos que a mensagem transmitida pelos vários parceiros deste desafiante projeto de comunicação foi marcadamente positiva e demonstrou a interação entre a Floresta e os produtos que dela usufruímos no nosso dia-a-dia.

Como exemplo, relato-vos o sucesso da atividade de pintura para crianças em pasta de papel(dinamizada pela Altri) que, em 9 dias, as crianças que visitaram o espaço "A Floresta coMvida" pintaram cerca de 700 folhas de pasta de papel !!

Atividade "Vem pintar a Floresta"

Para melhor ilustrar a mensagem transmitida pelo conceito "A Floresta coMvida", nada melhor que um pequeno filme sobre a feira realizado pela AIFF.

17 de julho de 2014

Instacork: instantes sobre tiragem de cortiça


A Altri Florestal tem sob sua gestão cerca de 3440 hectares de sobreiro. A maior parte desta área é formada por montados de sobro, tendo como um dos seus objetivos a produção de cortiça, que se encontra no âmbito dos nossos certificados de gestão florestal (FSC® e PEFC), tal como a madeira de eucalipto. O presente ano é particularmente intenso em tiragens de cortiça, o que tem provocado um maior foco de atenção nos montados, não apenas dos colegas da Direção de Produção, cujo carinho e dedicação por estas áreas é permanente, mas também de outros colaboradores temporários ou até menos prováveis.

Seguem alguns instantes, em fotografias e testemunhos na primeira pessoa.

Pormenores da cortiça extraída
 
«Tive oportunidade de acompanhar esta atividade numa manhã. O descortiçamento em si é feito por tiradores com elevada experiência, de modo a não se danificarem as árvores. Não menos importante é o trabalho das “ajuntadeiras” que, como o nome indica, juntam a cortiça em montes para posteriormente serem carregadas para o trator. A cortiça é rechegada para um carregadouro, onde é preparada e arrumada, para daí ser transportada para a indústria. Tudo parece simples nesta cadeia de trabalhos, mas na verdade tudo é fruto de vários anos de evolução de um trabalho ancestral, muito português.»
 Rita Santos (mestranda ISA)

 
 Momentos do descortiçamento de um sobreiro


«Considero que o trabalho de campo é muito importante para a minha atividade profissional, pois permite-me sentir aquilo que passa virtualmente pelas minhas mãos! Tive recentemente oportunidade de percorrer caminhos, montes e vales de algumas propriedades e ver ao vivo as diferentes ocupações, que habitualmente observo em gabinete, com recurso à fotografia aérea. O destino foi Casal dos Arcos, onde estava a ser feito o descortiçamento, uma atividade que eu desconhecia. Nada como ver “in loco” este trabalho minucioso, mas duro fisicamente, para se dar o devido valor a todos os objetos de cortiça que nos passam pelas mãos no nosso dia-a-dia. Fantástico!»
 Julieta Sousa (operadora SIG da Altri Florestal)

