23 de abril de 2013

Novamente o açor a nidificar num eucaliptal



Exemplo de um ninho de açor num eucaliptal (foto de Nuno Mota)
Em fevereiro de 2012, foi descoberto um ninho de açor num eucaliptal, como foi relatado neste post.

O casal reproduziu com sucesso, apesar de ter mudado de ninho durante o mês de março, construindo um novo a poucas dezenas de metros do anterior, no mesmo eucaliptal. Este facto reforçou a opinião de que a espécie é muito flexível no processo de reprodução e escolha o local conforme as condições específicas. Inesperadamente, "deslocou" o ninho do interior do povoamento para junto da sua orla, onde curiosamente decorria um corte num eucaliptal vizinho. Aparentemente não se incomodou muito com os trabalhos lá em curso.

Esta experiência juntou-se a várias outras que revelam que rapinas florestais como o açor são menos exigentes no que diz respeito ao local de nidificação, ao contrário por exemplo das grandes águas (real, imperial e Bonelli). É sabido que alternam com frequência entre os ninhos disponíveis no seu território, às vezes porque são simplesmente corridos deles por outras espécies de rapinas.

Este ano o ninho voltou a ser ocupado e estamos esperançados que o casal tenha novamente sucesso reprodutivo. O povoamento faz parte do plano de cortes deste ano, e o planeamento temporal do corte foi adaptado de forma a não coincidir com o período de nidificação. Somente quando as crias são totalmente autónomas e independentes do ninho, avançaremos com o corte.

Não posso deixar de dedicar uma palavra de agradecimento ao Jorge Vicente, o voluntário que dedica muito do seu tempo à prospeção das florestas da região Oeste e que tem revelado a presença deste e outros ninhos que de outra forma seriam desconhecidos para nós. A Altri tem a sorte de poder colaborar com vários voluntários em diferentes regiões do país, que, através do seu esforço, nos permitem gerir melhor as nossas florestas.

18 de abril de 2013

Nova praga do eucalipto em Portugal

Foi detetada recentemente em Portugal a presença de um novo inseto causador de danos no eucaliptal. Trata-se de um agente sugador originário da Austrália cujo nome comum é percevejo bronzeado do eucalipto (Thaumastocoris peregrinus).
Thaumastocoris peregrinus: ovos, ninfas e adultos

Este fitófago suga o conteúdo celular das folhas e reduz a capacidade fotossintética da planta levando à seca e à queda das folhas. O seu nome provém da cor "bronze" que deixa nas folhas. Em casos de densidades populacionais elevadas, em espécies de eucaliptos susceptíveis à praga, os danos causados podem resultar na morte das árvores.

T. peregrinus em folhas de eucalipto

Desfolhas em Eucalyptus urograndis
O percevejo bronzeado do eucalipto está presente em vários países da América do Sul (Argentina, Chile, Brasil e Uruguai) e na África do Sul. Na Europa o percevejo bronzeado foi detetado em Itália em 2011, causando danos severos. Em Portugal foi encontrado pontualmente na região de Lisboa, no arboreto de espécies do Instituto Superior de Agronomia (ISA) e em eucaliptos do Jardim Zoológico. Em algumas árvores pertencentes ao arboreto os danos já se revelaram significativos.

Esta praga é atualmente considerada a mais danosa para os povoamentos de eucalipto, principalmente para as espécies E. camaldulensis, E. nicholli, E. scoparia, E. tereticornis, E. viminalis, E. nitens e E. benthamii. No entanto tem-se constatado que o percevejo bronzeado é muito polífago e que ameaça também os povoamentos de Eucalyptus globulus, que é a espécie mais comum em Portugal. 

No Brasil e no Uruguai já foram iniciados os primeiros passos na via de controlo biológico, com largadas do inimigo natural Clercoides noackae (Hymenoptera: Mymaridae) ver artigo. Outros meios de controlo utilizados em alguns países onde este inseto é uma ameaça têm sido a aplicação aérea e injeção no tronco de inseticidas e bioinsecticidas.


