23 de fevereiro de 2012

Avaliação Multicritério – Aptidão do Uso do Solo

Em todos os processos de planeamento, na perspetiva da gestão territorial, admitem-se diferentes tipos de critérios na tomada de decisão. A aptidão de um determinado uso de solo é essencialmente um processo de decisão através do qual se pretende comparar diferentes alternativas espaciais para a instalação de diferentes culturas para diferentes tipos de solo, de um modo mais geral, a identificação das áreas de um território que apresentam maior aptidão para um determinado uso. A aptidão do território para um determinado uso resulta da conjunção de fatores relacionados com a capacidade intrínseca desse território no que respeita aos fatores ambientais e com as potencialidades que advêm da transformação do território pelo homem.A tomada de decisão de âmbito espacial e multicritério requer uma articulação entre os objetivos do ou dos decisores e a identificação dos atributos necessários na determinação do grau em que esses objetivos serão atingidos.

Uma das grandes dificuldades muitas vezes encontradas num processo de decisão que envolve múltiplos critérios é a forma como se deve quantificar a importância relativa de cada um deles, ao que acresce o facto dos mesmos possuírem graus de importância variáveis para diferentes decisores, é portanto  necessário definir qual a importância relativa de cada critério no processo de decisão, o que é feito normalmente atribuindo um determinado peso a cada critério interveniente.  A correta atribuição de pesos é importante para que sejam mantidas as preferências dos decisores, para isto é necessário que as unidades destes possam ser convertidas em unidades comparáveis, isto é, serem normalizadas.
Exemplo de Modelo Multicritério
Utilizando a informação organizada em diferentes níveis temáticos (por exemplo, rede de estradas principais, declive do terreno, ocupação do solo, etc.) é possível fazer várias operações de análise lógica, estatística e matemática apresentando os resultados numa carta ou numa tabela.  Este tipo de análise revolucionou a gestão florestal, não sendo portanto surpreendente o interesse crescente no desenvolvimento de novas ferramentas de apoio, à análise multicritério, nomeadamente os sistemas de informação geográfica (SIG).

Exemplo Prático
A avaliação multicritério pode ser implementada num SIG através de um de dois procedimentos. O primeiro envolve a sobreposição booleana, na qual todos os critérios são reduzidos a declarações lógicas de aptidão e então combinados por via de operadores lógicos como a intersecção e a união. O segundo envolve a combinação de critérios contínuos, através da normalização para uma escala comum e da aplicação de pesos para obter médias pesadas.
Ø  Tomemos por exemplo o 2º Procedimento:
A avaliação da aptidão ecológica da espécie “X2”, na Serra da Lousã. Considerando todas as variáveis biofísicas naturais que influenciam o desenvolvimento da espécie.
Através de uma pesquiza foram obtidas a seguintes variáveis: Solo, Altitude e Precipitação.

1º Passo “Normalização das variáveis”
Variável
Designação
Normalização

Solo
Cambissolos húmicos
1
Fluvissolos êntricos
2

Altitude
0 a 400 metros
1
400 a 700 metros
2

Precipitação
1000 a 1200 mm
1
1400 a 1600 mm
2

2º Passo “Comparação e atribuição de pesos”
Variável
Peso (0 a 1)
Normalização
Peso (0 a 1)

Solo

0,67
1
0,64
2
0,36

Altitude

0,21
1
0,81
2
0,19

Precipitação

0,12
1
0,78
2
0,22

3º Passo “Sobreposição das Variáveis”  
Carta de aptidão ecológica da espécie “X2 = 0,67*Solo+0,21*Altitude+0,12*Precipitação;
No final será obtida uma carta normalizada [0 ; 1], em que o valor 0 representará as zonas com menor aptidão e valor 1 caracterizará as zonas de maior aptidão ecológica para a espécie.

Exemplo de uma carta final
Post elaborado pelo Tiago Cordeiro

3 comentários:

  1. Esqueceste-te de falar nas restrições, que neste caso estão representadas com o valor 0, correspondem normalmente à rede viária, REN, RAN, faixas de gestão de combustível estabelecidas pelas CMDFCI, etc.., sendo que correspondem a zonas com diversas condicionantes, e como tal essencial para a produção da carta final de aptidão ecológica das espécies.

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    1. Cara Gisela Matos,
      Desde já obrigado pela sua observação, mas na realidade não me esqueci de nenhuma restrição, apenas não as coloquei pois não era esse o objetivo. As restrições (neste caso de ordenamento, ex: REN, RAN, PROF, PDM, etc.) não tem qualquer utilidade para análise de aptidão ecológica, pois não interferem diretamente com o desenvolvimento das plantas, interferindo apenas com os objetivos da sua instalação. As restrições que referiu, devem ser integradas na análise da aptidão de determinado objetivo de gestão (Produção, Conservação, Proteção, etc.). Neste caso como se trata, apenas, da avaliação da aptidão ecológica para uma espécie hipotética e não há uma definição clara dos objetivos pretendidos, não faz sentido colocar restrições de ordenamento.

      Grato pelas suas observações,

      Cumprimentos

      TC

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  2. Concordo plenamente, só referi as restrições, porque na realidade estas parecem estar contempladas na carta apresentada.

    Cumprimentos

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