23 de novembro de 2011

Workshop Projetos de Florestação

No dia 2 de Novembro realizou-se no Centro de Investigação e Desenvolvimento da Altri Florestal (Furadouro -Óbidos) um encontro técnico dedicado ao tema dos projetos de florestação.

Centro de I&D Altri Florestal - Quinta do Furadouro - Óbidos
Foram abordados de uma forma aberta e descomplexada vários temas relacionados com os projetos de florestação, nomeadamente, os projetos de florestação com eucalipto. Debateram-se entre outros, os desafios do melhoramento genético do eucalipto, os impactes da exploração de biomassa, os serviços do ecossistema (biodiversidade), a engenharia natural e a utilização de socalcos como técnica de preparação de terreno.

Este último tema (socalcos) foi apresentado e discutido numa mesa redonda moderada por Nuno Calado, em representação do FSC Portugal, onde estiveram presentes:
- Alfredo Gonçalves Ferreira (Univ. Évora)
- Luis Quinta Nova (IPCB)
- Paulo Maio (IberFlorestal)
- Eugénio Sequeira (LPN)
- Domingos Patacho (Quercus)
- João Pinho (AFN)
Mesa Redonda - Socalcos - Boas Práticas
As apresentações do workshop estão dísponiveis aqui:
 1- 2 - 3 - 4 - 5 - 6 - 7 - 8

Após o almoço todos forma convidados a conhecer mais de perto algumas das atividades de investigação da área de I&D da Altri Florestal, com uma visita aos viveiros, pomares de semente melhorada e aos laboratórios de investigação em pragas e doenças.  
  
Visita aos viveiros de I&D




22 de novembro de 2011

Outono nos eucaliptais

Os cogumelos são os fenómenos mais emblemáticos do outono na floresta, e os eucaliptais não são exceção. Nas visitas das últimas semanas foi notável o surgimento deles, e partilhamos aqui algumas imagens deste místerioso grupo que vive nas nossas florestas.

Caneira - 10 de novembro
Caneira - 10 de novembro
Cebolais - 14 de novembro


Quinta das Bocas - 22 de novembro
Para os especialistas em cogumelos: alguém nos sabe identificar as espécies aqui representadas?

15 de outubro de 2011

Seminário Floresta Autóctone



Cartaz do seminário
 
A Altri Florestal vai estar presente no seminário dedicado à valorização e proteção da flroesta autóctone, organizado pelo CISE nos dias 19 e 20 de novembro, em Seia. Para mais informações consulta o sítio do CISE aqui.

Vamos apresentar a nossa experiência na proteção e restauro da floresta nativa, sob o tema de “Restauro da floresta autóctone: entre o optimismo e o realismo. Alguns exemplos levados a cabo pela Altri Florestal”

Henk Feith

25 de setembro de 2011

And now, for something completely different


genuino Appeltaart Neerlandês
Há momentos de concentração e de distração. É o que acontece quando se faz anos e bolos...

De forma totalmente inesperada, um bolo relativamente simples provocou uma avalanche de elogios e pedidos múltiplos de receitas e tal.

Quando a última coisa que quero é desiludir estimada/os colegas, então aqui vai tal receita.

Ingredientes para um bolo médio:
300 gr de farinha fina de bolo
200 gr de manteiga
100 gr de acuçar
dois ovos
4 maçãs reineta grandes
canela
sal