 O "pai de todos" do Casal do Arcos, segundo José Marcos da Fonseca

5 de julho de 2014

Plantar eucaliptos na Suiça ou a má fama deles

Floresta suíça
Mudei de casa recentemente. Um dos colaboradores da empresa de mudanças, algures no meio dos trabalhos, perguntou qual era a minha profissão.
"Engenheiro florestal" respondi.
Ele riu-se um pouco. Estranhei e, para enquadrar melhor, acrescentei que trabalhava para a indústria de celulose.
"Isto é dos eucaliptos?" indagou com rapidez.
Nem tive tempo de responder.
"Ah, essas árvores são muito más! O que é bom é plantar carvalhos e sobreiros! Devem plantar carvalhos e sobreiros."
A minha experiência nestas situações ensinou-me que é bom manter uma certa calma.
"Olhe - respondi - concordo consigo que é importante haver também carvalhos e sobreiros."
Ele não se deixou desviar e continuou: "Fazem muito mal essas árvores! Vão mas é plantar eucaliptos na Suíça!"
Mantive a minha calma: "Não dá, faz muito frio na Suíça. Os eucaliptos não suportam esse frio."
"Estados Unidos!" O homem era determinado. "Vão plantar nos Estados Unidos!"
A minha resposta foi no mesmo sentido. O meu interlocutor não ficou muito impressionado e lá voltou ao trabalho de trazer as minhas coisas da camioneta.
Fiquei a pensar sobre o que aconteceu. Estou habituado a ter de responder perante críticas ao eucalipto, de pessoas normalmente tão convencidas como mal-informadas sobre a cultura do eucalipto e seus impactos ambientais e sociais. Decidi não deixar o assunto cair.
No fim das mudanças conversámos um pouco, e disse-lhe estar surpreendido com tão firme opinião sobre os eucaliptos. Ele voltou a sorrir e apercebi-me que já não estava tão empolgado como antes. Disse-lhe que, da próxima vez que fosse à casa de banho e usasse papel higiénico, devia pensar um pouco donde vinha esse papel.
O colega desse homem juntou-se à conversa: "Ah, é de eucaliptos que é feito o papel higiénico?"
"Sim - respondi - tal como muitos outros produtos que usamos todos os dias."
"Então, mas acha mesmo que eles não fazem mal?"
"Acho. Sabe, o que faz mal são eucaliptais mal geridos. Esses sim, fazem mal. Tal como plantações mal geridas de outras espécies, como carvalhos e sobreiros."
O primeiro homem olhou para mim e disse-me: "Olhe, plantei este ano sete eucaliptos!"
Incrédulo, perguntei-lhe: "Então afinal também planta eucaliptos?"
"Sim. A minha ideia é de plantar todos os anos 7 eucaliptos num terreno que eu tenho. Assim, daqui a poucos anos, vou ter todos os anos uns eucaliptos para cortar e que me vão dar lenha para a lareira!"
"Pois - respondi - o eucalipto também dá boa lenha."
"O eucalipto tem mas é muita má fama, não tem?" comentou o segundo homem.
"É verdade - concordei - tem de facto má fama. Foram cometidos erros no passado com a plantação de eucaliptos, e ficou a ideia da árvore malévola na cabeça de muita gente."
"É como os polícias! - disse o primeiro - também têm má fama sem razão! Sabe, sou polícia reformado e sei o que é isso da má fama. Os polícias são bons, precisamos deles e mesmo assim têm má fama!"
"Então é um pouco como os eucaliptos." respondi em tom de conclusão.
Despedimo-nos com um sorriso rasgado.

13 de junho de 2014

A Altri na Feira Nacional da Agricultura

Pela primeira vez a Floresta e as principais fileiras industriais que dela dependem fizeram-se representar através da AIFF (Associação para a Competitividade das Indústrias da Fileira Florestal) num espaço inovador, que pretendeu demonstrar a riqueza ambiental e social da Floresta e também o seu contributo para a economia nacional.

Num espaço ao ar livre, foi recriado o ambiente de um trilho florestal e criaram-se um conjunto de atividades para que o público mais jovem se relacionasse com os produtos florestais (pasta, papel, cartão , madeira e cortiça), através do fabrico artesanal de papel e da utilização de folhas de pasta para que as crianças soltassem a sua imaginação e pintassem o que viam na floresta.

A Floresta coMvida - Entrada do espaço AIFF
Da parte da Altri Florestal o nosso compromisso com a ideia foi imediato e, em forma de balanço (2 dias antes do encerramento da feira) podemos afirmar que a presença do sector florestal, de uma forma unida, permitiu transmitir uma mensagem positiva da floresta, criadora de emprego, capaz de salvaguardar os valores naturais e com um forte impacto no crescimento económico através dos produtos florestais presentes no nosso dia-a-dia. 

Deixo-vos algumas imagens do espaço AIFF e do stand da ALTRI. Voltarei a este tema com mais fotos sobre os últimos dois dias da feira.

