31 de março de 2013

Oito ou oitenta



A chuva é um aliado das nossas plantações. O eucalipto é sensível ao stress hídrico, o principal fator limitante ao seu crescimento. Anos de seca severa refletem-se em baixas produções e maior taxa de mortalidade.

No inverno de 2012, a chuva fez birra e não se mostrou durante meses, deixando o País em estado de secura extrema, e os produtores em desespero, que se prolongou ao longo da primavera e verão.

Este ano vivemos novamente um inverno meteorologicamente atípico, no entanto do lado oposto da escala de pluviosidade. Desde outubro, a chuva tem vindo a cair de forma regular e sem grande intensidade, permitindo assim a recarga dos solos, aquíferos subterrâneos e reservas de água em charcas e albufeiras.

Motivo para satisfação. Ao longo do inverno, e à medida que as dificuldades operacionais aumentavam em consequência da deterioração das condições do terreno e das vias florestais, comentávamos: "deixa-a vir, ela faz cá falta". E tínhamos razão. No inverno.

No entanto, já estamos na primavera. A chuva não tem forma de abrandar. Começam a surgir caras preocupadas nas equipas das regiões florestais. As dificuldades acumulam: a madeira não sai, os adubos estão à espera nos armazens para serem espalhados, as máquinas de preparação de terreno estão paradas, tal como as equipas de combate ao gorgulho de eualipto, as plantas crescem no viveiro e precisam de sair para o terreno.

Todos consultam diariamente os mais diversos sites de meteorologia, com esperança de anúncios de abrandamento da chuva. As conversas ao almoço são recheadas com ditados rurais "dos velhos, que sabiam disto". Há-os para todos os gostos. E eu receio o "abril águas mil".

Saltámos de oito para oitenta. Um inverno tão chuvoso como este, já lá vão uns anos largos. É assim, a nossa profissão, tão determinada por factores que não controlamos. Estamos habituados. E sabemos que a chuva não há de durar para sempre: não tarda e queixamo-nos do calor.

Na minha terceira consulta hoje ao meu site meteorológico favorito, vejo que sexta-feira deixa de chover, com uma subida da pressão atmosférica e uma baixa da humidade relativa. Porém, a temperatura máxima não passa dos 20 ºC. Que assim seja que já estou um bocado farto da chuva...

19 de março de 2013

Orangotangos ou estamos a trabalhar bem na conservação?


Por vezes surgem opiniões de pessoas que trabalham de outro lado do globo, mas que nos são tão familiar que parecem falar das nossas circunstâncias.

Aconteceu com um post no blogue Forest News, chamado "Forcing companies to carry out costly biodiversity surveys often backfires: Experts".

O post relata as conclusões de dois investigadores sobre a eficácia do esforço na recolha de informação sobre a biodiversidade na perspetiva da sua gestão.

Sabendo que essa recolha é muito onerosa, e inevitavelmente incompleta, será que investir grandes quantidades de recursos nessa recolha seja a melhor forma de os gastar, se pretendemos uma gestão eficaz na perspetiva dos valores a proteger? Ou haverá outras formas, mais simples e menos assentes em levantamentos de espécies presentes, que poderão oferecer melhores garantias de gestão e proteção adequadas dos valores de conservação presentes?

Recomendo ler o artigo.

5 de março de 2013

Dossier de Segurança Florestal

Durante os dias 19 de fevereiro e 4 de março a Altri Florestal iniciou um projeto em parceria com os seus fornecedores de serviços para a implementação de um Dossier de Segurança Florestal.

Este dossier pretende agregar toda a informação das empresas que realizam trabalhos de exploração, florestação e manutenção na nossa floresta e, apoiar as mesmas, na demonstração das evidências do cumprimento das suas obrigações legais.

Iniciámos assim este projeto com quatro ações de formação em parceria com a empresa EuroPGS, onde foram explicados quais os registos e documentos que devem estar presentes nas frentes de trabalho e a sua forma de organização neste novo modelo documental.

Nas quatro sessões ouvimos as mais variadas sugestões e pedidos de eslarecimento dos fornecedores, tendo como principal objetivo a adequação e melhoria do Dossier de Segurança para que o mesmo ajude as empresas na organização da sua documentação na frente de trabalho. No final de cada sessão entregámos a cada empresa um exemplar do Dossier de Segurança Florestal.  

Iremos iniciar agora a segunda fase deste projeto, com a verificação dos Dossiers nas frentes de trabalho e com a realização de ações de formação em posto de trabalho sobre alguns aspectos de segurança e ambiente. Daremos notícias sobre a segunda fase do projeto aqui no blog.