Os ingredientes devem estar a temperatura de ambiente.
Pre-aqueça o forno a 180 ºC.
Bata os ovos e coloque um quarto de lado.
Misture a farinha com o açucar.
Corte a manteiga os bocados e junte à farinha e açucar. Adicione os ovos.
Amasse a farinha, açucar, manteiga e ovo batido até formar uma massa uniforme e sólida.
Deixe repousar a massa num lugar fresco.
Descasque as maçãs, tire o caroço e corte as em oito partes. Misture as fatias de maçã com canela e açucar.
Besunte a forma de bolo com manteiga e polvorize com farinha.
Estenda a massa com um rolo até uma espessura de aprox. 5 mm. Corte a massa para caber no fundo da forma e coloque-a.
Volte a estender a massa e corte uma fatia com a altura da forma. Coloque a fatia de massa na parede da forma. Guarde alguma massa para a cobertura.
Pincele a massa com o ovo batido.
Coloque as fatias de maçã em círculos. 
Estenda a massa que sobrou e corte fatias de um cm de largura. Coloque as fatias por cima das maçãs em forma cruzada. Pincele as fatias de massa com ovo batido.
Ponha o bolo na parte médio inferior do forno durante 50 minutos até a massa estar bem cozida. Atenção que a crosta do bolo pode queimar enquanto o fundo ainda estar cru quando o forno estiver mais quente.

Esta é a receita base de um bolo de maçã à moda de Holanda. A partir daí pode-se variar à vontade. Há quem mistura passas encharcadas em aguardente (deve ser boa essa!), troca maçãs por peras, junta nozes ou amêndoas, por aí fora.

Portanto, estamos à espera de muitos bolos de maçã agora lá nos escritórios da Altri Florestal!

Henk Feith

22 de setembro de 2011

Bem vindo à nova colega


É com muito satisfação que demos as boas vindas à nova colaboradora da Altri Florestal, a Maria João Loureiro.

A Maria João irá assumir a função de Encarregada de Região Florestal no concelho de Chamusca.


20 de setembro de 2011

Mais socalcos

Socalcos, agora com arrozais - foto obtida aqui

No comments.

Henk Feith

18 de setembro de 2011

Em defesa dos socalcos



Socalcos na Serra de Lousã
Como disse o Paulo Maio, em comentários a este post, socalcos são utilizados nas mais diversas culturas agrícolas e florestais em espaço montanhoso. E o são desde que o Homem conseguiu força suficiente para laborar as encostas. Apesar do investimento em força, inicialmente de origem humano e animal, mais recentemente em equipamentos mecanizados como máquinas de rasto, que se traduz em custos de instalação muito significativos, a perspetiva de uma cultura rentável, seja qual for, leva muitos proprietários a avançar com a construção deles.

Os socalcos são como as casas: uma vez bem construídos, servem várias gerações. E, depois de décadas de assegurar a proteção das encostas, na altura da reflorestação, a sua recuperação é fácil e de baixo impacte: não é mais do que uma passagem da máquina para alisar as plataformas, reassegurando a ligeira inclinação negativa delas para promover a máxima infiltração das águas de chuva.

Socalcos são em muitos sítios a única forma de implementar culturas, sejam de cariz agrícola ou silvícola, oferecendo bons accessos e proteção contra a erosão. A técnica empregada proporciona um maior volume de solo mobilizado, permitindo um bom desenvolvimento das plantas, sobretudo em solos mais delgados, como verifiquei recentemente em plantações feitas pela ENCE em Andaluzia, perto de Rosal de la Frontera, província de Huelva.


Socalcos - Lamego - Vale do Douro
Uma das grandes vantagens dos socalcos é o facto da rechega ser feita em plano horizontal, ao contrário das plantações em curva de nível, que inevitavelmente tem de ser no sentido do maior declive. Por outro lado, a densidade inicial de plantação é mais baixa, devido à maior distância na entre-linha de plantação, podendo condicionar de alguma forma a produção final.

Socalcos são a resposta mais lógica em situações de encostas de declive pronunciado, permitindo simultaneamente controlo do risco de erosão, facilidade de aplicar tratamentos culturais e bons acesso aos povoamento propriamente dito.

Sempre houve dualidade de critérios na apreciação dos socalcos. Enquanto técnica de instalação de vinhas no vale do Douro, é unanimamente apreciada. Essa mesma apreciação positiva não é tão generalizada quando se trata de plantações florestais. Ora, não há racionalidade nessa distinção. No campo de avaliação meramente estética, inevitalmente subjetiva, cada um fala por si e eu, falando por mim, considero uma encosta trabalhada em socalco, uma das imagens culturais mais bonitas que conheço. Mas isto vale o que vale...