Stand Altri

Stand Altri

Pormenor da Floresta 

20 de maio de 2014

Visita de campo - controlo do gorgulho do eucalitpo

A Altri Florestal, em parceria com o ICNF, promoveu na passada terça feira, dia 13 de Maio, uma visita de campo em Tondela, com o objetivo de divulgar às organizações de produtores florestais as formas de deteção e controlo da praga – gorgulho do eucalipto. 


Abordaram-se, entre outros aspetos, a ecologia da praga, e os indicadores no povoamento que fornecem ao gestor florestal a capacidade de decidir o momento e os meios mais eficazes para o controlo da praga. Foi apresentado o método de controlo químico,  focando essencialmente os aspetos de segurança dos operadores, os cuidados ambientais e a demonstração da técnica utilizada (aplicação em ultra-baixo volume).

A empresa Silvokoala realizou a demonstração (utilizando água) da aplicação do tratamento químico no controlo das populações de gorgulho do eucalipto.





Agradecemos a presença e o interesse de todos os participantes!

10 de maio de 2014

Trabalho na pradaria ou a vegetação herbácea competidor

Plantação em Monte Madraço - Crato
É sabido o rápido desenvolvimento da vegetação herbácea em certo tipo de solos. Com elevada pluviosidade e as primeiras semanas de calor "é vê-las crescer". Este fenómeno é um problema de gestão bastante sério em plantações e fases iniciais do desenvolvimento do eucaliptal, em que esta vegetação proporciona uma competição feroz com as plantas de eucalipto. Para garantir o sucesso das plantações, é fundamental que esta vegetação seja controlada, mecanicamente ou quimicamente.

No entanto, há momentos em que o desenvolvimento da vegetação herbácea não deixa de surpreender, como é o caso de uma área plantada em Monte Madraços, na zona de Crato, como se pode ver na fotografia acima. Em poucas semanas, a vegetação herbácea passou de uma altura de um palmo de mão até atingir um metro, ultrapassando e tapando as plantas de eucalipto (sim, a área na foto está plantada com eucaliptos!). Esta vegetação está a ser controlada mecanicamente, para salvaguardar as plantas de eucalipto e seu desenvolvimento.

28 de abril de 2014

Roupa FSC feita de madeira de eucalipto


"Unlike most cotton, which requires substantial pesticide use, tree-fiber fabrics from FSC certified forests are made from sustainable and renewable resources. TENCEL® and MONOCEL® are made of FSC certified eucalyptus and bamboo respectively. They are soft, lightweight and are optimal for jerseys, knits and woven fashion garments.

"

Leia mais nesta notícia.

11 de abril de 2014

Monitorização e controlo biológico

O inicio da Primavera, é um período de grande atividade biológica, a temperatura média diária aumenta e os gorgulhos realizam as suas posturas nas denominadas ootecas (bibliotecas de ovos). O planeamento do controlo químico requer uma monitorização rigorosa da presença das ootecas e do aparecimento das larvas de Gonipterus  no povoamento.

Esta avaliação, coordenada com a previsão das condições climatéricas e com a logística operacional dos aplicadores, desencadeia o inicio dos tratamentos.

Aproveitando a mesma visita acompanhámos uma das principais atividades da linha de trabalho relacionada com o controlo biológico da praga - a largada do parasitoide Anaphes inexpectatus.

Colocação das ootecas provenientes de laboratório

As ootecas parasitadas pela pequena "vespinha" são colocadas num suporte colocado num ponto central do povoamento e são recolhidas periodicamente várias ootecas presentes nas árvores para avaliar o grau de parasitismo.

Monitorização das ootecas 
A expectativa da equipa da Altri Florestal é que estas nossas amigas "vespinhas", aproveitem o ar primaveril e partam em busca de mais ootecas para controlar as populações do gorgulho do eucalipto.


8 de abril de 2014

Seminário sobre o gorgulho do eucalipto

O gorgulho do eucalipto (Gonipterus platensis) é um dos insetos fitófagos do eucalipto com maior importância económica a nível mundial, pelos prejuízos intensos que tem provocado nos vários locais onde está presente.


