27 de fevereiro de 2013

Estamos encharcados


Uma coisa traz outra. Após divulgação do post sobre a charca no Vale Mouro tomámos conhecimento do projeto Charcos com Vida, liderado pelo CIBIO. Após contactos iniciais, rapidamente percebemos que havia uma excelente oportunidade para uma parceria entre Altri Florestal e o projeto Charcos comVida, nomeadamente no Inventário de Charcos. E assim foi.

A Altri Florestal já forneceu informação sobre mais de 500 charcos, pontos de água, poços e tanques existentes no seu património, dando assim um contributo importante para o Inventário de Charcos. Estes dados vão ser introduzidos pela equipa do CIBIO no WebSIG do projeto, disponibilizando-os assim para o público em geral. O passo seguinte será a introdução de fotografias desses charcos, tal como outras informações interessantes, que será um trabalho mais demorado, para não dizer "de sapo".

Também há um acordo sobre a realização de um workshop prático sobre a construção de charcos, recorrendo a máquinas de mobilização de solo utilizadas em projetos de florestação. Esse workshop irá decorrer na propriedade Vale Mouros, algures na primavera, estará aberto para quem estiver interessado e será oportunamente anunciado aqui no nosso blogue.

15 de fevereiro de 2013

Charcas para Anfíbios


Charca principal - vista sul

A ideia surgiu naturalmente, foi a própria natureza que nos levou a isso. Com os trabalhos de reflorestação da propriedade Vale Mouro, e com os cuidados na proteção das linhas de água, tivemos a preocupação de preservar uma zona húmida, onde se acumulava uma massa de água suficiente para se poderem desenvolver anfíbios.


Charca principal - vista norte

A partir daí, foi fácil. Tendo o apoio do manual de "Construção e conservação de pontos de água para anfíbios" da autoria da bióloga Joana Cruz, em colaboração com o CIBIO, tivemos o cuidado de não danificar a zona envolvente da charca. Foram criados um conjunto de charcas de diferentes tamanhos, formas e profundidades, para assim, com esta diversidade de habitats, se poder dar condições de desenvolvimento de diferentes espécies tornando mais rica a biodiversidade que o local poderá comportar.


Charca pequena
 Além da charca principal, com profundidades variadas, temos outras charcas mais pequenas e de menor profundidade, que irão aquecer mais com a radiação solar, permitindo o desenvolvimento dos girinos.
Estas charcas temporárias terão tendência a desaparecer na época estival, mas são responsáveis por uma parte da diversidade de anfíbios, insectos e plantas, tendo a charca principal como salvaguarda das espécies que aí se desenvolverem.

Vegetação das margens (1)
Tivemos o cuidado de criar margens "suaves", para no período mais chuvoso, aumentar a área menos profunda da charca, favorecendo o desenvolvimento da vegetação marginal, servindo de abrigo para a fauna, e a criação de lameiros sem arborização.

Vegetação das margens (2)
As margens envolventes têm freixos, plátanos, salgueiros, um pequeno bosquete de eucaliptos mais velhos (potencial local de nidificação) e um conjunto de arbustos que são abrigos importantes para a fauna, diminuem a temperatura da água e a evaporação.


Charca e bosquete
A Região florestal Oeste, achou este desafio muito interessante, e incentivou-nos a criar mais duas charcas nesta propriedade, neste caso de menores dimensões.

Vegetação das margens (3)
O passo seguinte será a monitorização destas áreas, o seu registo na cartografia da propriedade, e com uma manutenção cuidada sem perturbar o habitat que se vier a desenvolver, evitando a sua degradação, complementando-se com a plantação de algumas árvores e arbustos, de espécies já existentes na região, com a preocupação de demarcar bem a zona da charca, evitando-se assim a passagem de viaturas e maquinaria.

9 de fevereiro de 2013

E tudo o vento levou

Povoamento de 6 anos com árvores tombadas em Rio Maior
Bom, tudo também não. Mas que a tempestade de 19 janeiro deixou um rasto de árvores caídas, não há dúvida. A combinação de um solo encharcado em consequência das chuvas abundantes dos últimos meses com rajadas de ventos superiores a 150 km/hora, criou condições para o tombamento de muitas árvores.

Tempestades desta intensidade ocorrem com alguma regularidade; o que marcou a de janeiro foi a sua extensão, tendo atingido com intensidade praticamente toda a zona costeira de Portugal a Norte de Lisboa, provocando estragos significativos até dezenas de quilómetros da costa. São calamidades naturais comparáveis com incêndios florestais ou geadas negras e fazem parte da realidade em que trabalhamos.

Nas nossas plantações, os danos mais significativos verificaram-se nos povoamentos em primeira rotação, com idades entre 2 e 6 anos. Estas árvores têm uma copa bastante grande em relação ao sistema radicular, e as raizes, com pouca aderência no solo encharcado, não conseguem aguentar a árvore de pé, originando a sua inclinação ou mesmo tombamento.

Povoamento de 2 anos com árvores inclinadas em Vila Nova de Barquinha
Nos povoamentos em talhadia, os estragos são limitados a algumas árvores caídas, devido ao sistema radicular mais desenvolvido da árvore. Normalmente não se verifica dano significativo neles.

Em breve iremos iniciar as intervenções nos povoamentos atingidos. Os povoamentos com árvores com volume comercial, e quando a percentagem de árvores caídas é elevada, são cortados por completos, iniciando a segunda rotação. Nos povoamentos jovens, as árvores mais pequenas são postas de pé, as restantes são cortadas para promover a rebentação das toiças e um novo ciclo de crescimento das árvores.