Henk Feith

16 de setembro de 2011

Boa Sorte

Lembram-se da cria de águia calçada (Hieraaetus pennatus), que foi recolhida numa propriedade em Abrantes?

Recuperou muito bem no Centro de Estudo e Recuperação de Animais Selvagens da Quercus, em Castelo Branco, conseguindo adquirir a capacidade de voo.

Ontem, estivemos presentes, com o CERAS, na zona das Portas de Rodão a testemunhar o seu regresso ao meio natural.


Os nossos parabéns ao CERAS, pelo excelente trabalho na recuperação deste e de outros animais, contribuindo assim para o conhecimento e sensibilização da sociedade para estas lindas aves.


13 de setembro de 2011

Notas de Vale Mouro II

Durante o mês de Setembro a equipa técnica da Altri Florestal visitou a propriedade Vale Mouro (Azambuja) para avaliar o efeito das medidas preventivas e mitigadoras de correção torrencial realizadas durante este verão. As primeiras chuvas de setembro permitiram avaliar a resiliência da preparação de terreno (socalcos e curvas de nível) bem como, das estruturas de apoio à sedimentação do solo e as ações de correção dos ravinamentos.

Correção de ravinamento

Estruturas em madeira para sedimentação

As áreas dedicadas à conservação apresentam também sinais de evolução positiva, com a regeneração de habitats (juncal e caniçal) e a consolidação dos charcos nas zonas a jusante das principais linhas de escorrência.

Vegetação de área de conservação

A propriedade coloca novos desafios à equipa da Altri Florestal, na continuação do acompanhamento das medidas preventivas e corretivas já implementadas e, no planeamento de outras ações que permitam estabilizar as áreas mais sensíveis à erosão.

19 de agosto de 2011

Reposta ao Henrique

Foto obtida aqui
Este post vem em reposta a este post que o Henrique Pereira dos Santos colocou no Ambio.

Caro Henrique,

Como sabes, partilho muito das tuas ideias relacionadas com o fogo em espaço rural.

Acontece que o post no blog da Altri Florestal reflete a posição de alguem que tem como missão defender da melhor forma um património florestal sob sua responsabilidade, património esse que de facto está ocupado por florestas, na sua maioria. Este é um dado adquirido que não está aberto para discussão, porque é a razão de existência da empresa que o deve gerir, a Altri Florestal neste caso, mas podia ser uma outra empresa qualquer que deve financiar-se com base na sua produção florestal própria.

Posso teoretizar sobre como seria Portugal com menos floresta, mais cabras, menos bombeiros e mais agricultores em zonas rurais marginais. E teria muito gosto em fazê-lo. Mas seria um exercício intelectual de foro privado e não empresarial. A minha administração espera da minha equipa que a taxa média anual de áreas ardidas fica abaixo de 0,5%, caso contrário põe em causa a sustentabilidade da nossa atividade economica.

Para tal, juntámos esforças com o grupo PortucelSoporcel na criação, há quase 10 anos, da AFOCELCA, crentes na estratégia que se baseia no binómio de prevenção e combate. Investimos anualmente na silvicultura preventiva como no combate, custos inteiramente suportados por nós, apesar do benefício comum do nosso esforço, considerando que grande parte do combate é realizado fora das nossas propriedades, não motivado por altruismo mas sim com o objetivo de controlar o fogo antes dele chegar às nossas propriedades. 

É natural que a estratégia não seja 100% eficaz em ficar abaixo da meta estabelecida (porque, como tu, também não acredito num Portugal sem fogos) e os anos fatídicos de 2003 e 2005 têm nos mostrado a nossa fragilidade em casos de incêndios de grande dimensão. Mas, apesar disso, continuamos convictos que a estratégia adotada seja a melhor das possíveis, sem nunca perder de vista que ela pode ser aperfeiçoada, tanto na vertente de silvicultura preventiva como na de combate. E, se calhar, há espaço para o teu gado miúdo neste percurso de melhoria de eficácia.

