25 de julho de 2012

Desboia

A desboia é a primeira tiragem de cortiça de um sobreiro, originando pranchas de cortiça virgem.

É uma operação manual que exige experiência e saber fazer por parte do tirador, porque o seu resultado influencia a produção de cortiça secundeira e amadia, a mais valiosa das cortiças.

E, como todas as tiragens de cortiça, é uma operação muito bonita, marcada pelo silêncio, somente interrompido pelo som seco da machada e do soltar da prancha.



20 de julho de 2012

Eucalipto Nitens em parque de produção de sementes

No âmbito do programa de melhoramento genético, a Altri Florestal tem vindo a resgatar por enxertia material genético das suas plantações e ensaios. Há três anos foi a vez de enxertar diferentes proveniências de eucalipto nitens, da plantação de Tornaleites. Em 2010, estes enxertos foram plantados no parque de produção de sementes e o resultado é o que se pode ver nas fotografias seguintes.  Já foi colhido algum pólen e em breve teremos hibridos com este material!

15 de julho de 2012

A insustentável leveza de ser ... montado

O montado é por muitos considerado sinónimo de sustentabilidade. As imagens são conhecidas, mesmo para quem nunca saiu de Lisboa. Vejam, um exemplo de um montado de azinho a sul de Monforte:


Está lá tudo, o coberto arbóreo esparso, a vegetação herbácea já seca, as vistas, a beleza cénica. Sim senhor, rico montado.

Acontece que, do outro lado do caminho florestal que se vê do lado direito da foto, há um eucaliptal nosso. Não é grande coisa, admito, mas tem dado o seu rendimento de dez em dez anos (não convém cortar mais tarde nesta zona), já por quatro vezes, com uma regularidade surpreendente.
Curiosamente, a azinheira tem convivido bem com os nossos eucaliptos. Os exemplares adultos dispersos têm se aguentado muito bem e têm assistido a uma regeneração natural bastante abundante em seu redor. As fotos seguintes mostram-no bem:



Se abstrairmo-nos um pouco da romântica e dos preconceitos e perguntamo-nos onde é que é mais provável encontrarmos azinheiras daqui a, vá lá, 50 anos, qual será a resposta?

Eu não sei qual a vossa opinião, mas a minha aposta vai para o atual eucaliptal, onde verificamos uma regeneração abundante, ao contrário do montado na primeira foto. Para mim, daqui a 50 anos, o montado terá passado para uma pastagem estepária com, se calhar, umas poucas azinheiras envelhecidas que aguentaram os anos, sem qualquer recrutamento em seu redor, enquanto o povoamento de eucalipto terá evoluído para um povoamento misto de eucalipto com azinheiras de todas as classes de idade. Qual sustentabilidade do montado ...

5 de julho de 2012

Recuperação de Montados de Sobro e Galerias Ripícolas

No âmbito do Programa de Desenvolvimento Rural (PRODER), a Altri Florestal promoveu várias acções em propriedades próprias, nomeadamente de Ordenamento e Recuperação de Povoamentos (Montados de sobro) e de Promoção do Valor Ambiental dos Espaços Florestais (Manutenção e Recuperação de Galerias Ripícolas).
Nalgumas áreas de sobro que arderam em 2003, foram efectuadas podas de formação nas árvores de futuro para garantir um fuste direito e o aproveitamento da regeneração natural. Realizaram-se também podas sanitárias para eliminação de focos de contaminação, procedendo-se à remoção e queima dos sobrantes com o objectivo de diminuir o risco de incêndio e a propagação de pragas e doenças.

Regeneração natural de sobreiro
Foi efectuado um controlo da vegetação espontânea, e considerando as diferentes características físicas e estruturais de cada local, este controlo foi efectuado nalgumas situações com grade de discos para incorporação de mato no solo, noutras com corta matos para evitar riscos de erosão e em zonas com declives superiores a 20%, recorreu-se a equipamentos motomanuais (motorroçadoras).

Controlo de vegetação espontânea com grade de discos

Controlo mecânico de vegetação espontânea com corta matos

Controlo motomanual de vegetação espontânea
No que se refere a infraestruturas, procedeu-se à construção e beneficiação da rede viária, para permitir que os caminhos sejam transitáveis durante todo o ano.

Beneficiação de caminho florestal
 Nas áreas de sobro que se encontravam em estado debilitado, mas com dominância de árvores jovens e com elevada regeneração natural, foram realizadas podas de formação nas árvores de futuro e foram identificadas as árvores para aproveitamento da regeneração natural. Efectuou-se um controlo da vegetação espontânea, com recurso a grade de discos para incorporação de mato no solo e diminuição do risco de incêndio. Foi efectuada uma fertilização do solo, com adubo ternário, recorrendo a um tractor equipado com distribuidor.
Montado de sobro após acções de recuperação
As Acções de Promoção do Valor Ambiental dos Espaços Florestais tiveram como objectivo melhorar as galerias ripícolas em três propriedades próprias que arderam em 2003. Após o incêndio foram eliminadas algumas áreas de eucalipto e procedeu-se à reposição da galeria através do aproveitamento da regeneração de freixos e salgueiros. Nas áreas de intervenção sem regeneração natural, foram eliminadas as espécies exóticas e invasoras do habitat, e procedeu-se à plantação de espécies ripícolas privilegiadas na região em conformidade com o PROF do Ribatejo.
Freixo jovem

Plantação de espécies ripícolas