31 de janeiro de 2013

O Homem do Norte

O Homem do Norte foi o primeiro técnico da Altri Florestal com quem trabalhei . Nas áreas serranas de Arouca deparei-me com o seu profundo conhecimento em silvicultura, o cuidado e o carinho que punha em cada projeto de florestação.

Trabalhando numa região com enormes dificuldades operacionais, transforma sempre cada projeto, cada desafio, numa vontade de realizar obra, de deixar uma marca no território. A produção florestal para ele não tem segredos e, posso confirmar que, a conservação dos valores naturais também não.

A partir de hoje novos desafios estão ao seu alcance. Serão desafios diferentes, mas certamente que olhará para eles com o mesmo entusiasmo que colocou nos projetos da Altri Florestal.

Homem do Norte, a floresta que ajudaste a plantar e a cuidar é a melhor testemunha e a marca da tua perseverança e dedicação. Por isso coloco aqui algumas imagens que falam por si. Um forte abraço.

        

24 de janeiro de 2013

Alcaravão, outra vez

Imagem obtida aqui
alcaravão é uma espécie muito particular, classificada com ameaçada pelo ICNB, com uma população de no máximo 10 mil indivíduos adultos em Portugal.

Numa visita à propriedade Venda Velha, em Benavente, observámos um bando de duas dezenas de indivíduos (ver a localização da observação através da Biodiversity4All aqui). Esta espécie inverna em bandos, frequentemente de dezenas ou mesmo centenas de aves, em espaço aberto, que foi o caso aqui: um eucaliptal em fase de reflorestação.

Curiosamente, a espécie ainda não tinha sido registada na respetiva quadrícula do Atlas de Aves Invernantes e Migradoras, atualmente com o trabalho de campo em curso, pela SPEA. Para além de uma observação interessante, acabou por dar um pequeno contributo para o referido Atlas.




19 de janeiro de 2013

Fajarda - visita a plantações recentes

Como é sabido, a Altri Florestal aposta nas reflorestações para aumentar a sua capacidade produtiva. Estamos numa fase em que muitas plantações iniciais, realizadas nos anos 80 e 90, chegaram ao fim do seu ciclo produtivo e a sua reflorestação é uma oportunidade, não só para introduzir novo material genético, como promover melhorias no ordenamento florestal e a criação ou recuperação de áreas de conservação de valores de natureza e biodiversidade.

A propriedade Fajarda, no concelho de Coruche, já descrito neste post, enquadra-se na perfeição nesta estratégia. Visitámos as plantações realizadas desde 2011.

Em 2011 e 2012 foram plantadas diversas proveniências genéticas, de origem seminal e clonal. Um dos primeiros aspetos que salta à vista é que as plantas de origem seminal têm um crescimento inicial mais rápido que as plantas clonais. Por vezes de forma espantosa, como se pode ver na foto em baixo:

Plantação com 2 anos de idade
No projeto as zonas de proteção às linhas de água foram excluídas da reflorestação, deixando as toiças nelas intatas. Neste momento, o desenvolvimento em altura da nova plantação já se aproxima da rebentação das toiças ao lado:

plantação (esq.) vs. talhadia (dir.)
Os eucaliptos reagem de forma muito marcada a pequenas variações nas condições de crescimento. Na foto em baixo vê-se uma pequena mancha com um solo muito arenoso, sem capacidade de retenção de água no verão, resultando na morte das árvores plantadas. 20 metros afastados deste local, as condições são melhores, permitindo um crescimento vigoroso das árvores.
plantação com 2anos de idade
Entre as medidas de promoção dos valores de conservação e biodiversidade está a criação de uma charca temporária, localizada numa pequena baixa, excluída da área a plantar. Esta área estava ocupada por eucaliptos no povoamento original, mas devido ao regular encharcamento, as árvores tinham um desenvolvimento muito fraco. Estas intervenções são exemplos de reconversão, em que a perda de produção é muito reduzida, compensado por ganhos significativos em valores de conservação e biodiversidade.
As abundantes chuvas deste outono e inverno entretanto já encheram o local com água. Estas pequenas charcas, que secam no verão, são importante para muitas espécies de animais, entre as quais se destacam os anfíbios.
Charca temporária criada na reflorestação




9 de janeiro de 2013

Gonipterus ou como ainda sabemos tão pouco dele...


ootecas em folhas de eucalipto
Numa visita no dia 4 de janeiro ao concelho de Castelo de Paiva, encontrámos uma plantação com dois anos de idade, com dano significativo do gorgulho do eucalipto Gonipterus platensis.

Curiosamente, encontrámos muitos adultos em atividade de cópula, tal como larvas nos estados de desenvolvimento L1-L3. Quer isto dizer que a população no local mantém a sua atividade no inverno, normalmente o período de repousa da espécie.

Depois da visita transmiti a nossa observação à nossa colega Ana Raquel Reis, especialista em Gonipterus e seu controlo, e a Ana Raquel confirmou que tem sido observado este comportamento invernal na zona de Castelo de Paiva, ao contrário do que é habitual na área de distribuição do gorgulho em Portugal.

Este é somente mais um aspeto por compreender da ecologia desta espécie.