Henk Feith

PS, não resisto em juntar uma outra foto, digno do Silly Season em que estamos. Mais cabras e menos floresta...?


Foto obtida aqui


9 de agosto de 2011

Cria de águia-calçada recuperada


Cria com garras!
Hoje foi encontrada uma cria de uma águia-calçada (Hieraaetus pennatus), numa propriedade sob gestão da Altri Florestal em Abrantes. A ave estava no solo, no entanto sem já ter adquirida a capacidade de voo.


Depois de ter sido recolhida, foi entregue ao Centro de Estudo e Recuperação de Animais Selvagens da Quercus, em Castelo Branco.


Esperamos que a ave recupera depressa e que seja devolvida ao seu meio natural, logo que esteja apta.

24 de julho de 2011

Couto de Cima protegido no incêndio florestal de Oledo

                                    Foto do incêndio obtida aqui

Na terça-feira dia 19 de julho deflagrou um incêndio florestal na localidade de Oledo, Idanha-a-Nova. Não sendo controlado na fase inicial, o incêndio atingiu grande dimensão durante a tarde. Ao fim da tarde aproximou-se à nossa propriedade Couto de Cima, perto da localidade de Mata. Os meios internos disponíveis foram mobilizados junto da estrema da propriedade, onde se encontravam de prevenção e vigilância os colegas João Ramos, Fernando Mendes e António João, aos quais se juntou o Rui Pires da Rosa. À medida que o fogo se aproximava, foram solicitados reforços por parte da AFOCELCA, que estava a combater o mesmo incêndio num outro local. Em momento oportuno se juntaram à frente do incêndio um Unimog e duas brigadas ligeiras. Quando o incêndio chegou à propriedade, ele foi travado junto ao aceiro que rodeia toda a propriedade e as projeções para dentro do povoamento foram rapidamente extintas, trabalho facilitado pela reduzida quantidade de vegetação no subbosque.

O combate prolongou-se durante várias horas, até que o incêndio deixou de ameaçar a propriedade. Esta intervenção eficaz seguramente evitou que a propriedade fosse atingida pelas chamas, mas também que se aproximasse da localidade Mata, que se situa a poucos centenas de metros da propriedade, que serviu de barreira à sua progressão.

Mais uma vez ficou provado que, quando se junta à silvicultura preventiva, nomeadamente a manutenção de aceiros e o controlo da vegetação espontânea no interior dos povoamentos, um dispositivo de combate rápido e profissional, os incêndios florestais não são uma fatalidade no nosso património florestal.

Deixo aqui uma palavra de agradecimento aos nossos colegas da região Beira Interior e às brigadas da AFOCELCA para o seu esforço e para o resultado obtido neste incêndio.

Henk Feith

14 de julho de 2011

Ação de sensibilização

No dia 12 de julho realizaram-se duas curtas ações de sensibilização, uma na Leirosa e outra em Constância, com os fornecedores de serviços florestais de exploração e florestação. Contámos com a presença de representantes de dezenas de empresas prestadores de serviços florestais.

Foram transmitidos aos gerentes das empresas de serviços florestais as novas medidas de proteção às espécies arbóreas protegidas, com destaque para os sobreiros e as azinheiras.

Ficou estabelecido que, em caso de presença de sobreiros ou azinheiras no interior de eucaliptais em exploração, deve ser respeitada uma zona de proteção de 10 metros a partir da copa destas espécies, na qual o abate só pode ser executada pela máquina processadora e não por abate manual. Desta forma, o risco de eucaliptos cairem sobre os sobreiros ou azinheiras é reduzida de forma muito significativa, porque as cabeças de corte conseguem controlar muito melhor a queda dos eucaliptos.

