19 de agosto de 2011

Reposta ao Henrique

Foto obtida aqui
Este post vem em reposta a este post que o Henrique Pereira dos Santos colocou no Ambio.

Caro Henrique,

Como sabes, partilho muito das tuas ideias relacionadas com o fogo em espaço rural.

Acontece que o post no blog da Altri Florestal reflete a posição de alguem que tem como missão defender da melhor forma um património florestal sob sua responsabilidade, património esse que de facto está ocupado por florestas, na sua maioria. Este é um dado adquirido que não está aberto para discussão, porque é a razão de existência da empresa que o deve gerir, a Altri Florestal neste caso, mas podia ser uma outra empresa qualquer que deve financiar-se com base na sua produção florestal própria.

Posso teoretizar sobre como seria Portugal com menos floresta, mais cabras, menos bombeiros e mais agricultores em zonas rurais marginais. E teria muito gosto em fazê-lo. Mas seria um exercício intelectual de foro privado e não empresarial. A minha administração espera da minha equipa que a taxa média anual de áreas ardidas fica abaixo de 0,5%, caso contrário põe em causa a sustentabilidade da nossa atividade economica.

Para tal, juntámos esforças com o grupo PortucelSoporcel na criação, há quase 10 anos, da AFOCELCA, crentes na estratégia que se baseia no binómio de prevenção e combate. Investimos anualmente na silvicultura preventiva como no combate, custos inteiramente suportados por nós, apesar do benefício comum do nosso esforço, considerando que grande parte do combate é realizado fora das nossas propriedades, não motivado por altruismo mas sim com o objetivo de controlar o fogo antes dele chegar às nossas propriedades. 

É natural que a estratégia não seja 100% eficaz em ficar abaixo da meta estabelecida (porque, como tu, também não acredito num Portugal sem fogos) e os anos fatídicos de 2003 e 2005 têm nos mostrado a nossa fragilidade em casos de incêndios de grande dimensão. Mas, apesar disso, continuamos convictos que a estratégia adotada seja a melhor das possíveis, sem nunca perder de vista que ela pode ser aperfeiçoada, tanto na vertente de silvicultura preventiva como na de combate. E, se calhar, há espaço para o teu gado miúdo neste percurso de melhoria de eficácia.

Henk Feith

PS, não resisto em juntar uma outra foto, digno do Silly Season em que estamos. Mais cabras e menos floresta...?


Foto obtida aqui


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