É importante acompanhar a evolução das densidades populacionais em Portugal e avançar com medidas mitigadoras o quanto antes. Dado que a instalação desta nova espécie em Portugal ainda está numa fase inicial e que as suas populações se restringem a uma pequena área, será importante concentrar esforços, reunindo as entidades oficiais e privadas para combater os focos de Thaumastocoris peregrinus atualmente existentes.

Agradecemos que qualquer indício de presença do percevejo bronzeado do eucalipto nos seja reportado para o endereço de email areis@altri.pt.


(Fotografias gentilmente cedidas por Carlos F. Wilcken)





13 de abril de 2013

Produzir é preciso - editorial newsletter Floresta Altri


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Portugal  atravessa um período de grande recessão económica e encontra-se no meio de uma crise que ultrapassa a dimensão do nosso país. As notícias socio-económicas falam-nos de falências, desemprego e quebras bruscas no poder de compra dos cidadãos.

Se há consenso, é sobre a necessidade imperiosa de aumentar a produtividade da economia Portuguesa, de re-equilibrar a balança comercial com o exterior e de criar valor a partir de recursos naturais endógenos ao nosso dispor.

A fileira de pasta e papel encaixa na perfeição nesta necessidade. Temos em Portugal espaços florestais abundantes para produzir a matéria prima para a indústria, temos produtores florestais disponíveis para investir na produção e proteção florestal, temos centros de investigação capacitados para encontrar soluções para os desafios que a floresta nos coloca, temos unidades fabris das mais competitivas do mundo e temos um produto de excelência, procurado pelos lideres mundiais dos sectores de papel de escrita e “tissue”.

A fileira Portuguesa de pasta e papel tem margem para crescer, para produzir e vender mais, para aumentar a sua criação de riqueza. No entanto, é do lado da oferta da matéria prima da indústria que encontramos o principal entrave ao crescimento da fileira. É urgente olhar para a produção florestal nacional e para as formas de a aumentar.

O dados do VI Inventário Florestal Nacional revelam um crescimento modesto da área de eucalipto em Portugal.  No entanto, a sua produtividade é bastante inferior à que potencialmente poderia ocorrer. O eucaliptal Português encontra-se envelhecido, mal ordenado e subaproveitado. As densidades são baixas e por consequência as produtividades também.

As reflorestações são não só urgentes como possíveis. As pragas e doenças obrigam a explorar novos materiais genéticos que começam a estar disponíveis. Temos os agentes da fileira disponíveis para investir ou para apoiar quem quer investir. Portugal tem condições para produzir muito mais e pode reduzir em muito a necessidade da indústria de complementar a oferta nacional de madeira com madeira importada.

A renovação do eucaliptal Português merece ser um desígnio nacional. É uma oportunidade de modernizar os sistemas florestais, de adequá-los às exigências do futuro, não só em termos de produtividade mas também em termos de sustentabilidade social e ambiental, com fomento de emprego e de promoção da biodiversidade, permitindo a sua valorização através da certificação florestal. Apesar da área certificada ter vindo a aumentar, o seu crescimento está muito aquém do desejável, pelo que deve ser uma aposta de todos os agentes. Há dificuldades crescentes de colocação da pasta não certificada o que pode perigar a competitividade da nossa fileira

O licenciamento das florestações conta atualmente com o envolvimento de diversas entidades públicas, em vez de estar nas mãos da única autoridade nacional vocacionada para o efeito, o ICNF. O proprietário florestal que procura cumprir a legislação em vigor, sujeita-se a um processo demorado e incompreensivelmente complexo. Este processo constitui um obstáculo considerável ao investimento e à renovação e modernização do eucaliptal Português e necessita urgentemente de ser simplificado.

A produtividade do eucaliptal não se resolve só com a sua renovação. É fundamental unir esforços no controlo das ameaças como os fogos florestais e atualmente a principal praga, o gorgulho do eucalipto. Mas também a realização das medidas silvícolas como fertilizações, controlo de infestantes e seleção de varas são fundamentais para aumentar a produção e rentabilidade. Se juntarmos a esses esforços um crescimento responsável da área de eucalipto em Portugal, a nossa indústria de pasta e papel pode continuar a contribuir para a riqueza e crescimento económico durante largas décadas.