Também em operações de florestação, ficou definido que os trabalhos de mobilização do solo e plantação devem respeitar uma zona de proteção de 3 metros a partir da copa de sobreiros e azinheiras.

Em segundo lugar, foram abordados os procedimentos de saúde e segurança em vigor, em que se apelou ao seu cumprimento, para o bem dos trabalhadores florestais que estão sujeitos a riscos laborais significativos. É através da prevenção dos riscos laborais que podemos manter os indicadores de sinistralidade tão baixo como temos tido nos últimos anos.

Por fim, foi apresentado o sistema de avaliação de empenho dos fornecedores de serviços florestais e de que forma os resultados desta avaliarção será tido em conta nas futuras contratações de serviços.

No fim, foram respondidas algumas questões pertinentes colocadas por algumas pessoas presentes.

Henk Feith

26 de junho de 2011

Altri Florestal no Biodiversity4All

A Altri Florestal começou a introduzir os registos de espécies de fauna e flora, recolhidos nas propriedades sob sua gestão, na base de dados Biodiversity4All.


Contando com projetos de estudo ou de monitorização que estão em curso, o número de registos já alcançou a marca de 150:

















Curioso é o facto do grupo com maior número de registos ser o dos mamíferos, muito por conta do trabalho da bióloga Joana Cruz.


Para mais informação, veja no site da Biodiversity4All.


Com ainda muitos registos por apurar, nomeadamente dos projetos de monitorização NaturSAPO (anfíbios) e do serviço prestado pela Mãe d'Água (aves), esperamos alcançar os 500 registos ainda este ano. Será um modesto contributo nossa para o sucesso desta base de dados, que já ultrapassou os 64 mil registos desde o seu início em março de 2010.

22 de junho de 2011

Visão Noturna

A Bíologa Joana Cruz, no âmbito do seu programa de doutoramento, instalou na propriedade do Galisteu, algumas câmaras noturnas para visualização e contagem de mamíferos que utilizam o habitat eucaliptal. A câmara foi montada junto de uma pequena charca, recém construída, em pleno eucaliptal. Curiosamente, e ao contrário do que se podia esperar, foi registada uma séria de mamíferos carníveros, como fuinha, gineta, sacarrabos, raposa, javali e texugo. Destes últimos dois colocámos aqui dois vídeos curtos e engraçados.

17 de junho de 2011

Ribeira da Foz

Hoje, numa visita à Ribeira da Foz, em companhia com o Carlos Pacheco e Sandra Mesquita, descobrímos um lagarto-de-água (Lacerta schreiberii). Este lagarto não estava referido para a quadrícula em causa (ND56), portanto estamos perante a descoberta de uma presença desconhecida desta espécie, que é bastante rara a sul do Tejo, com populações de pequena dimensão nas Serras de São Mamede e Monchique.
O lagarto-de-água encontrava-se num leito secundário da ribeira, com águas paradas, numa área de floresta aluvial composta por amieiros e lodão-bastardos.

No mesmo sítio, encontrava-se um lagostim-de-água-doce (Astacus astacus), espécie exótica originária do sul de Estados Unidos da América, cujo comportamento invasor é conhecido.

Um pouco mais acima, demos conta da presença de um jovem carvalho-alvarinho (Quercus robur), espécie bastante rara a sul do Tejo.


A Ribeira da Foz continua a surpreender. Durante a visita, o canto da estrelinha-de-poupa foi constante e ouviu-se crias de uma águia-calçada, indicando a sua nidificação nas árvores de grande porte que constituem a galeria ripícola da ribeira.

9 de junho de 2011

Notas de Vale Mouro 1

O projeto de reflorestação de Vale Mouro continua esta primavera, mostrando os primeiros resultados em vários vertentes.

A área que foi reflorestada esta primavera, num dos vales, com a preparação de terreno em curva de nível ainda bem visível. 

Também a encosta onde se verificou a erosão durante o inverno foi alvo de uma intervenção de reconstrução de socalcos, aumentando a sua capacidade de absorção e infiltração de chuvadas fortes.