ICNF, em colaboração com a DGAV, o INIAV, a CELPA e a Câmara Municipal de Penela, vai realizar, no dia 22 de abril de 2014, no Auditório Municipal de Penela, o Seminário sobre o gorgulho do eucalipto, onde será divulgado o estado da praga em Portugal, e os meios de luta em desenvolvimento e disponíveis para o seu controlo.



A inscrição é gratuita, mas obrigatória, até ao dia 15 de abril.
Mais informação aqui.

3 de abril de 2014

Controlo do gorgulho do eucalipto

A Altri Florestal irá promover no dia 7 de abril, pelas 10h no Auditório Municipal de Castelo de Paiva uma sessão de esclarecimento sobre meios de luta no controlo do gorgulho do eucalipto  (Gonipterus platensis) onde será aborado, entre outros, o tema do controlo químico.
Este evento conta com o apoio da Associação Florestal do Vale do Sousa.



Todos os interessados são bem vindos!

19 de março de 2014

Dia Mundial da Protecção Civil


Stand da AFOCELCA
O Dia Mundial da Protecção Civil, é comemorado todos os anos a 1 de Março, dia em que entrou em vigor a Constituição da Organização Internacional de Protecção Civil – OIPC, também conhecida pela sigla anglo-saxónica ICDO (International Civil Defence Organisation), com sede em Genebra.
Para assinalar esta data a Câmara Municipal de S. Tirso, organizou um conjunto de iniciativas nos dias 28 de Fevereiro a 1 de Março, envolvendo os agentes de proteção civil e diversas entidades, como a PSP, GNR, corporações de bombeiros, Cruz Vermelha, o Centro Hospitalar do Médio Ave, entre outras.
 
Estes eventos são uma ferramenta importante de sensibilização da população para a importância da adoção de comportamentos de autoproteção, numa lógica de promover uma cultura de segurança.
Como não poderia deixar de ser, a AFOCELCA também esteve representada neste evento a convite do Município de Santo Tirso, o que é revelador da importância que esta organização tem vindo a ter nos Planos Nacionais, Regionais e Municipais de defesa da floresta contra incêndios(DFCI).
Nesta comemoração foi possível dar a conhecer o posicionamento desta força no combate a incêndios florestais, assim como a sua missão, estratégia e objectivos. Foi ainda possível ter a presença de uma ECT (Equipa de Combate Terrestre) em representação da estrutura operacional, demonstrando assim parte do equipamento que dispomos e com o qual participamos, com as restantes forças, nos diversos Teatros de Operações.
Neste contexto parece-me ser importante dar também neste espaço um contributo para o maior conhecimento da missão desta força, assim sendo:
A AFOCELCA é um agrupamento complementar de empresas do grupo ALTRI e grupo Portucel Soporcel, que com uma estrutura profissional tem por missão apoiar o combate a incêndios florestais nas propriedades das empresas agrupadas, em estreita coordenação e colaboração com a Autoridade Nacional de Proteção Civil.

28 de fevereiro de 2014

Envolvimento de partes interessadas - um caso prático

Ninho de águia-calçada com duas crias, no eucaliptal da Altri Florestal (2013)

Envolvimento de Partes Interessadas. Está na moda, sem dúvida. Conforme a versão inglesa da Wikipedia, trata-se de: "Stakeholder engagement is the process by which an organisation involves people who may be affected by the decisions it makes or can influence the implementation of its decisions. (...) Companies engage their stakeholders in dialogue to find out what social and environmental issues matter most to them about their performance in order to improve decision-making and accountability."

A floresta é um espaço natural complexo e multifacetado, em que o nosso conhecimento é sempre limitado. Por esse motivo, temos vindo a colaborar com várias especialistas em diversas áreas de conhecimento, por iniciativa e necessidade nossa.

Ao mesmo tempo, acontece que somos contactados por pessoas que visitam as nossas áreas florestais, e que nos colocam as mais diversas questões, frequentemente motivados por preocupações reais, que procuramos atender e incorporar na nossa gestão.

Muitas vezes, estas pessoas têm conhecimento de valores e ativos naturais desconhecidos por nós e o nosso envolvimento com essas pessoas acaba por trazer benefícios para a gestão florestal, incorporando parte desse conhecimento.

