17 de abril de 2012

Valorização de cinzas e composto orgânico na floresta

Espalhamento de composto orgânico no Vale Mouro
 A produção de biomassa para energia através do aproveitamento de biomassa residual florestal gera uma quantidade significativa de cinzas, para a qual é necessário dar um destino adequado, nomeadamente através da valorização. Adicionalmente, as unidades fabris geram resíduos de biomassa que devidamente compostados podem ser usados no solo.

A aplicação de cinza de biomassa é uma prática ancestral de correção e fertilização de solos ácidos e a aplicação do composto orgânico em terrenos pobres em matéria orgânica constituirá uma fonte de nutrientes, para além de ter um papel importante na melhoria da textura do solo. Dadas as características físicas das cinzas e do composto, bem como as quantidades que devem ser aplicadas por hectare e as características das propriedades florestais, especialmente declive, existe a necessidade de desenvolver equipamentos de espalhamento eficazes, que permitam uma valorização ambiental e económica daqueles produtos. A viabilidade do espalhamento depende de fatores importantes como: o equipamento de transporte, a localização dos carregadouros, o equipamento de espalhamento, em função do produto – cinza ou composto, e das características do povoamento e terreno. A Altri Florestal tem vindo há já alguns anos a testar o uso e espalhamento da cinza e mais recentemente do composto, nas suas plantações de eucalipto, no sentido de encontrar o sistema mais adequado. O primeiro equipamento a ser desenvolvido consistiu num espalhador com auto-carregamento, mas este tinha apenas capacidade para cerca de 1 m3 de cinza, são sendo prático nem económico.

Durante o último ano, testamos o espalhamento de cinza e composto com equipamentos desenvolvidos pela Altri Florestal, alguns espalhadores utilizados na agricultura e equipamento cedido pela Ence ao abrigo de uma colaboração estabelecida entre as duas empresas. Durante os testes foram identificadas algumas condicionantes à execução das operações de espalhamento, nomeadamente:
1)      Condições de terreno – declive; irregularidade do solo devido à remoção dos cepos de eucalipto, esta última obrigando a uma gradagem prévia das áreas a explorar;
2)      Qualidade dos produtos cinza ou composto: a presença de materiais como pedras ou pedaços de madeira provocam o encravamento, um maior desgaste dos equipamentos levando a avarias e quebra de peças.
  
Exemplos de alguns equipamentos testados:
1 - Equipamento auto - carregador espalhador de Cinzas desenvolvido pela Altri Florestal. 


2 - Equipamento espalhador agrícola testado para aplicação de composto orgânico e cinzas.


3 - Máquina de espalhamento de composto cedido pela ENCE, foi desenhada especificamente para realizar de uma forma eficaz e económica a distribuição de composto. Este equipamento tem sido testado pela Altri Florestal na aplicação de Cinzas e Composto em áreas florestais.



Os testes realizados permitiram concluir que é necessário proceder a melhorias na qualidade da cinza e composto para poder ser utilizado pelo equipamento em estudo e que, por seu lado, é necessário melhorar o equipamento para trabalhar em condições de solos inclinados e com resíduos florestais. Os resíduos industriais devem passar por um processo de crivagem ou destroçamento para remoção e eliminação dos materiais inertes e deve haver também um controlo do teor de humidade, para possibilitar a aplicação sem comprometer a produtividade e os custos de aplicação.

José Quaresma


Sem comentários:

Enviar um comentário