13 de setembro de 2011

Notas de Vale Mouro II

Durante o mês de Setembro a equipa técnica da Altri Florestal visitou a propriedade Vale Mouro (Azambuja) para avaliar o efeito das medidas preventivas e mitigadoras de correção torrencial realizadas durante este verão. As primeiras chuvas de setembro permitiram avaliar a resiliência da preparação de terreno (socalcos e curvas de nível) bem como, das estruturas de apoio à sedimentação do solo e as ações de correção dos ravinamentos.

Correção de ravinamento

Estruturas em madeira para sedimentação

As áreas dedicadas à conservação apresentam também sinais de evolução positiva, com a regeneração de habitats (juncal e caniçal) e a consolidação dos charcos nas zonas a jusante das principais linhas de escorrência.

Vegetação de área de conservação

A propriedade coloca novos desafios à equipa da Altri Florestal, na continuação do acompanhamento das medidas preventivas e corretivas já implementadas e, no planeamento de outras ações que permitam estabilizar as áreas mais sensíveis à erosão.

3 comentários:

  1. Boa tarde colegas,

    gostaria de um dia dar um salto nessa propriedade para visualizar esse esforço e aprender um pouco. Entretanto, gostava de realçar o papel que deveremos ter para desconstruir a diabolização dos terraços, correctamente executados e em declives superiores a 25%, na melhora das propriedades edáficas do solo. Recordo que esta operação não é dos florestais, mas sim dos Engenheiros Hidrográficos de modo a corrigir correntes torrenciais.

    Paulo Maio

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  2. Bom dia Paulo,

    Bem vindo ao ciberespaço da Altri Florestal.

    Será com todo o gosto receber-te na propriedade Vale Mouro. Estamos a ter progressos interessantes, tal como verificámos novos desafios por vencer.

    Em relação aos terraços, não podia estar mais de acordo contigo. Na nossa colaboração com o prof. Gonçalves Ferreira da universidade de Évora e membro da comissão de acompanhamento do projeto de Vale Mouro, ainda ontem o professor sublinhou o facto de terraços (ou socalcos, como quiseres) serem utilizados em todo o mundo desde os primeiros tempos da utilização da terra para fins de agricultura, como medida de prevenção de erosão.

    Paulo, se quiseres lá ir, é só combinar...

    Um grande abraço,

    Henk Feith

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  3. Caro Henk,

    obrigado pelo convite e quando algum dia sair da terra do medronho e ir para o Norte, logo vos comunicarei, porque saber não ocupa espaço e estamos sempre a aprender.
    Em relação aos terraços não há duvida que será sempre um tema polémico, mas quando temos uma Paisagem Protegida pela UNESCO devido aos terraços ( e a maior parte já construida por bulldozers) e porque à data que te escrevo, não vejo melhor recuperação para zonas com declives acima de 25-30%, que de outra forma ficarão abandonados porque a vale e combro não entra e o covacho não traz retorno, penso que todos os actores deveriam repensar esta operação. Nós nesta época e na anterior, tivemos mais erosão na ripagem ( nomeadamente quando queremos esticar os mesmos para evitar os socalcos) do que nos terraços ( e muitos feitos em Dezembro e Novembro).
    Depois estranho quando para a vinha e por exemplo na zona donde vivo, em Silves, os laranjais são muitas vezes plantados em socalcos. Então é a operação ou a espécie? E depois questiono, daqui a uns anos com a falta de mão de obra que haverá, quem vai andar com pranchas de sobreiro às costas e a abrir ruas pelo meio do mato para ir buscar cortiça, a subir ladeiras no Verão? Na zona de Silves após os incêndios e quando os medronhos começaram a dar, as pessoas iam lá apanhá-los, no ano passado e anterior esses mesmos medronhos ficaram lá.
    Enfim, não é sitio para discutir isto e longe de mim endeusar esta operação, que como é obvio tem ao início impactos paisagisticos e deveriamos os minimizar melhor.

    Saudações ornitológicas.

    Paulo Maio

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