18 de abril de 2013

Nova praga do eucalipto em Portugal

Foi detetada recentemente em Portugal a presença de um novo inseto causador de danos no eucaliptal. Trata-se de um agente sugador originário da Austrália cujo nome comum é percevejo bronzeado do eucalipto (Thaumastocoris peregrinus).
Thaumastocoris peregrinus: ovos, ninfas e adultos

Este fitófago suga o conteúdo celular das folhas e reduz a capacidade fotossintética da planta levando à seca e à queda das folhas. O seu nome provém da cor "bronze" que deixa nas folhas. Em casos de densidades populacionais elevadas, em espécies de eucaliptos susceptíveis à praga, os danos causados podem resultar na morte das árvores.

T. peregrinus em folhas de eucalipto

Desfolhas em Eucalyptus urograndis
O percevejo bronzeado do eucalipto está presente em vários países da América do Sul (Argentina, Chile, Brasil e Uruguai) e na África do Sul. Na Europa o percevejo bronzeado foi detetado em Itália em 2011, causando danos severos. Em Portugal foi encontrado pontualmente na região de Lisboa, no arboreto de espécies do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e em eucaliptos do Jardim Zoológico. Em algumas árvores pertencentes ao arboreto os danos já se revelaram significativos.

Esta praga é atualmente considerada a mais danosa para os povoamentos de eucalipto, principalmente para as espécies E. camaldulensis, E. nicholli, E. scoparia, E. tereticornis, E. viminalis, E. nitens e E. benthamii. No entanto tem-se constatado que o percevejo bronzeado é muito polífago e que ameaça também os povoamentos de Eucalyptus globulus, que é a espécie mais comum em Portugal. 

No Brasil e no Uruguai já foram iniciados os primeiros passos na via de controlo biológico, com largadas do inimigo natural Clercoides noackae (Hymenoptera: Mymaridae) ver artigo. Outros meios de controlo utilizados em alguns países onde este inseto é uma ameaça têm sido a aplicação aérea e injeção no tronco de inseticidas e bioinsecticidas.


É importante acompanhar a evolução das densidades populacionais em Portugal e avançar com medidas mitigadoras o quanto antes. Dado que a instalação desta nova espécie em Portugal ainda está numa fase inicial e que as suas populações se restringem a uma pequena área, será importante concentrar esforços, reunindo as entidades oficiais e privadas para combater os focos de Thaumastocoris peregrinus atualmente existentes.

Agradecemos que qualquer indício de presença do percevejo bronzeado do eucalipto nos seja reportado para o endereço de email areis@altri.pt.


(Fotografias gentilmente cedidas por Carlos F. Wilcken)





20 comentários:

  1. Abençoado! Quem venham muitos!

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  2. Portugal serà sempre o ùltimo a receber os benefícios a que tem direito.!!!! E esses benditos parasitas vão ainda acabar por não atigirem os seus objectivos ao contràrio de outros parasitas que predominam numa certa Assembleia.!!!!!! Os eucaliptos seriam uma fonte de riqueza sustentàvel, se estes ultimos parasitas legislassem para criar zonas de cultivo controladas para o Eucalipto, e designà-lo como espècie daninha com obrigação de abate em zonas não autorizadas...mas para fazer uma lei é preciso trabalhar ..e os parasitas só pensam em comer. Quem està aí para me apoiar ? Eu sou do Pisão de Barcouço onde terras de lavoura jà foram infestadas .

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    1. Caro,

      Relativamente à sua afirmação sobre a criação de zonas de cultivo controladas para o Eucalipto, gostaria de perguntar-lhe que áreas, no seu entender, seriam mais adequadas para a arborização com eucalipto e quais as áreas onde com base num ordenamento florestal seriam desadequadas à espécie. No caso da sua zona, como em tantas zonas do país, onde as terras agrícolas tem deixado de ser agricultadas, é manifestamente difícil a qualquer legislador influenciar ou condicionar a vontade individual de cada proprietário em tentar obter rendimento do seu património.
      Cumprimentos

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    2. Ao senhor Pedro Serafim:

      Parece de todo oportuno afirmar que todas as zonas de agricultura mesmo que abandonadas sejam obrigatoriamente para ser agricultáveis e não florestaveis por uma espécie como o eucalipto. Mas talvez o senhor trabalhe na industria papeleira, industria que eu admiro por certo, no entanto gostaria de saber porque que tais industrias "abandonam" as propriedades ao fim de "x" anos de exploração? Será que os terrenos deixam de ser produtivos o suficiente para já não lhes interessar em manter contratos de arrendamento? Pensemos nisso!