O clone híbrido YG15 mostra a sua elevada resistência ao encharcamento: após ter passado vários meses em terreno encharcado numa baixa, a plantação com este clone não sofreu mais do que 5% de mortalidade:
O alargamento e consolidação da charca está a ganhar forma, com a plantação de freixo (Fraxinus angustifolia):
Área de proteção criada a montante da charca, com plantação de freixos 

Charca a ganhar forma

Nas áreas plantadas constatou-se alguma mortalidade devido à presença de Melolontha, cuja larve come o sistema radicular da pequena árvore, como se pode ver na imagem. Felizmente, essa mortalidade é muito pontual.
Exemplo de planta com sistema radicular destruído

Uma das medidas preventivas implementadas no Vale Mouro é a gradagem por faixas, em vez da gradagem total. Desta forma, o terreno mantém algumas faixas com vegetação, oferecendo maior proteção contra a erosão.


O Vale Mouro está a mudar, com todas as medidas corretivas e preventivas que estamos a implementar. Depois das dificuldades encontradas no inverno, a recuperação vai no bom sentido e o resultado final vai mostrar que a propriedade melhorou muito com a sua reflorestação. Mais produtivo, maior biodiversidade e melhor proteção.

Henk Feith

31 de maio de 2011

Visita a Mato de Alter

Foto obtida aqui. Hoje, num dia de campo dedicado à região florestal Alto Tejo, visitámos a propriedade Mato de Alter, perto de Alter do Chão. O objetivo da visita era avaliar o projeto de reflorestação em curso. No entanto, logo à entrada da área reflorestada, fomos surpreendidos pela presença de um casal de alcaravões, ave classificada como Vulnerável pelo IUCN e ameaçada no Livro Vermelho de Vertebrados de Portugal. Esta ave nidifica em terrenos abertos e vegetação esparsa, aproveitando assim áreas recém florestadas para nidificar. Eis um bom exemplo de como florestações podem criar condições para a procriação de espécies ameaçadas, tal como se verifica com outras espécies ameaçadas como o chasco-ruivo e o noitibó-europeu e o noitibó-de-nuca-vermelha. No terreno foi possível observar os excelentes resultados obtidos nas plantações realizadas na primavera de 2009, com as melhores árvores, agora com dois anos, atingirem os cinco metros de altura. Neste caso foram utilizados clones especialmente adaptados às condições de crescimento típicos da região, caracterizadas por verões quentes e secos e invernos frios. Estes resultados alimentam elevadas perspetivas para as futuras florestações a realizar na propriedade.

20 de maio de 2011

Controlo de Invasoras

Na nossa propriedade Nova Austrália em Abrantes o combate ao género Acacia continua. O crescimento do eucalipto começa a produzir o efeito desejado de ensombramento ao acacial que dominava a propriedade. No entanto, o maior desafio encontra-se no controlo das áreas que dedicámos à conservação. A regeneração através do banco de sementes e rebentos de raiz é impressionante. O sentimento de desânimo é efémero porque, num olhar mais atento observamos com surpresa sinais positivos da recuperação da vegetação. É o caso desta bonita orquídea (Serapia cordigera)

Mãos à obra. Neste caso todas as mãos são necessárias para eliminarmos as invasoras. Para mais informações sobre o projeto, vejam aqui

19 de maio de 2011

Vale Mouro - início atividades da comissão independente de acompanhamento

A Altri Florestal chegou a um entendimento com três especialistas convidados para constituir a comissão independente de acompanhamento do projeto de florestação de Vale Mouro.
A constituição desta comissão veio em resposta aos problemas de erosão verificados na execução da primeira fase do projeto e tem como objetivo aconselhar sobre as medidas corretivas e preventivas a levar a cabo na área de projeto, acompanhar a execução das mesmas e avaliar a sua eficácia.
Pretende-se com os contributos da comissão, aumentar a solidez técnica das operações a executar na propriedade, nas áreas erosionadas, nas áreas por reflorestar tal como nas áreas de conservação de valores ecológicos a implementar ou consolidar.
A comissão é composta pelos seguintes especialistas:


  • Prof. Emérito Alfredo Gonçalves Ferreira, da Universidade de Évora, especialista em erosão, solos, hidráulica e ordenamento florestal




  • Dr. Luís Miguel Rosalino, biólogo da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e especialista em biodiversidade em paisagens dominadas por eucaliptais




  • Eng.º José Matos, da Autoridade Florestal Nacional, especialista em silvicultura do eucalipto.
    Na primeira visita à propriedade foram analisadas as características gerais da área de projeto, o tipo de solo e orografia, o ordenamento florestal proposto no projeto, as diversas medidas corretivas já implementadas no terreno, a criação de corredores ecológicos ao longo de linhas de água e melhorias a implementar nas charcas temporárias já formadas em algumas zonas baixas.
    Foram discutidas técnicas alternativas de mobilização do solo, tal com intervenções de controlo de escoamento das águas pluviais nas encostas mais sensíveis, que serão implementadas numa área experimental nas reflorestações do próximo outono.
    Uma das medidas já implementadas foi, na mobilização dos socalcos pre-existentes, a mantutenção da vegetação arbustiva nos taludes, por forma a aumentar a sua consolidação. A fotografia abaixo mostra um exemplo desta operação.
    Exemplo de terraços mobilizados, mantendo a vegetação no talude.
  • 14 de maio de 2011

    Vou plantar uns eucaliptos



    Nada como a alegria brasileira para ficar bem-disposto.
    Vejam este clip no you tube.

    8 de maio de 2011

    Manobra a sangue frio

    Há certos operadores com habilidades fora de comum. Vejam só a seguinte vídeo:

    Não se recomenda repetir a façanha...

    Henk Feith

    4 de maio de 2011

    Abril águas mil

    Com as abundantes chuvas da segunda quinzena de abril, o surgimento em força da vegetação herbácea verificada era de esperar nas áreas recém plantadas.
    As fotos mostram bem a concorrência que esta vegetação espontânea faz com as plantas de eucalipto e o seu controlo é fundamental para o sucesso da plantação. Na foto acima, observa-se o efeito da gradagem na entrelinha, que deverá ser acompanhada de uma sacha à volta das plantas para o controlo da vegetação na linha de plantação (ainda não efetuada neste caso).
    Com o desenvolvimento das árvores e consequente ensombramento da vegetação espontânea, o problema da concorrência vai-se reduzindo. No entanto, o desenvolvimento do subbosque deverá ser acompanhado ao longo da rotação e controlado sempre que proporcione um fator de concorrência por água e nutrientes com o povoamento principal, nomeadamente em regiões onde esses são fatores limitantes para o crescimento das árvores.
    Henk Feith

    29 de abril de 2011

    A Floresta também é Escola

    Foi com muito interesse e alguma surpresa que um grupo de alunos do 5º ano, no passado dia 26 de Abril, descobriu como as Ciências da Natureza e até a "temida" Matemática podem ter aplicação prática em áreas florestais muito próximas da sua Escola, na vizinha Quinta do Furadouro.

    Este acontecimento teve origem num pedido de colaboração por parte do Complexo Escolar do Furadouro, do Agrupamento de Escolas Josefa de Óbidos, que a Altri Florestal teve o prazer de aceitar, para participação no concurso Descobrir a Floresta, inserido no âmbito das comemorações do Ano Internacional das Florestas.

    Estes pequenos Exploradores da Floresta, como se autonomearam, aprenderam o que é um inventário florestal e qual a sua importância. Num pequeno exercício prático puderam aplicar conhecimentos de áreas, sólidos, unidades de medida e algumas noções básicas de estatística.