Um bom exemplo é o nosso envolvimento com observadores de aves, que nos informam sobre áreas de reprodução, nomeadamente de rapinas florestais, espécies bastante sensíveis a perturbação do processo de nidificação por operações florestais.

Na semana passada, voltamos a visitar um povoamento de eucaliptos em Constância com Nuno Mota, um observador de aves que se especializou na localização e proteção de ninhos de rapinas florestais na região de Médio Tejo e com o qual a Altri Florestal tem mantido uma colaboração regular já há algum tempo. O povoamento está no plano de cortes deste ano, e era sabido que no seu interior há várias espécies de rapinas a nidificar: açor, águia-calçada, gavião e água de asa redonda.

Na visita foi avaliada a ocupação dos locais de nidificação conhecidos no povoamento, e esse resultado foi posteriormente incorporado no planeamento do corte. Desta forma é possível evitar perturbação dos processos de nidificação destas aves, tão emblemáticas dos nossos eucaliptais.

É através deste envolvimento que a Altri Florestal consegue melhorar a sua gestão florestal, conciliando os objetivos de produção de madeira com a salvaguarda dos valores naturais presentes nos nossos eucaliptais.

20 de fevereiro de 2014

Fertilização do eucalipto

Que adubos utilizar, quanto, quando, de que modo aplicar e se vale a pena fertilizar  as plantações de eucalipto, são as questões mais frequentes da grande maioria dos produtores florestais.

Não existem dúvidas sobre a importância de uma boa fertilização para o sucesso das plantações e para a garantia da produção lenhosa e rentabilidade do investimento. As respostas às questões referidas, dependem do caso concreto, do potencial do material genético, das condições de solo e clima, da disponibilidade de água no período de crescimento e da gestão da plantação, nomeadamente no que respeita ao controle de infestantes.

Uma abordagem expedita que a Altri Florestal utiliza é a que consta no folheto de Fertilização que pode descarregar neste blogue. Usamos também um modelo de apoio à fertilização, que considera o balanço de nutrientes, ou seja a diferença entre o que o povoamento necessita ao longo da sua vida, considerando a reciclagem,  e a quantidade que o solo teoricamente tem capacidade para fornecer.

A tabela seguinte serve de orientação à recomendação de fertilização para os primeiros 4-5anos anos da plantação de eucalipto, mas deve ser utilizada com a informação de análise de solos e monitorização do desenvolvimento da plantação:

Volume
(m3/ha)
Adubação a repartir em várias aplicações
N
P2O5
K2O
B
(kg/ha)
120
60
60
50
2,8
180
80
60
60
3,5
240
100
75
75
4

Adubação de instalação (à plantação, de fundo)
 A adubação de instalação é essencialmente à base de fósforo, sendo menos rica em azoto, podendo optar-se por:
1)  Adubo de libertação lenta (30g/planta) no fundo da cova e Superfosfato 18% (150 a 200g/planta) em duas covas laterais.
2)  Adubo NPK tradicional, 1:3:1 ou 1:5:1 (150 a 200g/planta), em duas covas laterais, no momento da plantação ou uma semana após a plantação. Com esta adubação deve ser dada atenção à distância de colocação do adubo, que deve ser enterrado e distante cerca de 20cm da planta para que esta não sofra o risco de queima.
3) Combinação entre (1) e (2): adubo de libertação lenta (15 g), com a colocação à plantação, e adubo tradicional (150 g), algumas semanas depois, quando o período de plantação é muito reduzido.

Adubação de cobertura
Efetuada entre o 1º e 2º ano com adubo azotado, podendo também conter P2O5, K2O e B (150 a 200 kg de adubo tipo 20 unidades de N; 0 unidades de P2O5; e 0 unidades de K2O ou 20N; 10 P2O5 ,10 K2O com ou sem boro, ou similares). A aplicação deve ser na projeção da copa e incorporado no solo, por exemplo com uma gradagem posterior à adubação.