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    3. Caro Anónimo,

      Antes de tudo deixa-me agradecer o seu interesse mostrado na silvicultura do eucalipto. É seguramente uma das razões para a Altri Florestal de manter um blogue sobre as suas florestas e operações florestais, permitindo uma comunicação direta e objetiva sobre os mais diversos assuntos.

      Indo ao encontro da sua observação sobre o abandono dos eucaliptais após alguns cortes, posso-lhe dizer que isto não é prática comum e acontece somente em situações muito esporádicas.

      Como é sabido, a terra disponível para a cultura do eucalipto é um bem escasso e de difícil substituição, pelo que é de todo importante manter os eucaliptais produtivos, mesmo após alguns cortes.

      Um eucaliptal é gerido em regime de talhadia, tal como outras espécies como choupo ou salgueiro. Isto é devido à sua capacidade de regenerar a partir da toiça após corte, dando origem a novas varas. Por isso, a vida produtiva de um eucaliptal em produção é composta por várias rotações.

      Acontece que em cada corte, há sempre alguma mortalidade nas toiças. Esta mortalidade, que poderá ser significativa, depende de variáveis ambientais (secura e encharcamento), variáveis meteorológicas (geadas) e culturais (má prática de corte, como a época em que é realizado).

      Com o passar das rotações, a densidade de toiças vivas vai baixando, em função dessa mortalidade. Quando essa densidade atinge valores abaixo dos 500 toiças por hectare, a produtividade do povoamento começa a ficar comprometida. A solução para esta quebra na produtividade é a replantação do eucaliptal, em que não só se vai repor a densidade adequada, mas onde são também corrigidos aspetos do ordenamento do povoamento e em que há oportunidade de introduzir plantas geneticamente melhoradas, que perspetivam melhorias de produtividade.

      Porém, o investimento na reflorestação é bastante avultado, pelo que só poderá haver retorno desse mesmo rendimento quando a produtividade esperada após plantação seja suficientemente elevada. Se isto não se verificar, esta opção é economicamente inviável. Nessa circunstância, o povoamento poderá ser conduzido em regime de baixo investimento, tendo em conta a baixa produtividade esperada, ou então reconvertido para outras ocupações.

      A questão dos arrendamentos é outra. Arrendamentos são acordos de longo prazo entre proprietários de terreno florestal e entidades que se dedicam à gestão e produção florestal, como é o nosso caso. Quando um contrato de arrendamento chega ao seu termo, normalmente após um período de 24 anos, este contrato é renovado se isto é do interesse de ambas as partes envolvidas. Acontece, como em qualquer processo de negociação, nem sempre as partes chegam a um novo acordo e a propriedade deixa de ser gerida pelo gestor anterior.

      No entanto, isto não quer dizer que o povoamento é abandonado, porque normalmente é encontrada uma outra entidade que queira assumir a gestão dele, por vezes até o próprio proprietário.

      Espero ter respondido à sua questão. Caso queira colocar novos perguntas, esteja à vontade que estamos aqui para as responder.

      Com os meus melhores cumprimentos,

      Henk Feith
      Diretor de Produção

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    4. Nota-se que é muito conhecedor dos aspectos técnicos da produção do eucalipto, mas parece-me ignorar os efeitos ambientais e catastróficos que as monoculturas de eucalipto possuem para o património ambiental e social português.

      Após vários anos de plantio de eucalipto em regime de monocultura os recursos aquíferos são bastante afectados, o nível de nutrientes e matéria orgânica dos solos fica bastante reduzido o que impossibilita a reconversão dessas áreas em futuros terrenos agrícolas férteis ou mesmo em zonas florestais sustentáveis e que possuem flora nativa mediterrânica, isto sem falar dos danos à biodiversidade florestal ao nível da fauna e flora. O futuro pós-eucaliptal é por e simplesmente catastrófico e onde antes existia floresta autóctone equilibrada, rica e biodiversa, passará a existir um deserto verde de eucaliptos em que pouquissimas espécies vegetais e animais têm condições para prosperar.

      Tudo isto acontece para o emprego de 3 mil pessoas em Portugal, para que os lobbies da industria do papel continuem a prosperar com base na exploração insustentável de recursos que são de todos, como os solos, a água e os ecossistemas. È tempo de tecnocratas como você repensarem a relação do homem com a natureza, compreendendo que existem formas mais eficazes sustentáveis de alcançar lucros sem destruir um património que pertence a todos e que era importante deixarmos disponível para as próximas gerações.