A fileira de pasta e papel pode e deve desempenhar um papel essencial na recuperação da economia e do bem-estar das empresas e famílias Portuguesas.

9 de abril de 2013

Habitats de Portugal - vamos cartografá-los


A Altri tem vindo a apoiar a iniciativa Biodiversity4All desde o seu início. Apoiou com dados recolhidos no seu património, com a divulgação da iniciativa e com a participação em eventos como Pé na Terra. Mas também promoveu diretamente o desenvolvimento e implementação de uma novidade: a possibilidade de registar áreas com habitats.

As base de dados sobre biodiversidade existentes na Internet permitem introduzir observações de espécies, como por exemplo PortugalAves, eBirds, NaturData etc. Até agora não era possivel registar uma área ocupada por um habitat como um montado, um freixial, um azinhal ou um urzal, por exemplo.

Isto mudou. Biodiversity4All agora permite o registo de áreas com habitats, utilizando a estrutura da diretiva Habitats. As áreas com habitats no nosso património já lá estão. Esperemos que, aos poucos, Bio4All vai se tornando uma fonte de informação relevante no que diz respeito aos habitats em Portugal.

6 de abril de 2013

Blogue Altri Florestal - 2º aniversário!


Faz hoje 2 anos que abrímos um novo trilho na nossa comunicação com quem nos rodeia. Foi com este primeiro post que Altri Florestal deu o primeiro passo na blogosfera.

Não foi fácil dar este passo: estávamos perante um meio totalmente desconhecido, sem exemplos de outras empresas que optáram pela mesma forma de comunicar. Enquanto vimos as empresas da fileira entrar no Facebook, incluindo a nossa empresa-irmã Celbi, escolhemos um meio alternativo, mais volátil, menos institucional. Um meio povoado por grupos de pressão, de ativistas, de voluntários, um meio marcadamente não-comercial, ao contrário do Facebook.

Não ficámos a meio: abrímos a caixa dos comentários a quem quiser, anónimos incluídos. Não sabíamos o que ia acontecer. Alguns receavam críticas ferozes e escárnio, outros nem tanto.

E assim foi. Fomos os primeiros da nossa fileira. Agora, passados já dois anos, estamos prestes a atingir a marca dos 100 posts, recebemos 82 comentários, houve 37 mil visualizações do blogue e temos 65 pessoas que se registaram como seguidores.

Nestes posts falámos um pouco de tudo, de trabalho e de lazer, de eucaliptos e de sobreiros, de pessoas e animais, de problemas e de soluções, do passado e do presente, e até de bolos de maçã, cenas voodoo e orangotangos!

Passados dois anos, podemos concluir que foi uma aposta ganha. O próximo passo é de levar mais colegas a publicar posts, que o meio é de todos e não de alguns. Porque é na diversidade de autores, posts e assuntos que está o valor do blogue. Vamos a isto.

4 de abril de 2013

Avaliação de Impactes Ambientais e Sociais

Uma das atividades que decorre previamente a uma obra de exploração florestal é a avaliação dos impactes ambientais e sociais da atividade nos valores naturais presentes e nas comunidades adjacentes.

Em Lamego, uma propriedade gerida pela Altri Florestal consegue conciliar, eu diria, o melhor dos dois mundos, isto é, produtividades na produção de rolaria de eucalipto (Eucalyptus nitens) bastante acima da média e a presença de valores naturais únicos.


Rio Balsemão

A avaliação de impactes da exploração florestal foi realizada com o envolvimento do fornecedor de serviços (corte e rechega) e do responsável da AF pelo acompanhamento da obra.
Com esta medida pretende-se salvaguardar as duas galerias ripícolas (Rio Balsemão e ribeira afluente), onde ocorrem o maior número de espécies e habitats.
Durante a avaliação, os aspetos sociais também foram abordados, e foi decidido uma alternativa de saída da madeira que evita a passagem junto de habitações e de passagens estreitas com muros e sebes.