Entre o 3º e 5º ano, em geral é feita uma adubação com adubo azotado (por exemplo N22%), 180 a 250 kg/ha, contendo 1% de boro. A aplicação deve ser a lanço e incorporado no solo. Em solos mais pobres, esta adubação deverá ser repetida ao 7º ou 8º ano.

Os adubos, em geral fornecem cálcio e enxofre, elementos também muito importantes para o bom desenvolvimento das plantas.

Adubação da talhadia
Como o sistema radicular já instalado, a adubação é essencialmente à base de azoto, podendo adicionar-se outros nutrientes, tais como o boro. As quantidades a aplicar são semelhantes à 1ª rotação, sendo a 1ª adubação efetuada  em geral antes da  seleção de varas de modo a promover um bom desenvolvimento das toiças.

A importância da adubação de instalação é ilustrada pelas fotografias aqui apresentadas, tiradas em duas fases de desenvolvimento do povoamento, localizado numa região com precipitação média de cerca de 1900mm e com solo profundo e rico em matéria orgânica.



Fotografia 1 – Plantação com 3 meses de idade.   A linha do meio não foi adubada 
Fotografia 2 - As mesmas linhas de plantação da Fotografia 1, ao 3º ano


 Fotografia  da esquerda sem adubação à plantação, apresentando deficiências nutritivas e fraco crescimento; fotografia da direira- plantas adubadas à plantação, apresentando-se com vigor e excelente crescimento.

Após 3 anos de idade,  as plantas não recuperaram da falta de adubação tendo ficado dominadas, com sinais evidentes de deficiência de nutrientes e da competição exercida pelas plantas adubadas.

Assim, podemos concluir, que mesmo em solos ricos em matéria orgânica, a adubação de fundo, à plantação, é essencial para o desenvolvimento homogéneo e equilibrado das plantações de eucalipto, não só por impulsionar o crescimento inicial das raízes, fundamental para a colonização do solo e assim aproveitar melhor os recursos de água e nutrientes, como também contribui para o desenvolvimento de folhas que captam a fonte de energia para produção. Uma boa adubação tem ainda o efeito de aumentar a sobrevivência das jovens plantas, contribuindo para a homogeneidade do povoamento e domínio das infestantes. 

De facto, um outro fator muito importante a considerar, é o controlo das ervas daninhas durante pelo menos o primeiro ano de vida do povoamento.  

A fertilização com os nutrientes adequados tem também efeito benéfico contra pragas, doenças e stresse abiótico, como secura e frio.


14 de fevereiro de 2014

Prova de amor


Em dia dos namorados deixo-vos aqui uma prova do amor entre dois sapos corredores. São ovos depositados num charco temporário numa propriedade da Altri Florestal em Vendas Novas. Parabéns M.J. pelas fotos e pelo achado.


Imagem retirada daqui

13 de fevereiro de 2014

O problema das infestantes em plantações de eucalipto

A presença de infestantes nas culturas agrícolas ou florestais é considerada um dos maiores problemas no estabelecimento das culturas e garantia de sucesso das suas produções.

A competição por água e nutrientes é mais significativa em regiões onde a água é um fator limitante e quando os solos são pobres em matéria orgânica e nutrientes, sendo nessas circunstâncias que deve ser dada maior atenção ao seu controle.

Plantação com 3 meses, dominada por infestantes
Os resultados das operações manuais e mecânicas para o controlo de infestantes (sacha e gradagem) revelam-se pouco eficazes, havendo necessidade de aplicar um herbicida pré-emergente.

A Altri Florestal, pretende solicitar assim uma autorização extraordinária ao FSC para o uso controlado do herbicida Goal Supreme e, para o efeito, gostaríamos de ouvir a sua opinião.

Colocamos à disposição um conjunto de informações que justificam o nosso pedido de autorização, bem como, o detalhe sobre o produto fitofarmacêutico(rótulo e ficha de segurança).
 
Os comentários/sugestões a este pedido deverão ser remetidos para a Altri Florestal (altriflorestal@altri.pt) durante os próximos 45 dias.