      Pedro Miguel, especialista em Agrofloresta e Agricultura Regenerativa

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    5. Nota-se que é muito conhecedor dos aspectos técnicos da produção do eucalipto, mas parece-me ignorar os efeitos ambientais e catastróficos que as monoculturas de eucalipto possuem para o património ambiental e social português.

      Após vários anos de plantio de eucalipto em regime de monocultura os recursos aquíferos são bastante afectados, o nível de nutrientes e matéria orgânica dos solos fica bastante reduzido o que impossibilita a reconversão dessas áreas em futuros terrenos agrícolas férteis ou mesmo em zonas florestais sustentáveis e que possuem flora nativa mediterrânica, isto sem falar dos danos à biodiversidade florestal ao nível da fauna e flora. O futuro pós-eucaliptal é por e simplesmente catastrófico e onde antes existia floresta autóctone equilibrada, rica e biodiversa, passará a existir um deserto verde de eucaliptos em que pouquissimas espécies vegetais e animais têm condições para prosperar.

      Tudo isto acontece para o emprego de 3 mil pessoas em Portugal, para que os lobbies da industria do papel continuem a prosperar com base na exploração insustentável de recursos que são de todos, como os solos, a água e os ecossistemas. È tempo de tecnocratas como você repensarem a relação do homem com a natureza, compreendendo que existem formas mais eficazes sustentáveis de alcançar lucros sem destruir um património que pertence a todos e que era importante deixarmos disponível para as próximas gerações.

      Pedro Miguel, especialista em Agrofloresta e Agricultura Regenerativa

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    6. Boa tarde Pedro Miguel,

      Permita-me o atrevimento, mas sou da opinião que sou bastante conhecedor dos impactes ambientais da cultura de eucalipto, não só pelo meu trabalho ao longo de duas décadas, mas sobretudo pela estreita colaboração que a minha empresa tem com vários dos melhores especialistas do país em termos de biodiversidade florestal e os impactes da nossa atividade nela.

      Se procurar nos artigos publicados no nosso blogue encontrará uma série de exemplos sobre essa colaboração e sobre o esforço que a Altri Florestal faz no campo da conservação e restauro da biodiversidade. Mas vamos às diversas afirmações feitas no seu comentário...

      A ideia das plantações de eucalipto esgotarem os recursos hídricos não tem qualquer suporte científico, e posso recomendar ler os estudos publicados pelo prof. Soares David do ISA. É um mito urbano. O que distingue o eucalipto de outras espécies é a sua notável eficiência no uso da água, permitindo crescimentos superiores a outras espécies, dispondo da mesma quantidade hídrica no solo. Estudos mostram que a evapotranspiração de um eucaliptal é igual ou inferior a um pinhal em circunstâncias idênticas.
      Em eucaliptais bem geridos, que é o nosso caso, é aplicado um regime de fertilização que visa repor ao solo a quantidade de nutrientes que saem através da madeira no momento do corte. Desta forma, o banco de nutrientes no solo não é afetado, permitindo uma produção sustentável.
      Em relação à matéria orgânica, novamente os estudos apontam para um efeito enriquecedor no solo, resultado de uma dinâmica grande do sistema radicular das árvores, cujas raízes finas e médias estão num processo permanente de morte e recrescimento. Essas raízes finas mortas não só proporcionam matéria orgânica ao solo, como melhoram a sua estrutura.
      Para quem anda no terreno, pode observar inúmeros exemplos de eucaliptais que foram, com muto sucesso, reconvertidos para outros usos do solo, não só florestais (como temos centenas de hectares no nosso património de eucaliptais reconvertidos para floresta autóctone para o comprovar) como agrícolas. Não há nada que mostra que um solo onde cresceu um eucaliptal durante décadas possa ter limitações para outros usos posteriormente.
      Como qualquer outra cultura intensiva, os níveis médios de biodiversidade em eucaliptais são relativamente baixos, não nego isso. No entanto, é sabido que os eucaliptais oferecem nichos para muitas espécies, tanto de fauna como flora, e novamente recomendo uma leitura dos vários posts sobre o tema no nosso blogue.
      Sabendo que a biodiversidade é relativamente baixa, a Altri Florestal dedica 10% do seu território (> 8 mil hectares) exclusivamente à conservação e restauro da biodiversidade e floresta autóctone e tem a felicidade de contar com várias áreas classificadas como Florestas de Alto Valor de Conservação.
      A cultura do eucalipto está consolidada em Portugal há mais de meio século, o que não reforça a tese da sua insustentabilidade. Mais, se fosse, como é que a maioria das florestas certificadas em Portugal pelos sistemas de certificação internacionais mais exigentes do mundo, o FSC e o PEFC, sejam eucaliptais?