    Da parte da tarde, tiveram oportunidade de compreender e conhecer a biodiversidade. Foi com verdadeiro espanto que descobriram que num percurso com pouco mais de 500 metros poderiam encher facilmente uma página A4 com nomes de espécies de plantas, animais e fungos.

    Ficam os nossos votos para que este simpático grupo obtenha uma boa classificação no concurso.

    26 de abril de 2011

    Biodiversity4All assina parceria com Altri Florestal

    Altri Florestal acaba de assinar um contrato de parceria com a Associação Biodiversidade para Todos. A parceria tem como objetivo o desenvolvimento da plataforma web, permintindo: 1 - a apresentação no site da Biodiversity4All áreas de conservação geridas pela Altri Florestal, incluindo informação específica sobre a biodiversidade existente 2 - o desenvolvimento de uma funcionalidade que permita a qualquer utilizador delimitar um polígono no mapa e identificar esse polígono como um habitat específico (utilizando os critérios da Diretiva Habitat para o efeito. Este trabalho proporciona uma inovação na abordagem desta base de dados sobre a biodiversidade, que deixa de ser exclusivamente com base em espécies. A Altri pretende utilizar a plataforma Biodiversity4All como um dos sítios para dar a conhecer ao público em geral os valores de conservação existentes no seu património florestal, introduzindo na base de dados informações concretas sobre espécies e habitats.

    20 de abril de 2011

    Dia da Biodiversidade - "Pé N'a Terra"

    A Altri Florestal re-agendou, devido ao agravamento das condições climatéricas, as atividades inseridas no evento Pé N'a Terra promovido pela plataforma BioDiversity4All, para o dia 28 de abril no mesmo horário e locais (9:00 - Malpica do Tejo - Parque Natural Tejo Internacional). Esta atividade pretende fazer um levantamento e registo da biodiversidade presente na propriedade Galisteu com o apoio de especialistas em diferentes áreas. A atividade divide-se por 3 grupos: 1 - Aves (Carlos Pacheco); 2 - Anfíbios, Reptéis e Mamiferos (Joana Cruz) 3 - Flora (Paula Gonçalves) Para mais informações e inscrições (número limitado de participantes): Pedro Serafim - Pserafim@altri.pt Henk Feith - Hfeith@altri.pt

    18 de abril de 2011

    Águia de Bonelli voltou!

    Imagem obtida aqui
    Na semana passada, o biólogo Carlos Pacheco, que leva a cabo o nosso programa de monitorização de aves ameaçadas, deu nos a boa notícia do regresso da águia de Bonelli, também conhecida como águia-perdigueira, ao seu ninho numa propriedade nossa no Alto Alentejo, após um ano de ausência, em que utilizou um ninho alternativo nas proximidades. Este comportamento é normal nas águias de maior porte, que dispõe frequentemente de vários ninhos que podem ocupar alternadamente. Por todo o efeito, estamos contentes deste casal ter regressado "a casa", e esperemos receber mais informação sobre o sucesso de nidificação do casal. Para mais informação sobre águia-de-Bonelli, pode consultar também o portal Aves de Portugal. Henk Feith

    6 de abril de 2011

    Bem-vindos



    Hoje, a Altri Florestal dá o primeiro passo numa nova forma de comunicar com todas as pessoas que se interessam pela nossa actividade, através do blogue da Altri Florestal.
    Pretendemos dar a conhecer os resultados do nosso trabalho, novidades nos métodos silvícolas que utilizamos, curiosidades sobre o nosso património florestal, aspectos que consideramos ser de destacar pelo seu valor para a conservação da natureza, projetos de restauro ou recuperação ambiental que temos vindo a executar, entre outros.
    Queremos que o blogue seja um canal aberto entre a Altri Florestal e as mais diversas pessoas e entidades, oferecendo-lhes a possibilidade de comunicar diretamente connosco sobre os assuntos apresentados.
    Sejam bem-vindos à nossa floresta, a Floresta Altri.
    Dr. Joaquim Ferreira Matos
    Diretor Geral da Altri Florestal