20 de agosto de 2012

O Eucaliptal é um deserto de biodiversidade ou talvez não?


O título pode parecer estranho, mas durante as nossas atividades de identificação e monitorização da biodiversidade (habitats, fauna e flora), sem queremos, acabamos por enviesar o foco da nossa busca para as áreas com maior potencial (linhas de água, bosques) onde, na maioria das vezes, “chocamos” de frente com os valores naturais.
No entanto num olhar mais atento, e em duas propriedades do litoral (em solos arenosos), descobrimos a presença dos bioindicadores do habitat prioritário 2150- Dunas fixas descalcificadas atlânticas (Calluno-Ulicetea).
Ulex australis
O mais interessante desta descoberta foi, perceber que após 9 anos de gestão florestal com um modelo de silvicultura vocacionado para a produção de lenho de eucalipto, a presença das duas espécies bioindicadoras do habitat (tojo e a queiró – Calluna vulgaris) é de tal forma exuberante, que nos surpreendeu.
O tojo e a queiró acompanham as linhas de eucalipto de uma forma muito regular.

Lendo atentamente a ficha do habitat, percebemos que uma das razões para que o mesmo permaneça poderá ter sido a pequena profundidade da preparação de terreno que, ao manter intacto o horizonte de surraipa permitiu a manutenção das melhores condições edáficas para a conservação do habitat.



Durante a mesma visita e, no mesmo local, olhando para o vizinho pinhal, curiosamente a vegetação arbustiva muda completamente verificando-se as duas espécies mas de uma forma muito pontual.


Vamos continuar atentos a outras surpresas que possam aparecer no interior dos povoamentos de eucalipto e mostraremos aqui as nossas descobertas.

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