      Se há outras formas maios eficazes sustentáveis de alcançar lucros na área de produção florestal, desejo toda a sorte a quem queira investir nessas formas, porque o que a nossa floresta mais precisa é pessoas a investir nela. Nós investimos à nossa maneira, profissional, responsável e transparente; estou desejoso de observar o trabalho de quem quer fazê-lo de outra forma, com maneiras próprias. Há uma grande vantagem, porque espaço para investir não falta, considerando os 2 milhões de hectares de floresta abandonados em Portugal. Por isso: mãos a obra e mostrem as soluções que têm para a floresta Portuguesa. Só deixo um aviso: é incomparavelmente mais difícil fazer obra do que criticar a obra de outros.

      Cps,

      Henk Feith
      Diretor de Produção da Altri Florestal

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  3. Se ele só destruir eucaliptos que venha essa praga em força!

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  4. Há por aí alguém que faça criação do bicho? Eu queria comprar alguns exemplares aqui para a minha zona...

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  5. o senhor pedro pereira tem noção da importancia do eucalipto no nosso PIB, no emprego que gera, nas exportações no rendimento de subsistencia que proporciona a pequenos detentores florestais? Com certeza que não. De certo a paisagem seria muito mais bonita só com flores mas as flores não nos dariam "PÃO" para vivermos sejamos compreensivos e tenhamos bom senso

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    1. Quero ver que PÃO é que vão comer os nossos netos. Não estou de acordo. Há inumeras rentabilidades opcionais... sem explorar e sem invasoras... O Eucalipto não é nem o caminho nem o futuro.

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  6. preciso ajuda para tratar os eucaliptos tem os picaros sem folhas

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    1. Bom dia Sr. José Silva,

      Obrigado pelo seu contacto. Para o poder ajudar, agradeço que nos contacte através do e-mail da empresa (altriflorestal@altri.pt), deixando os seus contactos.

      Obrigado,

      Henk Feith
      Diretor de Produção

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  7. Os eucaliptos são como os políticos, onde caem secam tudo!
    A longo prazo só trazem miséria.

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    1. Bom senso tenha o senhor, se acha que se fala desta espécie invasora contra por causa de uma paisagem bonita. Isto é ofensivo até! Serra de Monchique 74% Eucaliptos. Os seus netos vão agradecer-lhe muito um país deserto, sem biodiversidade. Se é em dinheiro que pensa informo-lhe que temos árvores que dão mais rendimento que o eucalipto a longo prazo, temos as melhores ervas aromáticas e medicinais, só ignorantes acham que flores é para beleza.Tenha bom senso e abra os olhos para o crime que estão a cometer, a tornar solo pobre sem biodiversidade. Jogadas de políticos. Que pensamento limitador retardado e pequeno.

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  8. Os eucaliptos são como os políticos, onde caem secam tudo!
    A longo prazo só trazem miséria.

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  9. TESTEMUNHOS INCONCLUSIVOS PRONUNCIADOS POR QUEM SABE POUCO À CERCA DISTO.

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  10. A minha moradia foi edificada num terreno onde existia um pinhal. Para a construir o empreiteiro cortou-o. Quando estava a fazer os alicerces, o dono do terreno ao lado também procedeu ao corte dos pinheiros e em sua substituição plantou um eucaliptal mesmo encostado a extrema, não dando qualquer espaço que, penso, seja obrigatório por lei de 20 metros. Infelizmente a ganância e falta de cultura e civismo imperam na nossa sociedade. A limpeza do terreno já não é feita há muito tempo, com o mato bem alto. Já alertei a Proteção Civil da Marinha Grande para a situação mas caiu em saco roto. Não estão para se incomodar. A noite de domingo para segunda foi passada em branco porque o fogo estava muito próximo mas felizmente não chegou aqui. Não tenho dúvida que as fábricas de papel são óptimas para o PIB mas plantar em "cima" das casas é muito mau. Gostaria ainda que a Quercos ou outros ambientalistas viessem ver a poluição na costa marítima de S. Pedro de Moel. Uma espuma amarela escura que toda a gente sabe de onde vem e as autoridades nada fazem para obrigar a empresa poluidora a parar de o fazer. Infelizmente o tal PIB é mais importante...

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