6 de março de 2012

Artigo sobre o controlo biológico do gonipterus

A conceituada revista Forest Ecology and Management aceitou a publicação do artigo Efficiency of biological control of Gonipterus platensis (Coleoptera: Curculionidae) by Anaphes nitens (Hymenoptera: Mymaridae) in cold areas of the Iberian Peninsula: Implications for defoliation and wood production in Eucalyptus globulus, do qual a nossa colega Ana Raquel Reis é autora principal. Para além de outros colaboradores da Altri Florestal, este artigo contou com co-autores do Instituto Superior de Agronomia, sendo mais uma prova da qualidade da mútua cooperação em investigação que tem existido entre a Altri Florestal e este instituto.

Foto: Ana Raquel Reis

Segue um resumo traduzido do artigo:

A gestão sustentável dos povoamentos florestais e as estratégias de controlo baseadas no custo-benefício dependem de estimativas prévias do nível económico de danos causados pelas pragas. O gorgulho do eucalipto, Gonipterus platensis (Marelli), uma praga-chave das plantações de eucalipto em todo o mundo, é controlado principalmente através do controlo biológico clássico, usando o mimarídeo Anaphes nitens (Girault). No entanto, em diversas regiões temperadas, o parasitóide não reduz eficazmente as populações do gorgulho a níveis economicamente viáveis. Este estudo tem como objetivos (i) relacionar a eficiência do parasitóide com variáveis climáticas, (ii) relacionar o nível de danos causados pelo gorgulho com a taxa de parasitismo por A. nitens, (iii) estimar o impacte dos danos causados pelo gorgulho do eucalipto na produção de madeira. Em 2007 monitorizou-se a densidade da praga, os danos causados pela desfolha na copa das árvores e as taxas de parasitismo por A. nitens, em 34 povoamentos da Altri Florestal. A altitude, a temperatura e a precipitação foram obtidas através da base de dados Worldclim. Usando dados de inventário históricos, a produção de madeira foi projetada para uma idade de 10 anos, antes da chegada da praga, e comparada com os dados atuais para os mesmos povoamentos.

Verificou-se que a taxa de parasitismo por A. nitens é um fator que explica a densidade do gorgulho e a desfolha da árvore, r2=0,37 e 0,41 (p <0,001), respetivamente. Foi obtida uma correlação significativa entre as taxas de parasitismo e a temperatura máxima dos meses de inverno (MaxTw), r2=0,55 e a altitude r2=0,59 (p <0,001). Não foi encontrada relação significativa entre as taxas de parasitismo e outras variáveis climáticas, como temperaturas dos meses mais quentes e precipitação. O máximo de eficiência do parasitóide surge para MaxTw de 10-11 ºC. A taxa de parasitismo média foi baixa, de 10,1% (± 4,9), para MaxTw abaixo de 10 ºC, aumentando para 70,9% (± 3,8) acima de 11,5 ºC. A redução da eficiência de A. nitens poderá ser explicada pelas diferenças de nichos climáticos da praga e do parasitóide. A temperatura mínima, em particular, é determinante neste sistema hospedeiro-parasitóide. De facto, em zonas mais frias MaxTw<10ºC, observou-se uma desfolha de 74,1%. Observaram-se diminuições médias de 51% de volume de madeira (projetado para os 10 anos de idade) nas áreas afetadas no período 2004-2006, em comparação com as mesmas áreas no período anterior de 1995-1998, antes do aparecimento do gorgulho do eucalipto em Portugal. A perda de volume de madeira aumentou exponencialmente atingindo 43% e 86%, para desfolhas de 75% e 100%, respectivamente. Assim, considerando o aumento dos prejuízos económicos calculados para estas regiões devido à desfolha causada pelo gorgulho do eucalipto, a procura de estratégias de controlo alternativas é uma necessidade premente.

Infelizmente, devido a direitos editoriais, não podemos disponibilizar aqui o artigo na sua íntegra. O mesmo poderá ser consultado no volume 270 da Forest Ecology and Management ou adquirido na edição eletrónica da mesma revista, através do seguinte link.

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